terça-feira, 26 de agosto de 2014

RELATO DO NASCIMENTO DO DAVI – Parto natural domiciliar

 Eu já conhecia a Adriana e sua família há muitos anos, e já havia acompanhado o nascimento do seu primeiro filho em 2011 (relato aqui). Quando ela engravidou do Davi, já me avisou que eu seria a doula novamente, e voltou a frequentar os encontros do GestaCascavel.

O primeiro parto foi muito tranquilo e rápido, mas não tinha sido exatamente como ela havia planejado. No centro cirúrgico, ela não pode escolher uma posição em que se sentisse confortável (teve que ficar deitada de barriga pra cima). Recebeu uma episiotomia enorme, e como a posição não ajudava muito, na hora de expulsar o bebê um dos médicos fez uma pressão forte sobre a barriga dela para “ajudar o bebê sair” (manobra de Kristeller). E todas estas intervenções desnecessárias foram feitas nos 15 minutos que ela ficou no centro cirúrgico...

Para o segundo parto, ela já sabia o que queria. Chegou a cogitar um parto domiciliar, mas o Adriano (marido!) não achou que estava seguro o suficiente ainda, quem sabe no terceiro filho... =D Então, os planos dela eram: me chamar (rs!), trocar de obstetra, contratar uma enfermeira obstétrica para ficar conosco em casa monitorando os batimentos cardíacos do Davi e o andamento do parto, e ir para a maternidade encontrar o obstetra quando já estivesse com a dilatação bem avançada (mais ou menos 8 cm). Mas a natureza tem seus planos...

No sábado (dia 26/07/14), a Adri estava com 37 semanas e 6 dias, e sentiu que tinha algo diferente. Sentia uma “dorzinha no pé da barriga”, parecida com cólicas, mas ainda nada parecido com contrações. Ela e a família foram à Missa, depois saíram pra comer um cachorro-quente, foram pra casa e deitaram cedo pra dormir.

À 1:30h da manhã ela acordou com a mesma dorzinha na barriga, e achou que fosse vontade de ir ao banheiro. Levantou, foi ao banheiro, mas nada. Voltou a deitar, e achou que fosse culpa do cachorro-quente (RS!). Mas as coliquinhas foram aumentando, ficando mais frequentes, até que às 2:25h ela não conseguiu mais ficar na cama e levantou pra me ligar. “Mari, eu ACHO que estou em trabalho de parto, porque estou tendo umas contrações bem seguidas!”. Perguntei sobre o intervalo e a duração, mas ela não soube me dizer. Então orientei ela a ligar pra Honielly (enfermeira obstétrica) e depois me ligasse novamente, pra eu saber se deveria ir pra casa dela ou se encontraria ela direto no hospital.

A Honi pediu pra que ela fosse para o chuveiro e monitorasse as contrações por meia hora e ligasse novamente. O Adriano anotava, e ela falava quando elas começavam e paravam. Nessa hora, a Adri lembrou que não havia preparado a mala pra maternidade ainda! Entre uma contração e outra, foi explicando pro Adriano o que era pra pegar. Mas um tempinho depois ela já não conseguia mais pensar em nada, a não ser nas contrações e na dor nas costas que estava sentindo! (ela teve algumas crises de lombalgia durante a gestação, e quando as contrações apertaram, ela sentiu novamente).

Antes que a meia hora que a Honi pediu passasse, a bolsa rompeu, e a contrações ficaram bem mais intensas. O Adriano ligou pra mim e pra Honi avisando às 3:07h. Eu já havia deixado minhas coisas prontas, então só me vesti e saí de casa. Como moro muito perto da casa deles, cheguei bem rápido, às 3:20h. O Adriano desceu abrir o portão pra mim, e me recebeu dizendo: “acho que não vai precisar da bola, ela está falando que vai nascer...” (assim, com essa calma!).

Larguei minha bolsa e minha bola na sala e subi as escadas correndo. Ela estava no chuveiro, com aquela respiração que só conhece quem já acompanhou uma mulher dando à luz! A Adri me disse: “Mari, estou sentindo ele aqui embaixo!”. Pedi licença pra olhar, me abaixei, e vi cabelinhos! Não daria pra ir pro hospital meeeeesmo, ia nascer em casa, embaixo do chuveiro. =D Perguntei pro Adriano se a Honielly já estava vindo, ele disse que sim. Então avisei ele: “Adri, o Davi vai nascer aqui, tá?”

Veio uma contração, a Adri disse que sentia vontade de empurrar, e eu disse a ela que tudo bem, que ele podia nascer. Fiquei abaixada ao lado dela, veio mais uma contração, ela empurrou, e ele nasceu! Inteirinho numa contração só, com o cordão enroladinho no pescoço. Coradinho, lindo, chorando... às 3:25h, com 2.970Kg, apgar 10/10 (apgar conferido pela parteira! Rs!). Com exatas 38 semanas, e trabalho de parto ativo de menos de 2 horas.

Desenrolei o cordão dele e entreguei ele no colo da Adri. Ela não cabia em si, de tanta alegria! Parecia ainda não acreditar que JÁ tinha nascido! Estava em êxtase... O Adriano também não acreditava ainda (no fundo, confesso... nem eu!). Ele me perguntou: “Mari, o que eu faço?” Eu respondi: “nada! Olha só... ele está bem, a Adri também... vai lá tirar uma foto!”. Ele foi, mas as mãos quase não obedeciam! Rs!


Liguei pra Honielly às 3:27h contando pra ela que tinha acabado de nascer! Ela já estava vindo, e eu disse que ele  já estava chorando, estava tudo bem com os dois, o sangramento estava normal, e que ela podia descer do carro trazendo as caixas de material de parto (ela quase não acreditou também!!!)
Nessa hora chegou a irmã da Adriana, que eles haviam chamado pra ficar com o Lucas enquanto íamos pro hospital. Quando ela entrou em casa e ouviu um choro de bebê, pensou: “esse choro não é do Lucas!!!!”. Quando subiu, já viu a Adri com o Davi no colo!


Ajudamos a Adri a se deitar no sofá, cobrimos ela e o Davi, e ele já foi pro seio! Quando a Honi chegou, alguns minutos depois, a placenta já estava saindo. O casal decidiu ficar em casa mesmo, já que a Honi tinha consigo (por acaso!!) todo o material que seria necessário. O Adriano cortou o cordão umbilical, a Honi suturou uma pequena laceração de grau 2 no períneo e deu ocitocina intramuscular pra Adri, pesou e mediu o Davi, e pronto!


Depois que a Adrenalina acalmou (rs!), eu e a Honi fomos olhar as anotações que o Adriano fez das contrações. Quando ele começou a anotar, ela JÁ ESTAVA com 5 contrações a cada 10 minutos! Ou seja, ela já estava quase parindo! E depois ela me contou que nessa hora ela já sentia vontade de empurrar, mas não achou que JÁ estivesse na hora! Eles não chegaram a nos falar que as contrações estavam já nesse ritmo, acho que não acreditaram que estivesse evoluindo tão rápido.


Enfim... a Adriana queria um parto natural. E assim foi! Ela soube exatamente o que precisava fazer para ajudar seu filho a nascer... ouviu o seu corpo! E acreditou que conseguiria. Você é uma guerreira, minha amiga! Deus te fez uma mulher forte, você sabe disso. Agora, ainda mais... Nunca duvide de que você é capaz!

Adriano, amigo... “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Pv. 16:9). É assim, não é? Era assim que tinha que ser. Parabéns por, mais uma vez, ser o apoio que sua esposa precisava. E por confiar que ela era capaz, e saberia o que fazer!

Queridos amigos, vocês são um presente de Deus na minha vida! Juntos já vivemos muitas coisas lindas, mas certamente o nascimento do Davi é um momento que vou recordar pelo resto da minha vida! Que Deus os abençoe e lhes dê amor e sabedoria para essa nova jornada, que é ser pais de dois!



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Relato do nascimento do João Victor - parto natural domiciliar em Cascavel-PR

A Scheila sempre imaginou que ia fazer uma cesárea quando fosse ter um filho. Até ouvir histórias de partos naturais, que foram aos poucos mudando seus conceitos. Somos amigas desde 2003, e desde que me tornei doula (em 2010) sempre contei como aconteciam os partos que eu acompanhava, e ela foi se apaixonando. Quando ela engravidou, tinha certeza de que queria um parto natural. Começou a participar do GestaCascavel, apoiada pelo seu marido Nilson, que a incentivou e comprou a ideia junto com ela. Durante a gestação conversamos muito, falamos sobre o medo do parto, até que ele foi desaparecendo. Já com 8 meses, eles conheceram a enfermeira obstetra Honielly, e decidiram que o parto seria domiciliar.

Nas últimas semanas, bateu a ansiedade. Com 37 semanas ela já sentia bastante o peso na lombar, teve uma infecção no ouvido e uma crise alérgica muito forte, e sentiu vontade de desistir do parto. Pra que esperar mais??? Nessa hora, valeu muito o apoio das pessoas que estavam em volta. O marido, a mãe, o padrasto... todos lembraram-na do quanto ela havia se preparado para o parto, e do quanto ela queria que a hora do João fosse respeitada. Vale a pena esperar... Sim, vamos esperar!!

Com 39 semanas e 4 dias, às 20:20h da noite do dia 21/01/14, recebi a ligação tão esperada: a bolsa havia rompido!!!! =D As contrações ainda não haviam começado, então orientei ela a jantar, tomar um banho bem quentinho e ir deitar cedo, pra descansar, pois a qualquer momento o trabalho de parto iniciaria. Avisamos a Honielly, eu fui deitar, e disse que ela poderia me chamar assim que sentisse que precisava de ajuda. Mas quem disse que ela conseguiu dormir??? Rs! As contrações começaram por volta da 1:00h, ainda como cólicas, mas já desconfortáveis. Quando ela me ligou novamente eram 5:17am, ela ainda não tinha conseguido dormir. 


Cheguei junto com a Honi lá, as contrações ainda estavam espaçadas (a cada 4 minutos), e ela quis que fosse feito um toque: 3 cm de dilatação. Então, orientamos ela a se deitar e apagar a luz, pra tentar cochilar um pouco nos intervalos. O marido dela ficou com ela no quarto, e eu, a mãe dela, a Honi e a Heni fomos pra sala dormir (no sofá, coisa linda de ver! Rs!).

As contrações deram uma espaçada, o que foi ótimo, pois assim ela conseguiu descansar um pouco. Perto das 8h da manhã a mãe dela levantou pra fazer um café, eu fui comprar pão, e quando voltei, percebi que a Scheila estava novamente respirando mais forte durante as contrações, que tinham ritmado novamente. Fui no quarto, ela já estava sentada, dizendo que ficar deitada já estava ruim. Fomos pra mesa tomar um café da manhã, ela comeu, conversou, e se mostrava muito tranquila durante todo o tempo. Estava realmente feliz por estar em trabalho de parto... afinal, as contrações tão esperadas estavam acontecendo! Fomos sentar no quintal, ela ganhou massagem na lombar, curtiu o sol (que estava maravilhoso), e as contrações vinham suaves.

A Honielly fez um novo toque às 9h da manhã, e constatou que já havia 6 cm de dilatação no colo uterino. Porém... não sentia a fontanela posterior do João Victor (a “moleirinha”), sentia a testa, os olhos e o nariz! (aliás, nesse exame de toque, quando passou o dedo perto da boca do João ele MORDEU o dedo dela! Rs! Dá pra acreditar??). Significava que ele estava encaixado em uma posição não muito favorável para o nascimento, o que poderia prolongar muuuuito o trabalho de parto, ou até mesmo se tornar uma indicação de cesárea. Nesse primeiro momento, a Honi não quis assustar a Scheila, só falou pra ela que precisaríamos ajudar o João com algumas manobras, que facilitariam o encaixe e a descida dele. E assim fizemos.

Existem algumas manobras que auxiliam o bebê a “desencaixar” da pelve, o que abre uma possibilidade para que ele, ao encaixar novamente, o faça da maneira correta. Pra isso, a Scheila precisaria ficar uma hora em uma posição parecida com a de quatro apoios, mas com o peito encostado na cama, para que o quadril ficasse mais alto que o corpo, enquanto alternávamos movimentos no quadril nos intervalos entre as contrações. Se tudo desse certo, nas duas horas seguinte à manobra o João tentaria se encaixar novamente, agora do jeito certo.

Explicamos pra ela, ela concordou, e durante essa uma hora sentiu MESMO vontade de desistir, de não fazer mais manobra nenhuma. A posição não era a que ela queria naquele momento, mas ela fez um esforço graaaaaande pra conseguir ficar uma hora inteira. Quando terminamos a manobra já era quase uma hora, a Honi fez outro toque, e a dilatação e a apresentação do bebê continuavam iguais.

Nessa hora sentimos que o clima ficou tenso. Embora a apresentação de face seja muuuuuito rara (1 em cada 600 a 1200 nascimentos!), na semana anterior já tínhamos acompanhado outro caso semelhante, que acabou evoluindo pra uma cesárea. A Scheila conhecia a história da outra gestante, e sentiu tudo estava indo por água abaixo! Ela comeu alguma coisa e foi pro chuveiro, pediu pra ficar sozinha, e chorou. Depois ela me contou que viu um filme passar pela cabeça dela nessa hora... quantos planos já havia feito na vida, e sempre eles acabavam de um jeito diferente do que ela havia planejado!! Será que, MAIS UMA VEZ, ela ia sonhar com alguma coisa, e ia ter que se conformar com algo diferente??? (E, pra mim, foi nessa hora que o milagre aconteceu, hoje vejo isso!). Quando saiu do banho, com aquela expressão de desânimo, olhei bem firme nos olhos dela e disse que o caso dela era diferente: a apresentação o João estava folgada, ou seja, ele ainda tinha alguma chance pra tentar encaixar certinho (no outro caso, durante o exame de toque, a Honi sentia que o bebê não se movia nada durante a contração, e que era muuuito difícil tentar desencaixá-lo).

A Honielly sugeriu que fôssemos fazer um ultrassom, pra verificar exatamente qual era a variedade de apresentação do João, pra poder tentar alguma manobra diferente. Mas já avisou a Scheila que levasse as coisas dela e do bebê, porque, dependendo do resultado do exame, talvez já ficássemos no hospital. Lembro bem daquela hora... a Scheila entre uma contração e outra alternava roupinhas e lágrimas, e eu com o coração na mão, desejando poder fazer alguma coisa pra ajudar a resolver aquela situação... Enquanto íamos pro carro, a Scheila comentou algo sobre ter sentido vontade de empurrar durante a contração, mas ignorou, pois o último toque havia mostrado 6 cm, não era possível que já fossem puxos. Mas a vontade continuou no carro... as contrações haviam espaçado novamente com toda aquela adrenalina, mas continuavam bem intensas.

Chegamos na clínica às 14h. O obstetra dela havia chegado junto conosco e passou ela na frente das outras clientes. Antes mesmo de fazer o ultrassom resolveu fazer um exame de toque, e constatou: 8cm, e João encaixado!!!!! Nem foi preciso fazer o ultrassom. Mais uma vez ela chorou, mas agora por não acreditar no que estava acontecendo. Saímos de lá em festa! Além de poder voltar pra casa, agora ela já estava chegando perto... faltava só mais um pouco!!

Quando chegamos na casa dela, ela já sentia calor. Trocou as blusas de lã por um vestidinho de verão, colocamos umas músicas que ela gostava de colocar pro João ouvir durante a gestação (músicas de ninar da Aline Barros), e ela e o Nilson não desgrudaram mais. Namoraram, dançaram abraçadinhos, se olharam nos olhos... e as contrações voltaram a todo vapor! A avó paterna também chegou, e ficou junto com a outra vovó na cozinha, aguardando a hora do João chegar!


Enquanto a Honi e a Heni preparavam no quarto todo o material para o parto (umas 579 caixas de coisas! Rs!), a Scheila já sentia os puxos e tentava encontrar a melhor posição. Ficou um pouco em pé, tentou sentar na banqueta de parto, mas gostou mesmo da posição de quatro apoios em cima da cama. Ali no quarto deles, no ninho deles. Agora já não tinha mais medo, nem preocupações, nem nada: chegou no estágio de ACEITAÇÃO. As contrações doíam, mas ela as desejava cada vez mais, porque estava chegando a hora de conhecer o seu pequeno! “Vêm, filho... ”. As contrações vinham poderosas, com aquela força incontrolável, como ela nunca havia experimentado. E ela se entregou. Respirou fundo, apertou a mão do marido, da doula e de quem apareceu por perto!! Rs! E gritou. GRITOU. Não de desespero. Nem de dor. Eram gritos de libertação!!! Enfim, ia acontecer!!! Não, seus planos não iam dar errado de novo!! Estava chegando a hora!! Depois ela me contou que a cada grito que dava, sentia um alívio, parece que precisava daquilo!

Quando, enfim, vimos o João coroar, a Heni correu na cozinha e chamou as duas vovós, que entraram no quarto tão quietinhas que a Scheila nem percebeu sua presença (aliás, nessa hora, ela já estava na partolândia: estava tão concentrada em si mesma e no nascimento que nada que viesse de fora poderia fazê-la se distrair). Mais algumas contrações, e saiu a cabecinha... ele girou sozinho... ambiente tranquilo, ninguém com pressa, TODOS esperando que ela e o bebê fizessem aquilo sozinhos, como sua natureza mandava que acontecesse!

Até que a próxima contração viesse, expliquei pras vovós que ele não tinha risco de ficar sufocado, pois continuava recebendo oxigenação pelo cordão umbilical (porque vi a cara de preocupação delas com aquela cabecinha pra fora! Rs!)

Na próxima contração, ele escorregou para as mãos da Honi, logo ficou coradinho e chorou. Foi colocado no colo da Scheila, e de lá não saiu por um bom tempo. Nasceu às 16:15h do dia 22/07/14, com 3.380g, apgar 10/10. 

Nessa mesma hora também nasceu um pai. E uma mãe, que agora é uma nova mulher, que não tem mais medo de planejar, e acredita que seus sonhos podem se tornar realidade. E também aprendeu que, na maternidade, não dá pra controlarmos tudo... é preciso saber respeitar o tempo da criança, em todos os sentidos. Tempo para estar pronto pra nascer, tempo para depender exclusivamente da mãe, tempo para adormecer no colo, tempo para precisar de atenção integral... e assim por diante, pela vida toda!

O papai Nilson cortou o cordão. A Scheila amamentou o João na primeira meia hora.  Depois que ele adormeceu ela se levantou, foi tomar banho, e depois ganhou um café da tarde servido pelo marido na cama. Nem parecia que tinha acabado de parir.
A placenta demoroooooou pra sair (só pra deixar a parteira ligadona! rs!), aguardamos 3 horas até que ela saísse. A Scheila não tinha sangramento nenhum, o que nos permitiu aguardar o tempo que fosse necessário até a dequitação.

Houve uma laceração de grau 2 no períneo, a Honi suturou com alguns poucos pontinhos, e tudo certo. O ambiente da casa era de festa, e só saímos de lá às 9:30h da noite, depois do jantar preparado pela vovó Rosângela.


Scheila e Nilson... não sei nem expressar aqui em palavras o que vivi nesse dia. Presenciar esse momento tão maravilhoso da vida de vocês me fez amá-los ainda mais, e admirar ainda mais essa cumplicidade que vocês têm. Que Deus os abençoe em cada passo dessa deliciosa jornada que é a paternidade... e que o coração de vocês continue sempre impregnado das lembranças maravilhosas que o nascimento do João deixou! =D

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Relato do Nascimento do Samuel (Mayara e Leandro, 08/07/14)

Bebês demoram 40 semanas para nascerem, certo? Nem sempre!!

O Samuel provou isso. A mamãe Mayara e o papai Leandro desde sempre tinham no coração o desejo de respeitar o tempo do seu bebê, permitir que ele avisasse a hora que estava pronto para nascer. E assim foi.
Ainda lembro o dia que eu estava no mercado e recebi uma ligação emocionada do casal, contando que estavam grávidos. Que alegria!!  Eu e meu marido conhecemos a Mayara e o Leandro quando ainda nem namoravam, vimos eles ficarem noivos, testemunhamos seu casamento... e quando soubemos da gravidez, comemoramos e choramos com eles.

A Mayara sempre quis ter um parto normal, e sabia que, pra conseguir isso, precisava buscar informação. Participou de (quase) todos os encontros do GestaCascavel que aconteceram durante sua gestação (na verdade, ela começou a ir quando ainda era tentante! Rs!). Estava sentindo-se preparada.

A gestação foi tranqüila, as semanas se passaram, até que, quando ela estava com 37 semanas, começou a sentir pródromos (contrações irregulares que começam e param, ainda não são trabalho de parto). A ansiedade era inevitável... O Samuel já estava com 3 Kg nessa época, e chegamos a pensar que ele nasceria antes das 40 semanas mesmo. Mas as contrações não ritmaram, não era a hora ainda. A partir disso, cada dia que se passava deixava a expectativa: será que é hoje? Ela já estava sentindo bastante desconforto nas costas, no púbis (teve uma pubalgia), nos punhos (teve síndrome do túnel do carpo), já não conseguia dormir direito à noite... e chegou a duvidar se conseguiria manter a calma até que o Samuel quisesse nascer. Conforme a barriga foi ficando maior, os questionamentos das pessoas ficaram mais intensos: “ meu Deus, esse menino tá enorme! Quando é que vai nascer???”

Começou aí a experiência de superação.  Aquela Mayara, que se reconhecia ansiosa, foi aprendendo a esperar. Se afastou do trabalho, porque estava ficando difícil, e se viu obrigada a aprender a não fazer nada. Acalmar o ritmo. A mulher ativa e trabalhadora, que desde sempre foi independente e dona do próprio nariz, precisou ficar em casa, dedicar-se à preparar o ninho pro seu filhote. A cada dia, repetia pro Samuel que ele poderia nascer quando estivesse pronto, que ela respeitaria o tempo dele, e que mesmo querendo conhecê-lo logo, ela havia decidido ESPERAR. Decidiu não ter o controle sobre a situação. Quando passou das  40 semanas, teve que reafirmar isso várias vezes, todo dia, toda hora, pra não desistir. E não foi uma tarefa fácil. Mas foi assim que a Mayara conquistou o que precisava para tornar-se Mãe: entender que o respeito pelo seu pequeno grande Samuel era mais importante que a opinião dos outros, ou que a sua própria vontade.

E a gestação alcançou as 41 semanas. Mais um dia. Mais dois...

O TRABALHO DE PARTO

No dia 06/07, conversamos muuuuuito por mensagens. A Mayara me escreveu que entendia porque precisava esperar tanto. Deus estava trabalhando o coração dela, e tudo isso tinha transformado o seu jeito de ser. Ela estava tranqüila, e sentia-se pronta. Ainda brinquei com ela: “ Samuel, agora vc pode nascer! Vêm, bebê!”

Na madrugada do dia 07/07/14, com 41 semanas e 2 dias, às 4:21h, recebi a ligação mais esperada das últimas semanas. “Mari, estou tendo contrações faz mais de uma hora!! Estão bem espaçadas ainda, só liguei pra avisar”. Combinamos que, se tudo continuasse como estava, ela tentaria descansar, de manhã tomaria um café bem reforçado e conversaríamos novamente. E o dia todo foi assim. Contrações suaves, de 5 em 5 minutos.  À tarde, as contrações ficaram um pouco mais intensas, e às 4:30h ela me ligou pedindo  pra ir ficar com ela em casa.

Cheguei lá junto com a enfermeira obstetra Honielly, que o casal contratou pra assistir o nascimento. No primeiro toque, às 18:00h, ela tinha 2 cm de dilatação do colo do útero. O casal estava feliz demais. A Mayara era só sorrisos, afinal, depois de tanta espera, FINALMENTE, estava chegando a hora. Todo mundo estava tranquilo aguardando que o trabalho de parto ativo iniciasse (até a fotógrafa Kelly Donato, que estreou seu trabalho como fotógrafa de partos!), e o Leandro “profetizou”: vai ser às 20h! E assim foi: as contrações ritmaram (3 a cada 10 minutos) às 20:00h, exatamente. =D







 O trabalho de parto foi inesquecível. Um ambiente completamente relaxado, pouca luz, musiquinhas da preferência da gestante tocando, massagens na lombar, movimentos na bola, bolsa de água quente nas costas, muito amor e carinho pra esperar o Samuel...

Às 21:30h chegou a nossa janta (comida chinesa). Quase morremos de rir da Mayara, apurando pra engolir tudo rapidinho entre uma contração e outra (elas vinham a cada 3 minutos!). Quando vinha a contração ela levantava da cadeira, respirava, rebolava, e depois voltava a comer. =D Tranquilo assim, completamente dona da situação. Alternando entre chuveiro, bola, fotos, caminhada, conversas, risadas, histórias, mais fotos...
Meia noite a Honi fez outro toque, e constatou 5 cm. Disse que, ao tocar, sentia só a bolsa, que a cabeça do Samuel não estava pressionando o colo para forçar a dilatação. Isso porque a May tinha bastaaaante líquido (por isso o barrigão, né, May?), e que se a bolsa rompesse expontaneamente, as coisas andariam mais rápido. Eu e a Honi fomos pra sala e deixamos o casal no quarto pra que tentassem descansar um pouco (sim, dá pra cochilar entre uma contração e outra! rs!). A cama ficou desconfortável, e a May quis ir sentar na bola. O Leandro atrás dela amparando as suas costas, e rezando pra que a bolsa rompesse. Às 2:30h, ploft!! Ela rompeu (segundo o Leandro, saíram uns 3 litros de líquido amniótico! Hehehe!). Nova ausculta, coraçãozinho do Samuel ok, contrações agora vindo mais intensas, e todos com ânimo renovado! “Mayara, está pronta?” “Sim, Mari! Estou. E não tenho medo de nada!”.

Fomos pra cozinha, o Leandro passou um café, serviu umas bolachinhas e eu fiz um brigadeiro feito de chocolate meio amargo (que, cá entre nós, foi o melhor que já fiz! Hehe!).  E a madrugada foi chegando. 

3:30h a parteira e o marido foram (tentar) descansar um pouquinho, ficamos eu e a May na sala. Aquele momento, pra mim, vai ficar guardado pra sempre. A May sentia as contrações ficando mais intensas, e chorava de alegria dizendo “Mari, eu esperei tanto por esse momento, que parecia que ele não ia chegar nunca! E agora está acontecendo!”... Disse pra ela que ela tinha tudo o que precisava pra suportar tudo. Que a força estava dentro dela... Ouvimos Rosa Saragoza (Sabemos parir - https://www.youtube.com/watch?v=jC8lqAwBycs), choramos, sorrimos... sentimos que tudo estava caminhando como deveria ser! Deus estava cuidando de todos os detalhes, conforme havia prometido.

5:00h a Honi veio fazer um novo toque, constatou 8 cm de dilatação, mas sentiu que alguma coisa estava diferente. Ao tocar, não sentia as fontanelas do Samuel (a “moleira”). Sentia alguma outra parte da cabeça, que ainda não tinha conseguido identificar exatamente. Conversamos com a Mayara, e sugerimos ir para o hospital, pra então avaliar novamente e, se fosse o caso de variedade de posição mesmo, tentarmos algumas manobras para reposicionar.

A CHEGADA NO HOSPITAL

Chegamos às 6:00h, a Honi avaliou novamente, o obstetra também avaliou, e confirmou que a cabeça do Samuel estava “defletida” (não-fletida). Ou seja, no momento que a bolsa rompeu, ele desceu e não encaixou a cabeça como deveria, ele estava encaixado “de face”.  Na imagem abaixo, dá pra entender melhor:

A apresentação “A” é a posição mais comum, quando a cabeça do bebê está fletida. É mais fácil pro bebê sair quando a fontanela posterior está encaixadinha, pois o diâmetro da cabeça é menor assim. A Posição “B” é deflexão de 1 grau (ou bregmática), ou seja, quando se sente a fontanela anterior ao exame de toque, o que não inviabiliza o parto normal, apesar de o período expulsivo poder ser um pouco mais demorado.

O caso do Samuel foi algo entre a letra “D”, uma deflexão de 3 grau (ou de face), e “C” (de fronte). Nesse caso, o diâmetro pra passagem do bebê pela pelve tem que ser muito maior, então faz-se necessário uma atenção bem mais rigorosa e auxílio de manobras, ou mesmo o fórceps, e muitas vezes há a necessidade de cesárea mesmo. A incidência desta variedade de apresentação é de 1 a cada 600 a 1200 partos.

No caso do Samuel, como o batimento cardíaco dele sempre esteve ótimo, e a May estava muito bem também, optou-se por tentar algumas manobras para tentar corrigir o encaixe da cabeça. Posicionamos ela com o quadril mais alto que o tronco, fizemos algumas manobras, a Honi tentou ajudar com os dedos para que a cabeça de encaixasse, e o obstetra nos deu um prazo até as 11:30h. Ele voltou para avaliá-la, e concluiu que iríamos mesmo para a cesárea, já que a apresentação permanecia igual.

Claro que, na hora que o médico afirmou isso tão categoricamente, o casal chorou (nós também).  Era difícil aceitar que eles chegaram tão longe, venceram tantos medos, foram fortes contra tudo, superaram as contrações e o trabalho de parto, não se abateram em momento algum, e agora acabariam precisando de uma cesárea.

Mas sabedoria também é aprender com as dificuldades. Se eles estiveram sempre tão dispostos a respeitar o tempo do Samuel, era hora de respeitar a posição que ele estava. Da forma como ele se apresentou, não conseguiria sair sem ajuda, e era a hora de ajudá-lo. Eles aceitaram, e entenderam que a cirurgia era necessária. O Samuel nasceu bem, foi receber os primeiros cuidados pelo pediatra e logo foi levado pelo papai pra conhecer a mamãe. Ainda na sala de recuperação já mamou, e não desgrudou mais do colo da mamãe.

Alguém poderia pensar: “puxa, mas se ela passou por tudo isso, e acabou fazendo uma cesárea, não teria sido melhor já marcar a cirurgia de uma vez?”.

A Mayara sabe que não. Tudo foi perfeito. O Samuel estava pronto, estava acordado, participando do trabalho de parto, procurando um jeito de nascer! Deu todos os sinais de que sua hora havia chegado, e que estava pronto para respirar sozinho aqui fora. Teve tempo para amadurecer seu sistema nervoso, e seus pulmões amadureceram ainda mais durante o trabalho de parto. Recebeu toda a ocitocina que corria nas veias da mamãe, e estava inundado por ela quando nasceu, e pode se apaixonar facilmente por ela justamente por que teve seu processo respeitado. Além disso, permitiu ao papai e à mamãe viverem o momento mais intenso das suas vidas... passar juntos por um trabalho de parto! A cumplicidade que já existia entre os dois tornou-se sólida, e agora estão prontos para trilhar essa maravilhosa jornada que é a maternidade.

Eles têm consciência de tudo isso. Quando o obstetra determinou a cesárea, chorei ouvindo a Mayara dizer (ainda tendo contrações!): “eu não me arrependo de nada! Se tivessem me contado que seria assim, eu teria feito tudo de novo!”

Queridos... eu também teria feito tudo de novo! Só pra concluir, como vocês, que o Samuel nasceu de um parto humanizado!! Tão humanizado, que respeitou seu tempo e sua maneira de nascer.  Serei eternamente grata por poder vivenciar esse momento tão maravilhoso, que deixou marcas positivas em mim! =D

Deus continue os abençoando sempre... o Samuel vai crescer sabendo que o caminho que os pais dele escolheram é o de um Deus que nos ama e está sempre presente em todos os detalhes!

Créditos das fotos: Kelly Donato Fotografias 
(https://www.facebook.com/Kellydonatofotografias?fref=photo)


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Existe vida após o parto!



Pinta-se a maternidade como um mundo cor-de-rosa, maravilhoso, no qual tudo são flores. Certo? Já teve essa impressão?

Ninguém nunca havia me falado sobre a existência de um período difícil após a chegada de um bebê quando estive grávida pela primeira vez. No pós-parto, vivi momentos que me fizeram sentir " menas mãe", como se eu fosse desequilibrada, ou algo assim. Eu sentia uma certa "tristeza", que não tinha razão pra acontecer! Afinal, o que acontecia comigo??? Eu quis taaaaaaaanto ser mãe, e agora, com minha pequena nos braços, me via com crises de choro, sem vontade de receber visitas às vezes, sem paciência...

O que acontece??? Vamos conversar a respeito!

O puerpério é o nome dado à fase que experimentamos após o parto. Ele se estende até quando voltarmos a menstruar e ovular, o que pode levar, em média, 6 a 8 meses.

Em especial nos primeiros 40 dias, passamos por algumas modificações hormonais intensas em nosso corpo. Eu diria que a mais intensa de nossas vidas. E isso tudo culmina em alterações de humor, irritabilidade, vontade de chorar, indisposição... Eu costumo brincar que é como se juntássemos toda a TPM que economizamos durante a gestação. O resultado, algumas vezes, é percebido com bastante intensidade!

Some-se à isso noites mal dormidas, dificuldades para entender exatamente o que aquele serzinho tão pequeno está precisando, líquidos saindo por todos os lados... e têm-se a sensação de que nunca mais nossa vida voltará a ser a mesma.

O que fazer?

Primeiro, CALMA!! Tudo isso estava dentro do previsto, acredite. Lembre-se que é uma questão de tempo e que, em breve, seus hormônios estarão novamente equilibrados, prontos pra funcionar como sempre.

Permita-se chorar, quando essa for a necessidade! Por que não? Isso não significa que você não esteja feliz por ser mãe. Significa que está passando por uma fase de adaptação intensa e, como qualquer outra, tem suas dificuldades. Pra ganharmos alguma coisa, precisamos perder outra, e essas pequenas "perdas" somadas podem nos abalar SIM!

Quando estiver precisando dormir, ou ficar um pouco sozinha, ou tomar um banho tranquilo de 15 minutos sem se preocupar se o bebê vai chorar... peça ajuda! Algumas vezes queremos mostrar que conseguimos, que damos conta, afinal, nos preparamos pra isso! Mas qual o problema em dizer que precisa de ajuda?

Se informe!! Com uma googleada usando "baby blues", você descobre que não é a única a passar por tudo isso. Recomendo o livro da Laura Gutman "A maternidade e o encontro com a própria sombra", cuja leitura é imprescindível para qualquer mãe (e pai!) que deseja relacionar-se de forma mais segura e tranquila com seu bebê. Acho até que deveria vir junto com o bebê, serve como manual! Rs! Mais um texto que aborda o assunto, nesse link.

Vale lembrar que essas alterações, em geral, não significam que você esteja com depressão pós-parto. Contudo, se esses sintomas se estenderem por muito tempo (2 meses ou mais), é hora de buscar ajuda profissional.

Quando tudo passa, conseguimos perceber que, afinal, nem foi assim tãããão ruim... E, um dia, você descobre que a vida não volta a ser a mesma depois dos filhos. Ela fica melhor!!

Você já passou por isso? Partilhe conosco sua experiência!

Marieli
Fisioterapeuta e Doula
Mãe de duas

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Para os maridos que tem medo do parto domiciliar

Hoje deixo pra vocês um texto indicado por uma amiga/doulanda, a Karine.

Recomendo a sua leitura por todos os maridos que têm medo do parto domiciliar...
Ele foi escrito por um pai que também sentiu essa mesma preocupação, se informou, estudou, e não se arrepende de ter vivido assim a maior experiência de sua vida!

Boa leitura!!
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Nascimento de Miguel

Como minha mulher teve sua vida mudada e rota alterada depois do nascimento de nosso filho onde ela se tornou bem mais que uma ativista da bandeira do parto natural gostaria de relatar aqui minha experiência como homem que vivenciou um parto domiciliar construído passo a passo, com informações concisas, pontuais e assertivas que garantiram o nascimento dentro do melhor espaço possível no mundo: sua própria e futura casa. Bom, pelo menos será isto que pretendo esclarecer aqui a partir de agora.

Desde a notícia da gravidez estive presente aos exames mensais, mesmo morando em BH e ela em SP, onde ocorreram os exames até lá pelo oitavo mês de gravidez (não sou bom de semanas) quando literalmente nossa ficha caiu e vimos que aquele médico era apenas um “cesarista travestido de normalista”, me desculpem o trocadilho infame e resolvemos silenciosamente que o parto ocorreria em BH, apenas isto até aquele momento.

Mas aí veio uma segunda avalanche de informações visto que não havíamos gostado, naquela época, das opções fora do circuito da “vida da cesárea”. E num primeiro momento pensar em parto domiciliar me pareceu a maior loucura, insanidade e tudo mais, afinal, ‘abrir mão da tecnologia e dos recursos da moderna medicina diante de qualquer eventualidade era temeroso’. Este foi um comentário de um amigo bem próximo que inclusive trabalhava num hospital à época. Mas tenho absoluta certeza que ele não havia buscado a gama de informações que buscamos e principalmente, não havia lido minha obra favorita nesta seara: Nascer Sorrindo, do francês Frederick Leboyer.
No meu entendimento a decisão em apoiar incondicionalmente a escolha pelo parto domiciliar veio com a leitura deste livro. Da clareza, sutileza, delicadeza e riqueza de informações sintetizadas em poucas páginas de extrema sabedoria, tive a certeza de saber o chão que pisava, de estar por fazer uma escolha consciente e bem lastreada e que aquilo não seria uma aventura hippie. Bem mais, seria nosso 1º ato enorme de amor e respeito àquele serzinho lindo que chegava ao mundo.

Sempre que encontro com algum casal grávido vivenciando as enormes dúvidas, questionando seus médicos e seus procedimentos impositivos eu indico a leitura deste livro, principalmente ao futuro pai. A questão do nascer dentro do tempo certo, como se colhe uma fruta madura, do não ter outra opção a não ser nascer (claro, com exames e acompanhamentos que indicam a naturalidade deste procedimento), de ser acolhido por uma mulher selvagem irradiando uma beleza, uma firmeza, uma adrenalina e uma ocitocina pra lá de natural é daqueles prêmios que só quem vivenciou pode saber e entender. Esta foto acima foi tirada por mim neste exato momento citado.Espero que cada vez mais homens venham a buscar este conhecimento e vivenciem esta adorável aventura a dois. Ah, quanto a esta mulher selvagem a que acabei de me referir, recomendo a leitura de outro grande livro: Mulheres que correm com lobos, de Clarissa Pinkola Estes. Mas este já será assunto para outro post.

Pra fechar nem preciso dizer que sempre morri de medo de hospitais, de tanta gente de branco trançando pra todo lado, aquele cheiro de éter no ar e principalmente dos médicos, desde que a turma da medicina da UFMG adotou um slogan que plagiava um outro dos anos 80, o famosíssimo “Eu acredito em Duendes”. Bom, o deles era “Eu acredito em doentes”. Como eu sempre preferi a vida saudável passei a fugir deles como o diabo foge da cruz. Claro, existem bons e necessários médicos mundo afora, graças a Deus. Mas estes que cultuam a doença, estou fora.

Mas voltando ao nascer sorridente e feliz em casa eu sei que foi a experiência mais forte de minha vida, com toda certeza. Ver aquele serzinho ainda ligado ao cordão umbilical ser colocado no colo de uma mãe já deitada e vê-lo subir meio que engatinhando rumo ao bico do seio e encaixar sua boca de forma tão natural, sem falas de ninguém, sem indicações e roteiros a seguir, por puro instinto natural. O maior presente pra um pai que optou por estar literalmente ao lado em todo o processo, e da cintura pra cima na hora do ato, sabendo que este fora o único ato que perdera: a passagem pelo canal vaginal. O que considero uma perda formidável que tive, afinal, certas intimidades precisam e devem ser preservadas. Pelo menos pra mim.

E deste meu ângulo ao lado vivenciei a mais forte de minhas emoções.
Parabéns à mãe Kalu e a todas as corajosas mães aqui homenageadas nesta semana, por nos ajudarem a perder este medo.

Fonte:
http://vilamamifera.com/osmamiferos/como-perdi-o-medo-do-parto-domiciliar/

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A maternidade e a Volta ao Trabalho

Essa semana conversava com uma grande amiga minha que está vivendo um conflito comum a muitas mulheres modernas: o desafio de conciliar a maternidade e a volta à vida profissional. Já perdi as contas de quantas vezes esse foi o assunto de conversas com outras amigas que também passaram pela mesma situação... e eu mesma já vivi (e vivo!) a experiência na pele com as minhas duas filhas. Escrevo hoje para responder a essa amiga, que passa por um momento de decisão sobre sua carreira profissional, e pediu abertamente minha opinião a respeito.

Minha intenção ao escrever sobre o assunto não é dizer o que está certo ou errado. Longe disso. Só pretendo instigar as mães (e as que estão planejando!) a refletirem com muito carinho sobre o assunto, e não tomarem decisões iguais a todo mundo sem pensar seriamente. Ninguém é mais mãe ou menos mãe pelo fato de concordar ou discordar das minhas ideias, este texto reflete apenas minha OPINIÃO PESSOAL. Baseada nestes argumentos, tomei a decisão de deixar meu trabalho quando minhas filhas nasceram, e ficar com elas o tempo que eu senti que foi necessário para o seu desenvolvimento saudável. Acredito que fiz uma escolha bem pensada, depois de pesar os prós e os contras. Assumi as consequências da minha decisão, e hoje colho os frutos do que plantei. Pra mim, frutos doces e recompensadores.

Diferenças entre os gêneros

A mulher não é igual ao homem. Graças a Deus, a complementaridade entre os gêneros surge justamente das diferenças. Os bons estudos científicos apontam que até mesmo o funcionamento cerebral é diferente entre nós e eles. A mulher é muito mais sensitiva, usa mais o lado emocional do cérebro em tudo o que faz. Os relatos da pré-história já indicavam que era o homem que saia para caçar e pescar, enquanto a mulher se dedicava aos filhos e à agricultura. Só para exemplificar, é exatamente essa nossa sensibilidade apurada que nos torna capazes de perceber quando algo não anda bem só pelo olhar que o filho chegou em casa. Fomos desenhadas e criadas para sermos o Coração da casa. E que maravilha quando uma mulher assume com alegria esse papel! Os seus braços se tornam o refúgio, o lugar seguro pra onde os filhos e até o marido podem se aconchegar.

O homem foi projetado para ser a Cabeça da casa. Foi dotado de qualidades que o tornam forte para prover o sustento da casa e estar preparado para direcionar a família nos momentos de dificuldade. É capaz de agir mais racionalmente e focar um objetivo, uma meta, para a qual guiará seus passos. Se ele agisse guiado pelas emoções, como a mulher, certamente se fragilizaria com mais facilidade diante dos desafios que estão diariamente presentes na vida de qualquer família normal.

Como Mulher, não vejo essa diferença com maus olhos. Não nos torna inferiores nem merecedoras de menos respeito. Não somos melhores e nem piores. Acredito que é justamente aí que reside a complementaridade do casal. Precisamos um do outro, acrescentamos um ao outro, e isso é realmente maravilhoso e engrandecedor, se bem compreendido. Se cada um desempenhar bem o seu papel, pode-se alcançar o tão almejado equilíbrio familiar.

A “vocação” da mulher moderna

Nós fomos educadas de forma muito diferente que as nossas avós. Elas eram preparadas desde cedo para assumirem com carinho os cuidados com a casa e os filhos, e cresciam acreditando que encontrar um bom marido e com ele ter os seus filhos era sinônimo de realização plena. Felicidade certa.

Em algum momento da nossa história da humanidade (aqui não cabem todas as discussões acerca deste tema!), isso já não foi mais suficiente. A mulher precisava ser igual ao homem, em todos os sentidos. Precisava ter os mesmos direitos, e graças a Deus tivemos inúmeras conquistas nesse vasto campo da desigualdade de gêneros. E, para que a mulher fosse realmente “ igual” ao homem, ela também poderia (e deveria) estar inserida no mercado de trabalho tanto quanto ele.

Claro que nenhuma mudança se faz sem algumas perdas. Se, por um lado, foi muito bom para a mulher poder escolher uma profissão, estudar, contribuir com a renda familiar e seguir a carreira dos seus sonhos, por outro lado, a família tem padecido. Como bem explica o pediatra Dr. José Martins Filho, nossas crianças têm sido “terceirizadas”. Os primeiros anos da infância, aqueles que comprovadamente definem a personalidade que nossos filhos terão na vida adulta, tem sido entregues nas mãos de outros cuidadores.
Não tenho dúvidas que qualquer mãe que preze seu papel pensa muito bem antes de deixar seu filho com um desconhecido. Algumas vezes, essa é a única opção para que não falte o mínimo necessário para a sobrevivência. E tenho pra mim que essas mães guerreiras hão de receber uma recompensa proporcional d’Aquele que as designou para tal tarefa.

Novamente, não estou falando das mães que não tem outra opção. Quando não há outra possibilidade, quando o sustento da casa depende da contribuição financeira da mãe, infelizmente, é o que é possível. Não há que se discutir. E acredito que essas mães são tão mães quanto qualquer outra (ou talvez até melhores!).
O fato é que tenho visto muitas mães deixarem seus filhos pequenos (bebês de colo) para trabalhar sem pensar seriamente se isso é mesmo necessário. Se tornou tão comum ver escolinhas lotadas de bebês com 4 meses ou menos que nos parece seguro, inofensivo e até adequado. Se todo mundo faz, que mal tem que o meu bebê também fique na escolinha? (algumas vezes, o dia todo...)

Quanto mais nossa sociedade se modernizou, mais acreditamos que, para sermos felizes, precisamos ter dinheiro para consumir. Se eu não posso comprar, gastar, comprar o que é necessário (e o que não é também), então não sou uma pessoa bem sucedida na vida. Agora, a mulher também precisava trabalhar, sem deixar de lado suas outras tarefas (casa e filhos). Desde pequenas, ouvimos nossos pais nos dizerem que deveríamos estudar, trabalhar, ter uma carreira bem sucedida e uma conta bancária bem gorda, para não dependermos financeiramente do nosso cônjuge e não precisarmos ficar em casa cuidando da casa e dos filhos. Nos ensinaram que é assim que seríamos felizes (Ou foi só na minha casa???).

Aí é que nasce o problema. Nossa natureza continua sendo feminina. Quando a mulher precisa assumir o papel de ser Cabeça, junto com o marido, pode acontecer que deixemos esquecida parte da nossa essência feminina.  A preocupação com o sustento da casa e a necessidade de tornar-mo-nos “fortes” para enfrentar as dificuldades financeiras acabam forçando nossa sensibilidade a transformar-se em dureza, firmeza, fortaleza. Não raro aparecem as dores de cabeça, as cólicas menstruais, mastites...

A decisão de deixar o trabalho

Lembro até hoje de quando fui levada a pensar seriamente sobre esse assunto. A Fernanda, minha primeira filha, já tinha quase um aninho, eu havia deixado meus 2 empregos pra ficar com ela em casa, mas no fundo já estava inquieta por me sentir “ fracassada” profissionalmente. Ao mesmo tempo que meu coração de mãe pulava de alegria por estar com ela em casa, acompanhando cada nova conquista, quando alguém perguntava se eu estava trabalhando, eu dizia que não, e lá dentro a minha mulher do século XXI reclamava, dizendo que essa não era a vida que eu deveria estar levando. Eu queria ficar em casa, queria maternar, mas não estava em paz.

No casamento de um amigo encontrei a Juliana, que é uma amiga muito querida, uma mulher de Deus e uma mãe exemplar (pra mim!). Ela estava com seu caçulinha de 40 dias no colo, o Gabriel, e me contou que havia parado de trabalhar quando o seu filho mais velho nasceu e que iria ficar em casa com os meninos até que o mais novo completasse  4 anos.
Juliana e eu

Confesso que fiquei “chocada” na hora: 4 anos? Afinal, eu já estava há quase um ano em casa e estava achando que era grande coisa (já que todas as minhas amigas haviam voltado ao ritmo normal de trabalho pouco tempo depois de se tornarem mães). Mas sabe quando dá um “click”? Alguma coisa mudou dentro de mim, e comecei a me questionar: o que é mais importante?? Será que vai fazer tanta falta assim se eu não trabalhar?

Depois desse dia, passei a observar as histórias de outras mulheres que também haviam decidido dedicar-se à maternidade, e aos poucos aquela inquietação que eu tinha foi se esclarecendo. Essa virada dentro de mim me tranquilizou, me acalmou, e me fez repensar muita coisa. Senti que não deveria voltar ainda a trabalhar em tempo integral.

A volta ao trabalho

Quando a Fernanda tinha 1 ano e 4 meses me chamaram na UNIOESTE (havia participado de um processo seletivo para dar aulas para o curso de Fisioterapia), com uma carga horária que tomaria cerca de 20 horas semanais. Pensei, conversei com meu marido e senti que daria conta de conciliar essa quantidade de trabalho com o tempo que queria dedicar pra minha pequena. Organizei os horários das aulas pra que coincidissem em sua maioria com os horários das sonecas dela (no comecinho da manhã e após o almoço), e deu certo. Quando ela acordava eu era dela. Deixava todas as minhas aulas pra preparar à noite, depois que ela dormisse (e isso às vezes ia madrugada afora), pra poder sobrar mais tempo durante o dia. Fomos muito no quintal, lemos muitas historinhas, passeamos muito...

Quando resolvi que ela já estava pronta pra ir à escola (com 2 anos e meio), mudei novamente meus horários de trabalho para o período da tarde. Assim, as manhãs eram pra ela, à tarde ela ia pra escola e eu ia trabalhar (das 13:30 às 17:30h), e depois disso estávamos juntas novamente. Lembro que a professora dela comentou que, mesmo trabalhando há anos com a educação infantil, nunca tinha visto uma criança tão bem preparada para a escola. A adaptação foi ótima, e eu estava tranquila por ter dado o que ela precisava no momento certo.

Continuei trabalhando meio período, até que veio a Alice. Aqui cabe uma observação: quando a Fernanda nasceu, foi fácil largar dos 2 empregos, porque o que eu ganhava não era assim tão compensador, e acabaria dando só pra pagar uma escolinha pra deixar ela. Então, se era pra trabalhar só pra pagar a escola, era melhor eu mesma cuidar. Mas dessa vez foi diferente. Nessa época, meu emprego como professora era muito melhor financeiramente. A Alice nasceria no fim do meu contrato (que era por 2 anos), eu tive a oportunidade de me inscrever novamente para o teste seletivo, e certamente seria aprovada. Mas isso implicaria em retornar ao trabalho com um bebê de 2 meses em casa (o estado oferece os 6 meses de licença, mas como meu contrato era por prazo determinado, pra ser recontratada eu teria que abrir mão da licença). Não pensei duas vezes: simplesmente não me inscrevi para a prova.

Meu marido concordava comigo a respeito da minha maneira de educar a Fer, sobre o meu desejo de dedicar meu tempo e atenção pra ela, mas nessa hora o financeiro estava pesando mais. Ele tem um bom trabalho, graças a Deus, mas só com ele trabalhando, não daria pra guardarmos dinheiro para a entrada de um financiamento de uma casa. Nós já temos 6 anos de casados e ainda moramos em uma casa alugada, até hoje, porque decidimos que o melhor investimento seria eu ficar em casa com a Alice. Ele me apoiou mesmo com um pouco de receio no momento, mas hoje concorda que escolhemos o melhor caminho. Temos o resto da vida pra comprar uma casa, tenho o resto da vida pra trabalhar, mas os primeiros anos da vida das nossas pequenas não vão voltar.

Os bons estudos já mostraram que a personalidade da pessoa se forma até os 6-7 anos de idade. E justamente nessa idade, muitas pessoas acreditam que não há problema algum em deixá-las sob os cuidados de um terceiro, ou de uma escola, que não tem com a criança o mesmo vínculo que os pais. Não se trata simplesmente de encontrar alguém que alimente, dê banho e tome conta dos nossos filhos.

Fiquei em casa com a Alice, curti cada instante da maternidade, aproveitei pra ficar com a Fernanda durante a manhã também (ela estuda à tarde), e não me arrependo nem um pouquinho da decisão que tomei. E dessa vez, pra mim, estive em paz. Minha cabeça já era outra, e eu sabia que a melhor coisa a fazer neste momento era ser MÃE, com todas as letras. Acabei nem ganhando a licença maternidade, porque meu contrato encerrou assim que a Alice nasceu, mas nos organizamos em casa de forma que não fez falta. Passamos nós mesmos a fazer o serviço da casa, passei a acordar mais cedo pra lavar roupa, mas não dá pra descrever o sentimento de realização cada vez que estava com as meninas, dando o que de mais importante eu poderia dar pra elas: nem brinquedos novos, nem roupas caras, nem uma festinha de aniversário que me custaria um olho da cara. Estava dando EU MESMA.

Nesse ano eu avanço um passo nessa minha caminhada. A Alice está com 1 ano e 8 meses, e eu novamente vou voltar a dar aulas, um período por dia. Acredito que vá conseguir organizar meus horários na faculdade no início da tarde, quando ela dorme bastante (umas 3 horas seguidas!), de forma que ela não vai sentir tanto a minha falta. Continuarei em casa pelas manhãs, tendo tempo pra brincar no quintal com as duas quando elas acordarem. Sinto meu coração tranquilo, e não, não estou frustrada profissionalmente. Não “parei” a minha vida para cuidar das minhas filhas. Minha vida mudou quando elas chegaram, e hoje minha vida são elas! Minha prioridade são elas.

Dificuldades

Já ouvi inúmeros comentários no sentido de que a mulher não deve deixar de trabalhar para não se sentir frustrada, por abandonar sua carreira profissional, e quem sabe um dia ainda ficar depressiva, pois depois que os filhos crescerem e forem embora ela ficaria sozinha e sem sentido pra sua vida. Respeito essa opinião, mas pra mim ela não é verdadeira. Não acho que a mulher deva ABANDONAR sua vida profissional, mas tenho certeza de que faz toda a diferença se ela REDUZIR seu ritmo de trabalho, pelo menos nos primeiros anos da criança. A meu ver, seria perfeito se toda mãe pudesse ficar em casa no primeiro ano de vida de seu filho, e depois disso pudesse trabalhar em tempo parcial, tendo ainda um tempo pra dedicar atenção até que a criança já esteja maior (até que idade? Ainda não sei, não cheguei nessa fase ainda! Minha primogênita só tem 4 anos! Rs!). E, quando for a hora, a mulher pode voltar ao seu ritmo anterior de trabalho... Acredito que a realização pessoal da mulher não consiste apenas em ter uma carreira bem sucedida. Passa por ela, é claro, mas também em saber que ocupou sua vida para cumprir sua missão primeira, que é a Maternidade.

Tá, eu sei, pode parecer utópico. Vivemos num país no qual muitas famílias realmente PRECISAM da renda da mulher, e não há outra escolha. As mães que NÃO TEM outra opção, certamente serão recompensadas por Deus... Ele há de amparar esses pequenos que precisam ficar longe das suas mães. Mas nem sempre é assim, às vezes a mulher tem a escolha de enxugar o orçamento e ficar em casa, mas não o faz pelo simples fato de nunca ter pensado seriamente a respeito! Outra situação para a qual eu não tenho uma resposta é quando a mãe é funcionária concursada, e tem necessariamente que voltar ao trabalho após a licença, para não perder o emprego. Quem sou eu para dizer que essas mulheres devem deixar sua estabilidade? Cada mulher deve avaliar sua real necessidade, e fazer o que está dentro da sua possibilidade.

Aqui cabe também um comentário sobre o que definimos como “necessidade”. Esse assunto é uma questão de prioridades: preciso trabalhar para garantir o sustento da casa, ou porque eu preciso comprar todo mês uma roupa ou um sapato novo? Será que precisamos mesmo trocar de carro ou de celular todo ano? Será que precisamos ficar longe das nossas crianças quando são ainda tão pequenas, para ter dinheiro e poder comprar os brinquedos caros que eles nos pedem, com os quais nunca teremos tempo pra sentar e brincar com eles? O consumismo da nossa sociedade nos convenceu de que precisamos sempre de mais alguma coisa, nunca temos o suficiente. E isso é sério... Será que dinheiro é sinônimo de felicidade? Meu marido sempre me conta com alegria os fatos da sua infância, mesmo tendo passado muita necessidade. O pai, que era carpinteiro, trabalhava sozinho para garantir o sustento da casa, enquanto a mãe ficou em casa para cuidar dos cinco filhos. Não tinham nada além do essencial para viver, mas tinham o mais importante... e eram felizes! Não quero dizer com isso que esse é o modelo correto de família, mas que é possível ajustar o padrão de vida temporariamente para dedicar-se ao que é mais importante... Você já pensou sobre isso?

Chego hoje à conclusão de que é muito bom “permitir-se” mudar de ideia. Eu mesma tinha outros conceitos, outra ideia de como viveria minha vida depois dos filhos, mas fui aos poucos moldando o que hoje considero como melhor. Quem quiser saber mais sobre o assunto, um autor que me ajudou muito nesse processo de mudança e de amadurecimento foi o Dr. José Martins Filho, pediatra que admiro e respeito como profissional que busca incentivar um novo (será novo?) modelo de família moderna. Seu livro “Crianças Terceirizadas” é maravilhoso, assim como os demais, e aqui e aqui você encontra links para duas palestras dele que gosto muito.

Que cada uma de nós saiba avaliar com amor e sabedoria as decisões que tomar. Que nossa Maternidade seja consciente, pensada, e sempre conduzida para o Amor!


Ajudando a mamãe a estender roupas

Café da manhã na casinha


Bolinhas de sabão no quintal!

 
Princesas da minha vida!

sábado, 9 de março de 2013

Relato do Parto da Carina - escrito por ela (Parto natural domiciliar)

A Carina já está gestando novamente (e agora, são gêmeos!!!), e só hoje percebi que não tinha postado aqui no blog o relato que ela escreveu. Pra quem quiser ler o meu relato, confira aqui.


Relato de parto da Isabela - 11/11/2011



No dia anterior ao nascimento da Isabela fui trabalhar pela manhã normalmente, estava sentindo uma leve cólica, porém, nada demais, trabalhei até o meio dia e fui para casa. Nesse dia a tarde ainda limpei toda a casa, num ritmo um pouco mais lento é claro, pois os movimentos de final de gravidez não são aqueles mais rápidos, tudo mais lento...rsrs Logo mais no fim da tarde tinha médico, pois naquele estágio o acompanhamento é semanal.
Quando cheguei ao consultório do Dr. Jesus relatei que já estava sentindo algumas cólicas e tal... ao fazer o toque ele relatou que ela já estava encaixada, mas que ainda não tinha nada de dilatação, falou que achava que ainda ia até o feriado dia 15/11 e que se até na próxima semana ainda não tivesse nascido que voltasse ao consultório. Fui para casa, (mas as cólicas continuavam, e eram constantes) afinal tinha que fazer janta, pois receberia visita, e a pia estava cheia de louça. Recebi visita, fiz janta, lavei louça e ainda limpei outras coisas que tinha para limpar, nisso já era passado das 23:00 horas, tomei um banho e fui deitar, mas naquela noite não dormi, pois as cólicas eram constantes e as contrações eram mais fortes, foi assim até as 4:00 da manhã, quando as dores aumentaram e resolvi ir para o chuveiro para ver se relaxava um pouco.. fui e fiquei uma meia hora o que foi muito bom, pois assim depois do banho consegui dar umas cochiladas até as 6:00 horas da manhã, pois sabia que precisaria estar descansada para o trabalho de parto (PT). Quando acordei meu marido perguntou será que você está em trabalho de parto? Vou trabalhar ou fico em casa? Nesse momento disse que achava que era TP sim, pois havia tomado banho, caminhado e não tinha passado, nisso levantamos e fui fazer um café, tomamos o café da manhã, pois precisaria estar bem alimentada para ter forças no momento do TP, depois do café liguei para minha mãe e disse que achava que a Isabela ia nascer, para ela se preparar para vir aqui ficar com a gente, depois o Eudecir ligou para o chefe dele e disse que não iria trabalhar, liguei para o Dr. Jesus para ele ficar preparado, ir se organizando, em seguida liguei para a Marieli a doula que iria me acompanhar e em seguida para minha irmã Denise que é enfermeira. Assim avisamos todos que eram necessários. Enquanto isso procurei descansar um pouco, pois sabia que precisaria estar descansada. Quando foi 9:30 horas minha irmã chegou e fez um toque, no qual estava com quase 2 cm de dilatação, pensei comigo, “se ainda só tem isso o negócio vai longe”, quem sabe até a madrugada... Nesse momento então chamei meu marido para darmos uma volta na quadra para acelerar o processo, a cada contração parávamos e esperávamos passar (os pedreiros das construções ficavam olhando rsrs), ao chegar em casa depois da caminhada, senti que as contrações aumentaram, nesse momento minha irmã disse que o Dr. Jesus havia ligado e disse que passaria perto do meio dia para fazer uma avaliação, quando ele chegou, fez o toque e disse que estava com 6 de dilatação, nesse momento fiquei animada, pois estava evoluindo bem... e ele disse, vou para casa almoçar que logo a tarde essa menina nasce... a alegria foi muito grande ao ouvir isso, pois sabia que a estava cada vez mais próximo o momento de ter minha filha em meus braços. Depois que ele saiu, fomos almoçar, meu marido buscou marmita...rsrs e eu consegui comer um pouco, não tanto quanto no café da manhã, pois as contrações já estavam mais intensas... quando estava terminando de almoçar a Marieli chegou, foi então que eu e meu marido subimos para nosso quarto e fomos para o chuveiro... lá ficamos uns 40 minutos, pois a água aliviava as dores... aproveitamos esse momento de intimidade para curtir os últimos momentos da Isabela em minha barriga. Quando saí do chuveiro pensei em dar mais uma caminhada, porém não foi possível, pois ao sair da água as dores aumentaram e fiquei na cama mesmo.. e dali só sai minutos antes da Isabela nascer, isso já era mais ou menos 14:00 horas foi daí em diante então que as dores começaram a se tornar mais insuportáveis, comecei a me silenciar, não queria que meu marido saísse de perto de mim nenhum minuto, e assim ficamos de mãos dadas. Logo em seguida chegou o Dr. Jesus e fez novamente o toque, e disse que estava com 8 de dilatação, fiquei feliz novamente pois sabia que estava indo tudo muito bem, a evolução estava indo super bem. Por voltadas 15:00 horas minha mãe chegou e ficou comigo, foi muito importante o momento em que ela chegou e me deu um beijo e disse “filha vai dar tudo certo, você vai ver que o sofrimento vale a pena”, e desde então não saiu mais de perto de mim. As 15:50 horas outro toque, dilatação completa (10cm), foi então nesse momento que o Dr. Jesus me pediu para mudar de posição pois precisava ficar numa posição adequada para a Isabela descer, fiquei então um pouco na bola, mas estava desconfortável, mudei, fiquei de joelho em frente a nossa cama de frente para meu marido, porém minhas pernas estavam cansadas, foi quando meu marido me ergueu e me colocou na banqueta de parto, fiquei deitada no colo dele, fiquei ali por 17 minutos, sentindo as últimas contrações a espera da nossa pequena Isabela, tive algumas contrações bem prolongadas e doloridas, e em uma última contração nasceu nossa Isabela, às 16:07 horas do dia 11/11/11 numa tarde quente de sexta-feira. Foi o papai quem cortou o cordão umbilical da Isabela, momento emocionante, momento em que ela se desligava fisicamente de mim.
Foi um momento único, maravilhoso, inexplicável, não sei quem chorava mais, se era a Isabela ou meu marido, eu só conseguia abraçar, beijar e dizer que a amava muito, um ser lindo em meus braços. Agora somente sorrisos, pois dor nesse momento já não havia mais. Nesse momento nossa vida de casal passou a ser família, Isabela passou a fazer parte da nossa vida, pois nasceu no mesmo lugar onde foi concebida, algo maravilhoso, uma intimidade maravilhosa, sem que ninguém interferisse nesse momento tão mágico... Nesse momento passei a amar ainda mais meu marido, ele que se fez presente em todo o processo, antes e durante a gravidez, e muito participativo no parto, sempre ao meu lado, me apoiando, me dando força, sem ele certamente não teria conseguido, foi um momento maravilhoso. Obrigada por esse presente maravilhoso que é a Isabela e por ter você em minha vida... Depois dessa experiência espero que os próximos sejam ainda melhores, pois ai não será mais só você que participara do parto, pois a nossa pequena Isabela também fará parte...
Isabela, papai e mamãe te amam muito... Obrigada por nos proporcionar momentos assim, simplesmente maravilhosos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Relato do parto da Thays - escrito por ela (parto natural hospitalar)


Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem mente nenhuma imaginou, o que Deus preparou para os que o amam. 1 Corintios 2:9

Os planos de Deus são perfeitos e maravilhosos. É o que eu sempre digo e é o que está escrito…
Em janeiro de 2011 EU decidi que queria engravidar. A Emanuela, a primogênita, completaria 2 anos em abril e achei que seria a época ideal. No entanto, os meses passaram e… nada, niente, necas… Mas… Nunca me preocupei demais com isso, já que já tinha a Manu e sempre achava que não era a vontade de Deus naquele mês e no outro e no outro. Mas queria logo.  Meu plano.

E se passaram meses a fio, mais exatamente 1 ano e 2 meses, após alguns exames, ultrassom disso e daquilo, em Março de 2012 o plano (não o meu, claro) se concretizou. Estavamos grávidos. Nesse dia meu marido confidenciou que um mês antes havia pensado que seria legal engravidar a partir de agora, pois a Manu já estava grandinha e a reforma da nossa casa já estava terminando. O que vocês acham disso? O plano de nós 3 (Deus, marido e mulher) enfim coincindiu. Deus não permitiu nem antes e nem depois. Na hora certa. Tá, e o que vem depois? Menino ou menina? Pedi muito pra Deus um menino, um sonho do Aldrei maridão que comprei. Mas pensava que minha filha não teria uma irmã pra grudar, brincar e brigar como faço com a minha hermana, então, se fosse menina seria super bem-vinda.
Um dia uma amiga linda e maravilhosa, mulher de muita fé, me ligou única e exclusivamente pra perguntar: Amiga, você quer realmente um menino? “ E eu: “Ah, amiga, eu pedi pra Deus, se Ele me abençoar…” E minha amiga: “Então, se você quer e tem fé, determina, Deus vai realizar o desejo do seu coração.”  Hum, entendi, e foi o que fiz. Agora com mais fé. Como você pode imaginar, com 15 semanas, mais precisamente dia 06/06/2012, descobrimos que esperávamos um menino, o Enrico, servo abençoado do Senhor, pedido e tão esperado!!! A gravidez do Enrico foi tranquila, eu não tinha preocupações bobas, como as que temos na primeira gestação. Só uma doooooorrrrrrrr na barriga, porque era grande esse moleque, hein… Jesus amado… Será o que o plano de Deus é perfeito?!?! Ele presenteou-me com um bebê no tempo dEle, perfeito e ainda me deu o menino que tanto pedimos. Bom, tudo certo com o bebê, tudo certo com a cesárea (!) que nos aguardava.

Um dia, me veio o seguinte pensamento: Possivelmente essa será minha última gravidez (o marido já havia me adiantado isso…) e eu não saberei o que é ter uma contração? Como será ter um parto normal? Parto natural, o que é isso? Acho que vou ter que pesquisar…  Daí, desisti. Voltei atrás. Desisti de novo. Reconsiderei: vou tentar!

Nessa tempestade mental, encontrei-me com uma outra amiga, grávida, que tentaria parto normal e compartilhei da minha vontade. Ela então me disse que eu deveria me preparar e não somente decidir e esperar. Deu-me o telefone de uma doula e mais algumas informações que me atiçaram!
Para resumir, com 33 semanas de gestação troquei de obstetra e decidi que teria parto natural de cócoras. Fiz fisioterapia obstétrica e pesquisei tanto, tanto, tanto que nada nem ninguém me faria trocar de ideia. Já tinha lido de tudo.

Tudo certinho agora precisava esperar o Enrico querer nascer. Acho que foi no dia 20/11, mais ou menos, que o tampão saiu e nem fiquei apavorada… informação é o que há!  Mas a obstetra me avisou que meu bebê tinha até o dia 28/11 pra nascer, quando completaria 40 semanas, já que é o protocolo dela. Respeito, claro, mas tinha certeza que não precisaríamos conversar sobre isso.

Naquele sábado lindo de sol, dia 24/11, almoçamos (Maridão, Manuzinha e eu) na sogrinha e senti uma dor “muscular” na região lombar. Não imaginei que não fosse muscular. Fomos no mercado e tomar sorvete num buffet perto da nossa casa. Quase terminando aquele maravilhoso e enooooooorme pote de sorvete ouvi um “ploc”, tipo garrafa abrindo, sabe?!?! E senti muita água correndo nas minhas pernas. Uhuuuuulllllll! Bolsa!!!!!! Era 15h. Marido apavorado pergunta: “E  agora!?!?” E eu: “Vamos pra casa!” Tão Linda a Manu falando: “O ermãozinho vai nascer?” Fofa!!!!

Chegamos em casa, liguei pra mãe, pra irmã, pra médica, pro hospital (preparar o quarto), pras doulas (tinha duas engatilhadas), pra líder da igreja, pra amiga grávida e o marido já postou no facebook: Estamos indo pro hospital. Hã? Hospital? Nem pensar.

As contrações começaram e eu estava feliz, feliz, feliz. Sorridente e tranquila! Muito em paz! Dei banho na Emanuela e contração no banho! Coloquei-a pra tirar uma soneca e contração no quarto dela. Ela dormiu e eu fui me arrumar (!!!!) Prendi o cabelo, maquiagem… não iria sair feia nas fotos do parto, né, gente… As contrações vinha de 10 em 10 minutos e duravam 1 minuto. Tudo marcado no celular e cronometrado pelo marido. Depois de 7 em 7, 6 em 6… 
Em casa curtindo as contrações

Minha mãe chegou na minha casa e estava querendo me levar para o hospital. O Aldrei também estava apavorado. Nos intervalos entre as contrações eu fiz o famoso chá do parto da Naoli, andei pela casa, conversei com as amigas pelo facebook e conversei calmamente com o Aldrei: “Amor, não se preocupe. Eu sei tudo o que está acontecendo com meu corpo. Eu estudei e sei o que está acontecendo comigo! Fica tranquilo. Quando tivermos que ir pro hospital, te aviso.” 

Em casa, entre as contrações, conversando com as amigas no Facebook
Nos intervalos liguei novamente pra minha doula-doente-viajante Naiara e pra minha doula-vigente Marieli, que já estava pra chegar na minha casa. Durante as dores, eu tinha vontade de ficar ajoelhada e apoiada no sofá e, às vezes, simplesmente deitada.  O chá não consegui tomar: caprichei na pimenta e ficou imbebível, se é que existe essa palavra. Contrações de 5 em 5, 4 em 4, umas mais fortes, umas mais fracas. Fiquei na sala, rodeada da mãe, do marido e dos pontos de interrogações que eu via acima de suas cabeças: Pra que isso tudo? A cesárea foi tão mais fácil...  Não fui compreendida. Mas caaaaaalma! Quando as contrações estavam de 3 em 3 minutos há meia hora e as dores já estavam bem mais fortes, resolvi que era hora de ir para o hospital. Ligamos pra sogra vir ficar com a Manu, que continuava dormindo, pra amiga-fotógrava e a Mari-doula chegou. Liguei pra médica e ela me disse me encontraria no hospital. 

Contrações no carro, contrações na recepção do hospital e trouxeram uma cadeira de rodas pra mim (!) Eu não estava doente, só em trabalho de parto e muito feliz! Chegamos junto com a médica. A coitada da Mari bem que tentou fazer massagem em mim, mas parece que ficava tudo mais intenso e dolorido com a massagem na lombar (só eu senti isso, será?!!?). 

Aguardando a obstetra

O meu maior medo era fazer o toque e estar com 2 ou 3 centímetros de dilatação… e aí me lembro da Dra. falando: 8 centímetros. Uhul! Um alívio. Agora é só trabalhar e esperar. Na contração abaixava na bola, a Mari tentava fazer a massagem, eu não queria…  

Respirando e apertando a mão do papai Aldrei


Quando a contração passou, levantei a cabeça e como se nada estivesse acontecendo falei: "Credo, que cheiro de mofo essa pia!" (uma pia que fica no quarto do hospital para as pessoas que tem noção lavarem a mão antes de pegarem o bebê e para as enfermeiras). E completei: "Vamos mudar de lado!" Peguei a bola e com aquela roupa lindíssima do hospital, dei a volta na cama e agachei. Mais uma contração. Aí passou e falei: "Ui, aqui também tá cheirando mofo!" Não tinha quem não risse da situação, até a médica! Foi engraçado mesmo. 

Depois disso, já não tinha tanta graça, eu já estava cansada e só queria ficar deitada. Comi uma gelatina e agarrava a mão que tivesse por perto e só esperava passar a dor. Dava um gritinhos também, que não estavam no script, mas tudo bem. A Dra. fez o toque de novo e falou que eu estava com 8,5 cm. Depois me contaram que esse “meio” foi só pra não me desanimar.  A partir daí, mais algumas contrações, eu estava deitada com os olhos fechados… cansada mas concentrada, pensando que eu tinha chegado até ali. E o que aconteceria se eu desistisse. Vinham as dores muito intensas, eu pedia para Mari se era isso mesmo, se estava certo… Claro que estava… então eu não ia desistir. Lembro do Aldrei me falando para eu ter força, pra respirar, a Mari falava que eu estava linda e que estava tudo certinho…
Contrações mais fortes, quaaase lá
Comecei a sentir algo diferente. Uma vontade de empurrar. O bebê descendo talvez… os puxos… pela minha experiência apenas teórica. Pedi pra chamar a médica. Ela constatou que eu já estava com dilatação total. Com uma música de fundo e com dificuldade, as pernas um pouco travadas, me posicionei sentada na banqueta de parto. A Dra. recomendou que se tivesse dor era pra empurrar e sem dor era pra respirar. Era tudo muito rápido e muito intenso. Num segundo estava sem dor, logo já comecei a empurrar. A médica me narrava que dava pra ver a cabecinha e a Mari, numa tentatida frustada, me pediu se eu queria um espelhinho pra ver (será que ela já teve uma doulanda que só dizia não?!?!) Mas eu só queria ver o meu bebê, queria aquele momento mágico de pegá-lo no colo. Hoje vejo que deveria ter curtido mais os momentos anteriores, mas na hora eu só pensava no rostinho dele, qual emoção seria ao pegá-lo nos braços… 

Bom, aí empurrei duas ou três vezes e tive o meu momento: Enrico nasceu às 20h40. A Dra. retirou uma circular de cordão do pescocinho dele e fui a primeira da vida dele: tive ele em meus braços, com esforço, suor e vitória. Louvei e agradeci a Deus nesse momento. Consegui dizer: Seja bem-vindo, filho. Nós conseguimos! Há alguns segundos ele estava dentro de mim e agora esta ali… lindo e todo sujinho! Demorou pra chorar, ficaram todos esperando, mas qual o porquê da pressa, já que ainda estava ligado em mim! 


Colo da mamãe!
Agora está explicado o que busquei através do parto natural? Explicado porque não quis nada rápido e automático? Quis oferecer o que há de mais seguro e saudável para o parto e nascimento do MEU filho (ou melhor, o filho que Deus ME deu). Quis essa emoção! Apenas lendo este relato vocês não terão ideia da real e única sensação sentida. Meu filho ficou comigo! Nada de holofotes, banho, aspiração. O pediatra abençoado, o mais humano que já conheci, apenas olhou para ele, ouviu seu coraçãozinho, apgar ok (9 e 10) e estava tudo bem. Pesos e medidas só amanhã. Tentei faze-lo mamar, mas Enrico só cheirou e lambeu a mamãe. E faz isso ainda. Parece um gatinho. Estou apaixonada. Ser mãe de menino é lindo e apaixonante. Depois da Manu, Enrico me completou. Obrigada, Deus!!!

Família linda, agora completa!