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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

RELATO DO NASCIMENTO DO MIGUEL - Parto Humanizado Hospitalar (26/04/16)

Já tive a alegria de assistir o primeiro parto da Helen, o relato está aqui. Ela teve seu segundo filho em abril desse ano, e escreveu o relato pra dividir a alegria deles com vocês.

Parabéns, família querida... Que Deus continue os abençoando, e direcionando seus passos pra tomarem as melhores decisões na educação dos meninos!

"No dia 26 de abril de 2016 nasceu o Miguel de parto normal hospitalar na água. Miguel é o meu segundo filho, que está mamando no meu peito enquanto eu escrevo, agora com 40 dias. Ele nasceu moreninho, cabeludo, de olhos escuros, com 3.800kg e 51,5cm. 

Tudo começou por volta das 4:20h da manhã, algumas contrações e perda de um pouco de líquido, já liguei para a Honielly enfermeira obstetra e para minha doula Marieli, pois como meu primeiro filho havia nascido de um trabalho de parto de apenas 4 horas, achei que seria parecido, mas desta vez a história foi bem diferente...

Passou-se a manhã e combinamos de ir para o hospital quando as contrações estivessem durando 1min, e tendo 3 contrações num intervalo de 10min, ou seja, mais ritmadas. Isso aconteceu durante o almoço, terminamos de comer e fomos para o Genesis por volta das 13h. Chegando lá foi só esperar as contrações evoluírem, entre uma e outra conversávamos e tivemos uma tarde bem gostosa. 


Acredito que minha bolsa rompeu por volta das 16:30h e logo senti dores mais fortes, cheguei a vomitar, mas em instantes estava tudo bem, muito calma esperando a hora do Miguel.

Os puxos e a vontade de fazer força começaram por volta das 17h. Foi quando chamamos o obstetra Dr. Douglas e o pediatra Dr. Milton.  Logo entrei na banheira... Ah essa banheira, que delicia! Aquela água quentinha me abraçou, me senti no céu. Agora era só fazer força na hora certa e Miguel nasceria. 

Porém alguma coisa estava diferente, eu fazia força e a Honi dizia que já tava sentindo o cabelinho dele mas nada dele nascer. Cheguei a pensar que tinha alguma coisa errada. Na verdade o Miguel estava "invertido" na posição "OS" ou seja, ele estava olhando para frente, em vez de olhar para trás, como seria o mais "normal". Não sei se chega a ser uma anormalidade, só sei que devido a isso tive que fazer muito mais força.

Eu estava totalmente concentrada, lembro de pedir que a Michelle parasse de fotografar para que nenhum barulho me tirasse daquele isolamento mental. Me deram um lenço chamado de Rebozo ( é um tipo de xale usado por parteiras mexicanas especialmente nos partos para ajudar a mulher) para que eu me segurasse e puxasse quando fizesse força, enquanto meu marido segurava a outra ponta. Isso é que o pai participar, fazendo força junto :)

Mas toda a minha força não estava sendo suficiente...  A Honi me perguntou se teria algum motivo para o Miguel não nascer... Eu pensei... não! Tá tudo certo eu quero que meu filho nasça da melhor maneira possível, por isso planejamos o parto natural humanizado, e que ele seja recebido com todo amor e calor humano. 



Naquele momento pedi a Deus que me desse força, conversei mentalmente com meu filho: "nasce Miguel meu bebê lindo, tá tudo pronto pra te receber, ajuda a mamãe, nós te amamos muito"...  Fiz uma força além do que pensava ser capaz... superei todos os meus limites... E as 18:21h nasceu o Miguel. Tive medo de que meu períneo e meu anus rompessem, mas graças às aulas de Fisio da Naiara e do Epi-No da Karine fiquei intacta. Apenas uma leve laceração porém sem pontos. 
Miguel veio todo calminho para os meus braços, só um resmungo... parecia um gatinho. Nesta hora todo amor do mundo me invadiu, algo divino, que acho que sempre que eu lembrar vou chorar... A dor foi embora como num passe de mágica... Meu maior amor estava agora nos meus braços... E que incrível... Como pode já saber sugar? É muita perfeição! 
Dr. Douglas esperou o cordão parar de pulsar e o papai Eduardo clampeou. 



Apesar de toda a dor, nada em toda a minha vida jamais superará esse momento magnifico do nascimento dos meus dois meninos... Henrique e Miguel, vocês me fazem uma mulher, uma mãe muuuito feliz e totalmente agradecida a Deus, que me presenteou com esse dois tesouros. Amo vocês!"
 


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Relato do parto da Victoria - Parto humanizado hospitalar de bebê prematuro (01/04/15 - escrito por ela)

Hoje trago o relato do nascimento do José, que veio ao mundo prematuro (36 semanas). Ele é filho da Victória e do Márcio, casal super empoderado que veio de Guaíra a Cascavel só pra ter o nascimento do seu filho respeitado. Segue o relato escrito por ela:

"Com 4 meses de gestação troquei de médico e de Umuarama partimos para cascavel em busca de uma equipe humanizada para ter o meu tão sonhado parto natural, Conheci primeiro a Mari, anjo de pessoa, mulher abençoada que me trouxe ainda mais segurança, e deixei para conhecer a Honi quando completasse 37 semanas, 

Estava tudo certo e combinado, Mas no dia em que completei 36 semanas minha bolsa rompeu e comecei a perder liquido, Nosso menino resolveu adiantar e nos pegou de surpresa, Arrumamos nossas coisas e fomos para cascavel, Chegando la almoçamos no Mc’Donalds (na maior tranquilidade kk) e depois fomos para o hospital, Estava com contrações frequentes, mas sem ritmo e sem dor, Por volta das 9 da noite as contrações começaram a ficar bem doloridas, de madrugada pioraram, e logo pela manha estavam super intensas. 

Relaxar na bola, no chuveiro, comer e cochilar foram essenciais pra que eu me mantivesse ativa durante o trabalho de parto, Quase na hora do almoço resolvi ir pro chuveiro de novo e la começam os puxos, A honi fez o toque e viu que o José estava chegando, Então correu chamar o pediatra e o obstetra, Fui para a banqueta de parto, e depois de 26 horas de bolsa rota e mais de 12 horas de trabalho de parto ativo, as 11:43 do dia 1 abril, nasceu nosso bebe com 2,400g e 43,5 cm, 

Veio direto para o meu colo, rosadinho, quentinho, cheio de vernix, O pediatra o examinou no meu colo, nota 9/10, Fomos para a cama e la ficamos coladinhos por mais de 2 horas, Nesse tempo ele mamou e eu ganhei almoço na boca dado pela Mari (um mimo só *-* ). Só depois desse período que ele foi medido e pesado.





Levantei e fui tomar um delicioso banho, com direito a lavar a cabeça e tudo, Estava renovada , sem dor alguma, sem cortes, sem pontos, estava 100%. O tempo do meu bebe foi respeitado, Ele não recebeu nitrato de prata nos olhinhos, Não precisou de uti neo mesmo sendo prematuro, por conta das contrações que forçaram o amadurecimentos dos pulmões, E tomou banho somente 23 horas depois de nascido (no apartamento, com mamãe e papai assistindo e recebendo instruções da enfermeira), foi recebido com todo o respeito!! Meu sonho se realizou. 
Entre minha mãe, sogra, tias e primas fui a primeira a ter um parto normal, a pressão para recorrer a cesárea foi grande, mas estava certa do que eu queria, Eu sempre acreditei na minha capacidade de parir. Não deixei ninguém me colocar medo. 
Quando me perguntam: Doeu? Sim, doeu pra caramba! O expulsivo então colega, é punk! Deu vontade de desistir? No final até que deu, mas 5 minutos depois meu bebe já estava nos meus braços. Faria de novo? Já estou imaginando como será o próximo
Meu agradecimento especial vai para Deus, pois ele colocou a melhor doula e a melhor enfermeira obstetra no meu caminho, meninas vocês são nota 1000, Temos um carinho imenso por vocês, mas também né,.. com tanta ocitocina envolvida, não tem como não amar kk As duas moram nos nossos corações  
Toda mulher merece uma doula. Toda mulher merece uma enfermeira obstetra. Todo bebe merece nascer com respeito."

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Afinal, o que é uma Doula?



Já tive de responder por diversas vezes à essa pergunta. Quando conto que sou fisioterapeuta (essa já é mais comum, todo mundo conhece) e doula, as pessoas em geral me olham com aquela cara de "hã?".



Pra ficar mais claro, copio aqui um texto da Patrícia Bortoloto, que é doula em Curitiba. O texto é ótimo, aproveitem!



DOULAS



Antigamente era muito comum que a mulher fosse amparada, apoiada, assistida por outras mulheres durante o trabalho de parto. Esta mulher geralmente era sua mãe, irmã mais velha, prima, amiga, vizinha que já tivesse vivenciado um parto ou a aprendiz de parteira. Enfim, uma pessoa com experiência.


Com a medicalização do parto esse apoio se perdeu. Atualmente a equipe que assiste o parto é composta por médico obstetra, enfermeira, auxiliar de enfermagem e pediatra/neonatologista. Cada um tem suas responsabilidades técnicas no universo do parto e nascimento, mas nenhum deles esta à disposição para cuidar exclusivamente do bem estar físico e emocional da mulher que está prestes a dar à luz.


Neste “vácuo” surgiu o trabalho da Doula. O termo “doula” é originário do grego e significa “mulher que serve”. A doula oferece apoio físico, emocional e afetivo à mulher antes, durante e depois do trabalho de parto. Cria com esta mulher um vínculo. Oferece carinho e cuida para que agentes externos não perturbem o trabalho de parto.


Ser doula não é apenas uma profissão e sim uma vocação. Precisa ser uma pessoa que acredita que toda mulher é capaz de parir, ser apaixonada pelo nascimento humano e pela força encantadora que toda mulher tem de dar à luz seu filho. Deve entender que o parto é o momento mais importante da vida da mulher - e de seu filho.


A Doula é o espelho da mulher durante o parto. A mulher a observa e por meio dela se tranqüiliza e acredita que tudo dará certo. Ela é responsável por trazer essa tranqüilidade ao parto por meio de seus cuidados e palavras carinhosas. Além deste cuidado para a parturiente, presta também apoio ao companheiro/pai do bebê, que muitas vezes quer ajudar sua mulher em trabalho de parto, mas não sabe como. A doula trata de envolvê-lo no processo, sugerindo que ele a abrace, que faça massagens e a apóie no momento do parto. O parto, se bem conduzido, é uma experiência muito enriquecedora na vida do casal.


Pesquisas apontam que a atuação da Doula na assistência ao parto pode:
· diminuir em 50% as taxas de cesárea
· diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
· diminuir em 60% os pedidos de anestesia
· diminuir em 40% o uso da oxitocina
· diminuir em 40% o uso de forceps.


Esses números referem-se a pesquisas no exterior, mas é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

O QUE A DOULA FAZ:


Antes do parto


· A Doula orienta a mulher e seu companheiro sobre o que esperar do trabalho de parto, parto e pós-parto.
· Ajuda a gestante a refletir quais são seus desejos e medos, contribuindo para que a mulher se prepare física e emocionalmente para o parto.
· Além disso, indica leituras e artigos e auxilia na elaboração de um plano de parto.

Durante o trabalho de parto e parto


· A doula faz uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares auxiliando para que o ambiente seja mais acolhedor.
· Auxilia a mulher com técnicas não farmacológicas para alívio da dor, sugere posições para ajudar no bom desenvolvimento do trabalho de parto e posições para o parto, além de incentivar a parturiente a manter-se ativa durante todo o processo.
· Oferece apoio afetivo, físico e emocional não só à parturiente mas também ao seu companheiro.

Após o parto


· A doula auxilia com a amamentação e cuidados com o bebê.
· Oferece suporte para a nova família, ajudando-a a entender as mudanças que a chegada no novo membro traz ao lar.

Técnicas de apoio da doula



· Hidroterapia;
· Massagem;
· Visualizações;
· Toque tranqüilizante;
· Movimentos rítmicos;
· Respiração e relaxamento;
· Sons e vocalizações;
· Posturas alternadas (o parto é um evento assimétrico);
· Acupressura.

O que a Doula não faz:


· A Doula não substitui quaisquer dos profissionais envolvidos na assistência ao parto;
· A Doula não faz exames, ausculta fetal e tampouco cuida da saúde do recém-nascido;
· Não presta suporte técnico. Sua única preocupação é com o bem estar físico, afetivo e emocional da mulher.
· Além disso, não discute procedimentos com a equipe responsável pelo parto, mas durante a gestação fornece informações para que a gestante faça suas escolhas e converse com os profissionais envolvidos;

O acompanhamento da Doula tem como finalidade ajudar a mulher a ter uma experiência positiva de parto, sentindo-se amparada e cuidada nesse momento único e especial.

Patricia Bortolotto



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Por que contratar uma doula?



Quando eu estive grávida, procurei muito por algum profissional que entendesse minha maneira de pensar. Eu havia sonhado muito em ser mãe, e receber minha filha da maneira mais natural possível me parecia algo óbvio. Me cuidei muito na gestação, fiz caminhadas, cuidei da minha alimentação, conversei muito com minha filha na barriga, então porque eu deveria delegar o parto para outra pessoa? Se eu tinha tomado todas as decisões até então, por que nesse momento eu não participaria?

Meu parto (prometo que posto meu relato aqui, hora dessas) foi normal, tranquilo, maravilhoso, mas em alguns pontos ficou distante do que eu havia pensado. Várias intervenções desnecessárias acabaram por me separar da minha pequena logo após o nascimento, e só pude conhecê-la e pegá-la no colo 3 horas depois. No fundo eu sabia que as intervenções que estavam sendo feitas não eram necessárias, minha natureza estava agindo perfeitamente, mas é pedir demais que uma mulher em trabalho de parto tenha que ficar brigando pra ter seus direitos e vontades atendidos. Acabei permitindo tudo, sem nem conseguir argumentar.

Hoje vejo que a presença de uma doula ao meu lado naquele momento poderia ter feito a diferença. Eu não sabia como funcionava o corpo de uma mulher em trabalho de parto, então não sabia exatamente quanto tempo deveria esperar até ir pro hospital, não sabia que posições poderiam me ajudar a amenizar o desconforto das contrações, não sabia se o que estava acontecendo era normal... e as coisas aconteceram como consequência disso e da forma de atendimento que os profissionais me prestaram.

O fato de ter alguém junto à parturiente que tenha conhecimento sobre a fisiologia do nascimento faz toda a diferença. A gestante pode se entregar ao trabalho de parto quando sabe que tudo está acontecendo como deveria. Pode manter a tranquilidade, sem deixar que sentimentos de medo e insegurança atrapalhem a liberação de ocitocina. Pode sentir-se apoiada durante as contrações, sentindo que não está sozinha, que alguém que já passou pela mesma experiência agora a incentiva a não se entregar na metade do caminho.

Hoje não imagino um próximo parto sem uma doula. Mesmo sabendo muuuuuuuuuito mais do que há 2 anos atrás, sinto que esse apoio físico e emocional vai ser determinante pra tornar esse momento o mais tranquilo possível.

Em geral, quando se fala em escolher uma cesárea para via de nascimento de um filho, grande parte das mulheres justifica que "tem medo do parto normal". O medo pode ser "combatido" com 2 ferramentas poderosas:



  • INFORMAÇÃO: só temos medo do que desconhecemos. Quanto mais a gestante ler, pesquisar, se "empoderar", menos espaço haverá pro medo do desconhecido.


  • APOIO: até algumas décadas atrás era incomum deixar uma mulher em trabalho de parto sem acompanhante algum. É claro que a doula não substitui o acompanhante, mas por não ter uma ligação tão direta com a gestante ela consegue manter a calma e o controle mais facilmente. Muitas vezes só o gesto de olhar nos olhos, ou segurar a mão da parturiente, já é suficiente pra acalmar e confortar. Nem palavras precisam ser ditas...


E você, o que pensa sobre tudo isso? Você contrataria uma doula? Por que?


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Nascimento do Blog!

Passei muito tempo "ensaiando" pra criar esse blog. Sou fisioterapeuta (no momento atuando como professora universitária), sou doula, acabo de entrar num mestrado, sou mãe e sou esposa!Minha vida já é corrida o suficiente sem um blog, e não queria me comprometer e depois abandonar o trabalho pela metade.

Mas no curso de gestantes que coordeno aqui na cidade (quer saber mais? clique aqui) sempre temos gestantes novas chegando, e toda vez eu me via repetindo as mesmas coisas, encaminhando os mesmos textos.

Então, achei bom reunir essas informações em um só lugar, e facilitar a vida de todo mundo (minha e das gravidinhas!). Assim, outras gestantes que não sejam aqui de Cascavel também poderão consultar esse material e conhecer mais sobre nosso trabalho!

A ideia de Humanização do Parto aqui na minha cidade ainda não tem sido muito aceita pela maioria dos médicos, que, em geral, prefere intervir no processo do nascimento pra "garantir mais segurança pra mãe".

Na minha opinião, o que pode reverter esse quadro é o aumento de gestantes que estão se informando, e tomando pra si as decisões acerca da gestação e do parto. Por que não? Afinal, gestante informada é gestante segura.

Por tudo isso (e mais, que vou postando aos poucos!), desejo a todas as gravidinhas que nos lêem que APROVEITEM todo o conteúdo! Fiquem à vontade pra sugerir, questionar, criticar...

Afinal, TODA GESTANTE MERECE UMA DOULA!