sábado, 29 de novembro de 2014

Relato do parto da Márcia - 01/10/14 (escrito por ela)

Esse relato de parto é muito especial. Foi escrito por uma mãe que foi conduzida a uma cesárea na sua primeira gestação, e conseguiu encontrar os caminhos para que o nascimento do seu segundo filho fosse completamente diferente. =D A Márcia Peiter teve todos os motivos do mundo para desistir de receber seu filho naturalmente, mas decidiu ouvir aquela voz lá dentro que dizia que tudo daria certo!!!

Segue o relato escrito por ela:
 
"Em fevereiro, quando descobri que estava grávida, não me passou outra coisa pela cabeça senão: ‘dessa vez o parto será normal’. E eu sabia que teria que lutar muito por isso. Com 28 semanas, mudei de GO, após ouvir dele: ‘eu não faço essas coisas (parto humanizado) e você já tem a cicatriz da cesárea, podemos aproveita-la’. 

Na primeira consulta com o novo GO fiquei muito feliz com o apoio total ao parto humanizado, já que eu havia conversado a enfermeira obstetra Honi e a doula Mari e sabia que teria uma equipe maravilhosa para me acompanhar. Final da consulta. Aferição da PA: 160/110mmhg. Bateria de exames. Proteinúria alta. Meu plano A acabava de ir por terra: o parto domiciliar. O diagnóstico de pré-eclâmpsia me assustou muito no início, pelo fato de ter lido muito sobre hipertensão na gestação e  indicação na maioria dos casos era interrupção com 37 semanas. Mas algo sempre me dizia que tudo daria certo. 

Com 36 semanas, fiquei 3 dias internada para monitorar a PA, que se manteve 14/9 com medicação. As próximas semanas se tornaram uma tortura, pois se a qualquer momento a pressão subisse acima desse valor, seria novo internamento+cesárea. Tudo se manteve sob controle até 39 semanas e foi quando a proteinúria aumentou muito. Naquela sexta-feira, com 39+3, eu havia decidido juntamente com a equipe induzir o PN, mesmo meu GO sempre insistindo que seria um procedimento arriscado. Seria iniciada a indução no sábado, com a preparação mecânica do colo. 

No sábado quando acordei, algo me dizia que deveria esperar, e seguindo minha intuição, remarquei para segunda. Passei o final de semana torcendo para que se iniciasse o PN sem nenhuma intervenção, e nada de contrações. Plano B por terra também: PN sem indução. Antes de por a sonda, um toque foi realizado e 3cm de dilatação constatado!! Era o Bernardo dando sinal de que a hora estava chegando! A sonda foi colocada mesmo sem expectativa que iria dar certo (na verdade ela é colocada para alcançar 3cm). E realmente não deu certo!! (ufa) Não precisou dela... Na terça a noite, com 40 semanas completas, novo toque pela Honi em casa e para nossa surpresa: 8 cm!! Não acreditamos. Vibramos. Depois de 2 dias de contrações espaçadas e sem ritmo, ali eu soube que estava em TP, com 3 contrações a cada 10 minutos. 

Com ‘calma’ (se é que a ansiedade permitia) nos preparamos, eu e o Everton, e fomos para o hospital às 22h30. A Julinha ficou com a vó em casa. Muitas contrações no caminho recepção-quarto. Fui para o chuveiro e mesmo com a bola não achei uma posição confortável. A meia-noite tive vontade de fazer força, era a fase expulsiva se iniciando. Perda do tampão mucoso. Contrações cada vez mais fortes, e eu aprendendo à aceita-las. 
Honi e Márcia (com 8cm!!) na recepção do hospital

Movimentos com o quadril


Pai presente ajudando sua esposa 


















A Mari ficou o tempo todo comigo e me dizia para chama-las, que eram elas (contrações) que trariam o Be pra mim. Novo toque e 10 com, dilatação total! Fui para a banqueta de parto, depois para a cama de 4 apoios, mas nenhuma posição era confortável. Nessa hora o Dr. Juliano foi chamado. A cada contração, eu esmagava a mão do Everton, que o tempo todo me deu apoio, mesmo se sentindo um pouco deslocado em meio ao processo. Mal sabia ele a importância para mim da sua presença ali, sua participação na vinda do nosso pequeno ao mundo! 


Já era quase 2 horas da manhã, e eu podia sentir a cabeça dele no canal de parto. Empelicado! Ele nasceria dentro da bolsa! Como a progressão do expulsivo começou a parar, decidimos por romper a bolsa e mais algumas contrações, na banqueta de parto, senti o famoso círculo de fogo e conheci a partolândia. Não vi mais ninguém no quarto (depois que notei a presença de enfermeiras assistindo o parto normal que é raridade rsrsrs) e às 2h09 o mais esperado chegou! Foi direto para o meu colo, com o papai atrás de mim, e ali ficamos em êxtase abraçados! ‘Nosso pequeno nasceu! Nosso Bernardinho!’, o Everton falava no meu ouvido. 

Cabecinha do Bernardo já estava de fora, Dr. Juliano e Honielly aguardando a próxima contração para segurá-lo
Momento SAGRADO de imprinting, reconhecimento... 


Primeira mamada do lindinho
O cordão foi cortado quando parou de pulsar e enquanto ele recebia alguns cuidados no berço aquecido (sem aspiração e nitrato de prata, à nosso pedido) minhas pequeninas lacerações, duas, foram suturadas. Nesse momento não existia mais dor, tudo foi embora. Minutos depois, nasce a placenta. Peguei meu pequeno no colo, aconcheguei, namorei, e ele mamou por mais de uma hora. 







Sensação de dever cumprido, de respeito pelo nascimento, de gratidão por tudo o que havia acontecido antes, durante a após o parto. Agradeço imensamente as pessoas lindas que me apoiaram: Honi, Mari, Juliano, Everton... Não cheguei ao plano D – cesárea- e nem o plano C foi necessário – indução e digo depois de me empoderar muito: pré-eclâmpsia, desde que bem assistida, não significa cesárea!. O Bernardo chegou no seu tempo, em um ambiente cheio de ocitocina, pouca luz, quentinho, como todos os anjos deveriam ser recebidos!"
Pura gostosura!!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Relato do Parto da Cláudia - 06/11/14 (escrito por mim e por ela)

Esse parto eu preciso contar pra animar as mulheres que querem um segundo parto normal. 


Conheci o casal (Claudia Monteiro e João Paulo Brunelo Miguel) quando eles já estavam de 36 semanas e resolveram trocar de obstetra. Simples assim: vamos buscar outro, por que sentimos que o nosso não vai fazer o parto. O primeiro filho deles nasceu de parto normal em Curitiba há dois anos, mas foi um parto "frank", cheio de intervenções. Eles queriam que dessa vez fosse diferente.

A estavam de 40 semanas e 3 dias, e na terça ela acordou sentindo cólicas junto com as contrações de treinamento. Vieram de Marechal para Cascavel pela manhã, quando as primeiras contrações apareceram, ainda sem ritmo e irregulares. Aproveitaram o dia para passear no shopping, ir ao cinema, comprar as últimas roupinhas e curtir o dia de parto! !

À noite as contrações ficaram mais desconfortáveis, pedi pra Cláudia monitorar depois de um banho longo de chuveiro e me ligar. No chuveiro, novamente contrações sem ritmo, com intervalos irregulares. Ela me ligou às 23h, e combinamos que todos tentariamos dormir um pouco.

Acordei com uma ligação dela às 2:15h, dizendo que nos encontraríamos no Hospital, as contrações estavam com intervalo de 4 minutos, mas estavam beeeeem doloridas. Cheguei no São Lucas às 2:30h, o casal estava na recepção fazendo o internamento, e a Claudia tranquila, respondendo às perguntas da recepcionista, com cara de que ia demorar bastante ainda!!!
Subimos andando para o quarto, no caminho começaram os puxos. Chegamos no quarto as 2:50h, e a bolsa rompeu. A Honielly (enfermeira obstétrica) e o Dr. Douglas já estavam lá. A Cláudia deitou para a Honielly auscultar o coração da Marina e fazer um toque, e... 10 cm!!! Dilatação completa, bebê já bem baixinha (de Lee +3!)!
Posição que ELA escolheu para o nascimento
A Cláudia quis virar na cama, ficou de gatas com a braços apoiados na cabeceira, marido segurando a mão dela, e vieram mais alguns puxos, até que... NASCEU! Pasmem: 8 MINUTOS depois que chegamos no quarto!!! Pesou 3.060g, linda, rosadinha, e deu só um chorinho pra mostrar que estava respirando bem. Veio direto pro colo da Cláudia, e depois que a pediatra avaliou, mamou por mais de uma hora!! A Cláudia teve uma laceração pequena, grau I, que precisou só de alguns pontinhos.
Papai cortando o cordão umbilical

O parto foi absolutamente natural, ninguém disse pra Cláudia o que fazer: ela sabia, e escutou o seu corpo!!!

Queridos, parabéns! ! Foi uma honra testemunhar esse nascimento... obrigada pela confiança!! Deus os abençoe, dando sabedoria e amor para educar o Igor e a Marina baseado a na mais perfeita teoria educacional: a do Amor incondicional!

Segue abaixo o relato da Cláudia:

"RELATO DO NASCIMENTO DA MARINA – PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO

O nascimento da Marina foi sem dúvidas o momento mais lindo, emocionante, especial e marcante de toda a minha vida, momento este furtado de mim dois anos atrás quando nasceu o Igor, meu primeiro filho, isso porque as intervenções médicas padronizadas e desnecessárias ocorridas durante o trabalho de parto do Igor roubou de mim esta vivência toda especial que eu pude agora ter nesta segunda gravidez. 

O Igor nasceu também de parto normal, mas não como eu imaginava, pois dando entrada na maternidade fui submetida a todos os procedimentos padrões SUS, tais como o uso do soro de ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto (nenhum respeito ao tempo natural do bebê), a anestesia peridural, a posição de barriga para cima e pernas levantadas desfavorável ao nascimento (mas favorável ao médico) e a episiotomia. O atendimento é em massa sem considerar a especificidade e as necessidades de cada caso, e essa é a rotina dos partos pelo SUS, todas as mulheres atendidas naquele mesmo dia passaram exatamente pelos mesmos procedimentos que eu. E deixam marcas, porque as dores que o “sorinho” de ocitocina provoca alimentam os relatos de que o parto normal é a coisa mais dolorida do mundo e que tem que ser muito corajosa para escolher um parto assim. 

No parto da Marina não teve nada disso, nem soro, nem episiotomia, nem anestesia, nem sala de cirurgia, nem dores horríveis, nem médicos com máscaras e instrumentos cirúrgicos. O parto não tem que ser uma cirurgia! Acompanharam tudo o João meu esposo, a doula Mariele, a enfermeira obstetriz Honieli e o médico, o Dr. Douglas. Foi totalmente natural, ela nasceu no quarto do hospital, eu em posição de gatas e com dores que eu nem posso chamar de dor se comparado com a intensidade do amor e da emoção que senti no momento em que ela nasceu e foi direto para os meus braços se aquecer sob minha pele, nenhum procedimento de rotina atrapalhando. E tudo isso em menos de oito minutos entre o momento que entrei no quarto do hospital e dei a luz a Marina. O mais importante foi o respeito comigo e com a nenê da equipe que acompanhou, o Dr. Douglas que diferentemente da maioria dos outros médicos sabe respeitar a vontade das gestantes, o carinho e o conhecimento profundo sobre partos e bebês da Honiele e a paciência da Mari me acalmando sempre que ligava pra ela com falsos sinais de trabalho de parto nos últimos dias de gestação.

Saí desta experiência energizada, feliz e com todo o gás para cuidar da minha pequena que, por sinal é muito tranqüila, e do Igor que tem dois anos e precisa de muito carinho e atenção para se adaptar com a nova situação. Não tenho que me recuperar de nenhuma cirurgia e nem tomar remédios, é por isso que escolhi o parto natural humanizado e virei um pouco militante, acho que para mudar o mundo é preciso também mudar a forma de nascer."

Relato do Parto da Karine - 08/11/13 (escrito por ela)

Hoje o relato de parto é escrito pela própria protagonista da história! Aproveitem!! (só as legendas da fotos são arte minha... rs!)

"Depois de passado um ano, ponho-me a escrever meu relato de parto. Faz tempo, mas o tenho extremamente vivo na memória, como se fosse ontem. É do tipo de coisa que não se esquece, pois te transforma de tal forma que não há volta.
Quando engravidamos, eu e marido, não pensava muito no parto em si, aproveitei cada fase: os primeiros exames, saber o sexo, ler sobre as transformações que meu corpo estava passando, montar o nosso ninho para recebê-lo. Não pensava muito ainda na via de parto, a única certeza era a de que queria esperar pelo menos um sinal de que o Felipe estava pronto para nascer. Cesárea agendada, não.
Conforme a barriga foi crescendo e o tempo passando, comecei a ler bastante a respeito do parto normal e, assim, me empoderando. Cada relato de parto que eu lia eu pensava: "Eu não posso passar pela vida sem viver isso!" Assim, com 28 semanas, estava decidida: o Felipe viria ao mundo através dele. Claro que não é tão simples assim, teve muita resistência por parte do médico, o qual meu marido confiava muito, dificultando trocar. Eu, muito convicta, encarei então convencer o médico e mostrar que seria do meu jeito. Conversei com a Mari, doula e ex-colega de faculdade, que me apresentou a Honielly, enfermeira obstétrica. As duas me acompanhariam e então pronto. Mente tranquila que daria certo dessa forma.
No dia 04 de novembro de 2013 completei as 40 semanas. A ansiedade tomando conta, pois as pessoas próximas sabiam da minha vontade e começaram a perguntar sobre o nascimento (gestantes, mintam sua idade gestacional, comprem seu sossego!). A Honi veio em casa, conversamos, ela nos tranquilizou e pediu um pouquinho mais de paciencia, pois já havia esperado até agora, faltava pouco.
Nas duas noites seguintes tive cólicas leves, mas nada que me atrapalhasse o sono. Na noite de quarta para quinta-feira, 06 para 07/11, as cólicas se intensificaram, chegando a me acordar e me obrigando a virar de lado para acalmar. Mas na minha cabeça ainda não era nada. As 7 da manhã levantei e fui ao banheiro, quando então saiu o tampão mucoso. Marido arregala os olhos e pergunta: "O que faço agora?". Me mantive muito calma e disse que ele fosse trabalhar , que qualquer coisa eu o chamaria. As contrações começaram e avisei as meninas que me orientaram a anotar os intervalos e a duração, para confirmar o trabalho de parto.
Assim passei a manhã: arrumando as coisas do Felipe para levar ao hospital, arrumei minhas coisas, enfim. Pensei que se continuasse daquela forma, tava fácil! Ao meio dia, novo contato com as meninas, a Hony me orientou que eu fosse para o chuveiro e ali ficasse por um tempo, para vermos que rumo as coisas tomavam. Assim o fiz, deitei, tentei dormir um pouco mas já estava complicado ficar deitada, estava desconfortável.
Lá por três da tarde as meninas chegaram em casa, marido também. As contrações mais fortes e longas, mas tentava respirar e relaxar os ombros durante elas. E entre elas a conversa rolava solta. Ao chegar a Hony quis fazer um toque para ver como estava: 3cm. Mas como o processo estava bem tolerável, fiquei tranquila.
Cara de contração
 






Maridoulo!!!
Massagem, bola, conversa, tranquilidade, ventinho... =D


A tarde foi passando, as contrações aumentando e chega um ponto que era preciso me movimentar, deixar de ficar só sentada, para que o bebê pudesse descer mais. Andar naquele momento era desconfortável, muito, mas se era necessário, vamos lá. Na contração, me orientaram que eu agachasse até passar. Na primeira delas, na garagem de casa, a bolsa estoura.
A partir daí comecei a perder a noção do tempo e me deixei levar pelo momento. Sabia que estava bem acompanhada e monitorada, então, nada havia de mal para me acontecer. Fui para o chuveiro e fiquei deitada sobre a bola, não sei por quanto tempo. Ao sair do banho, já não controlava minhas pernas e uma vontade de fazer força começa a tomar conta. As meninas e meu marido foram colocando as coisas no carro para irmos para o hospital.
Cara de 8 cm, feliz da vida!! (entre as contrações dá pra sorrir, siiiiim!)
Começando a ficar mais difícil. Apoio, massagem...
O trajeto até lá foi rápido. Encontramos o obstetra e subimos para um quarto ao lado de onde o Felipe nasceria. As contrações já vinham com força e logo em seguida nos transferimos para o outro quarto. Ali ficamos todos: eu, meu marido, obstetra, doula Mari, enf. Hony e Heni (irmã da Hony que ela chamou para fazermos um certo volume pra garantir o nosso parto normal!), aparentemente esperando pelo nascimento rápido... que não veio! As contrações foram espaçando e ficando mais curtas. Concordamos em usar ocitocina sintética para ver se as contrações engrenavam novamente. Sem sucesso. Apesar de ter um relógio enorme na parede, não tenho certeza de quanto tempo ali ficamos, mas sei que não foi pouco. O cansaço já tomava conta, quando então decidimos ir para o chuveiro por 15 minutos. Mesmo eu não querendo me movimentar naquele momento, fomos. Lá fiquei, a Hony sempre me encorajando, dizendo que faltava pouco, que havia chegado até ali.
Quando voltamos para o quarto, com novo gás, as contrações engrenaram novamente e exatamente as 3 horas da manhã o Felipe nasceu! Com 3.250kg e 51cm, veio direto para o meu colo e iniciou a amamentação logo em seguida. Naquele momento a única frase que me vinha à cabeça era: "Não acredito que conseguimos!" A dor e o cansaço se foram na  mesma hora, dando lugar a uma alegria sem fim. Não nos separamos em nenhum momento, a não ser para que ele fosse pesado e os procedimentos com ele fosse feitos (não tenho certeza dos procedimentos que tomaram com ele, o único que vi foi aspirarem as vias aéreas). Na sequencia ele já voltou pra mim e comigo ficou por todo o tempo.
(dispensa comentários!!!)
Momento mais sagrado desse mundo, que não deveria ser roubado de nenhuma mãe e de nenhum bebê!
Sempre achei a palavra "parir" um tanto quanto forte, me lembrava bicho tendo seus filhotes. Mas depois que se passa pelo processo, a gente entende perfeitamente que é isso mesmo: somos mamíferos, afinal de contas! Parir exige se livrar de todos os pudores, enfrentar o medo para que a coragem te permita lutar e defender sua cria. E a sensação que se tem durante o processo é justamente a de um bicho mesmo: só dá vontade de ficar no seu canto, na posição que a gente escolhe, quietinha (sem ficar ouvindo asneiras!), porque aquele é o SEU momento! Ninguém deveria ter o direito de intervir, porque parir é seguir instintos, mas quais instintos sobrevivem a intervenções desnecessárias, um ambiente frio e controlado como um centro cirúrgico?
Família completa!!

Me perguntam muito da dor, o maior medo das mulheres quando se fala em parto. Sinceramente, a única hora que lembro de ter sentido dor mesmo foi quando ele coroou, o famoso "círculo de fogo". Ardia muito e esperar pela próxima contração para que ele nascesse foi interminável naquele momento. Mas de todo o resto do trabalho de parto em si, digo pra quem me pergunta que se eu tivesse dez filhos, seriam todos de parto normal. Comparo-o a um evento agudo: são horas que se arrastam, mas são horas! Gerar por nove meses para parir em horas, dá pra levar, não dá? Dá! E posso dizer com todas as letras: vale cada minuto!!!"

terça-feira, 26 de agosto de 2014

RELATO DO NASCIMENTO DO DAVI – Parto natural domiciliar

 Eu já conhecia a Adriana e sua família há muitos anos, e já havia acompanhado o nascimento do seu primeiro filho em 2011 (relato aqui). Quando ela engravidou do Davi, já me avisou que eu seria a doula novamente, e voltou a frequentar os encontros do GestaCascavel.

O primeiro parto foi muito tranquilo e rápido, mas não tinha sido exatamente como ela havia planejado. No centro cirúrgico, ela não pode escolher uma posição em que se sentisse confortável (teve que ficar deitada de barriga pra cima). Recebeu uma episiotomia enorme, e como a posição não ajudava muito, na hora de expulsar o bebê um dos médicos fez uma pressão forte sobre a barriga dela para “ajudar o bebê sair” (manobra de Kristeller). E todas estas intervenções desnecessárias foram feitas nos 15 minutos que ela ficou no centro cirúrgico...

Para o segundo parto, ela já sabia o que queria. Chegou a cogitar um parto domiciliar, mas o Adriano (marido!) não achou que estava seguro o suficiente ainda, quem sabe no terceiro filho... =D Então, os planos dela eram: me chamar (rs!), trocar de obstetra, contratar uma enfermeira obstétrica para ficar conosco em casa monitorando os batimentos cardíacos do Davi e o andamento do parto, e ir para a maternidade encontrar o obstetra quando já estivesse com a dilatação bem avançada (mais ou menos 8 cm). Mas a natureza tem seus planos...

No sábado (dia 26/07/14), a Adri estava com 37 semanas e 6 dias, e sentiu que tinha algo diferente. Sentia uma “dorzinha no pé da barriga”, parecida com cólicas, mas ainda nada parecido com contrações. Ela e a família foram à Missa, depois saíram pra comer um cachorro-quente, foram pra casa e deitaram cedo pra dormir.

À 1:30h da manhã ela acordou com a mesma dorzinha na barriga, e achou que fosse vontade de ir ao banheiro. Levantou, foi ao banheiro, mas nada. Voltou a deitar, e achou que fosse culpa do cachorro-quente (RS!). Mas as coliquinhas foram aumentando, ficando mais frequentes, até que às 2:25h ela não conseguiu mais ficar na cama e levantou pra me ligar. “Mari, eu ACHO que estou em trabalho de parto, porque estou tendo umas contrações bem seguidas!”. Perguntei sobre o intervalo e a duração, mas ela não soube me dizer. Então orientei ela a ligar pra Honielly (enfermeira obstétrica) e depois me ligasse novamente, pra eu saber se deveria ir pra casa dela ou se encontraria ela direto no hospital.

A Honi pediu pra que ela fosse para o chuveiro e monitorasse as contrações por meia hora e ligasse novamente. O Adriano anotava, e ela falava quando elas começavam e paravam. Nessa hora, a Adri lembrou que não havia preparado a mala pra maternidade ainda! Entre uma contração e outra, foi explicando pro Adriano o que era pra pegar. Mas um tempinho depois ela já não conseguia mais pensar em nada, a não ser nas contrações e na dor nas costas que estava sentindo! (ela teve algumas crises de lombalgia durante a gestação, e quando as contrações apertaram, ela sentiu novamente).

Antes que a meia hora que a Honi pediu passasse, a bolsa rompeu, e a contrações ficaram bem mais intensas. O Adriano ligou pra mim e pra Honi avisando às 3:07h. Eu já havia deixado minhas coisas prontas, então só me vesti e saí de casa. Como moro muito perto da casa deles, cheguei bem rápido, às 3:20h. O Adriano desceu abrir o portão pra mim, e me recebeu dizendo: “acho que não vai precisar da bola, ela está falando que vai nascer...” (assim, com essa calma!).

Larguei minha bolsa e minha bola na sala e subi as escadas correndo. Ela estava no chuveiro, com aquela respiração que só conhece quem já acompanhou uma mulher dando à luz! A Adri me disse: “Mari, estou sentindo ele aqui embaixo!”. Pedi licença pra olhar, me abaixei, e vi cabelinhos! Não daria pra ir pro hospital meeeeesmo, ia nascer em casa, embaixo do chuveiro. =D Perguntei pro Adriano se a Honielly já estava vindo, ele disse que sim. Então avisei ele: “Adri, o Davi vai nascer aqui, tá?”

Veio uma contração, a Adri disse que sentia vontade de empurrar, e eu disse a ela que tudo bem, que ele podia nascer. Fiquei abaixada ao lado dela, veio mais uma contração, ela empurrou, e ele nasceu! Inteirinho numa contração só, com o cordão enroladinho no pescoço. Coradinho, lindo, chorando... às 3:25h, com 2.970Kg, apgar 10/10 (apgar conferido pela parteira! Rs!). Com exatas 38 semanas, e trabalho de parto ativo de menos de 2 horas.

Desenrolei o cordão dele e entreguei ele no colo da Adri. Ela não cabia em si, de tanta alegria! Parecia ainda não acreditar que JÁ tinha nascido! Estava em êxtase... O Adriano também não acreditava ainda (no fundo, confesso... nem eu!). Ele me perguntou: “Mari, o que eu faço?” Eu respondi: “nada! Olha só... ele está bem, a Adri também... vai lá tirar uma foto!”. Ele foi, mas as mãos quase não obedeciam! Rs!


Liguei pra Honielly às 3:27h contando pra ela que tinha acabado de nascer! Ela já estava vindo, e eu disse que ele  já estava chorando, estava tudo bem com os dois, o sangramento estava normal, e que ela podia descer do carro trazendo as caixas de material de parto (ela quase não acreditou também!!!)
Nessa hora chegou a irmã da Adriana, que eles haviam chamado pra ficar com o Lucas enquanto íamos pro hospital. Quando ela entrou em casa e ouviu um choro de bebê, pensou: “esse choro não é do Lucas!!!!”. Quando subiu, já viu a Adri com o Davi no colo!


Ajudamos a Adri a se deitar no sofá, cobrimos ela e o Davi, e ele já foi pro seio! Quando a Honi chegou, alguns minutos depois, a placenta já estava saindo. O casal decidiu ficar em casa mesmo, já que a Honi tinha consigo (por acaso!!) todo o material que seria necessário. O Adriano cortou o cordão umbilical, a Honi suturou uma pequena laceração de grau 2 no períneo e deu ocitocina intramuscular pra Adri, pesou e mediu o Davi, e pronto!


Depois que a Adrenalina acalmou (rs!), eu e a Honi fomos olhar as anotações que o Adriano fez das contrações. Quando ele começou a anotar, ela JÁ ESTAVA com 5 contrações a cada 10 minutos! Ou seja, ela já estava quase parindo! E depois ela me contou que nessa hora ela já sentia vontade de empurrar, mas não achou que JÁ estivesse na hora! Eles não chegaram a nos falar que as contrações estavam já nesse ritmo, acho que não acreditaram que estivesse evoluindo tão rápido.


Enfim... a Adriana queria um parto natural. E assim foi! Ela soube exatamente o que precisava fazer para ajudar seu filho a nascer... ouviu o seu corpo! E acreditou que conseguiria. Você é uma guerreira, minha amiga! Deus te fez uma mulher forte, você sabe disso. Agora, ainda mais... Nunca duvide de que você é capaz!

Adriano, amigo... “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Pv. 16:9). É assim, não é? Era assim que tinha que ser. Parabéns por, mais uma vez, ser o apoio que sua esposa precisava. E por confiar que ela era capaz, e saberia o que fazer!

Queridos amigos, vocês são um presente de Deus na minha vida! Juntos já vivemos muitas coisas lindas, mas certamente o nascimento do Davi é um momento que vou recordar pelo resto da minha vida! Que Deus os abençoe e lhes dê amor e sabedoria para essa nova jornada, que é ser pais de dois!



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Relato do nascimento do João Victor - parto natural domiciliar em Cascavel-PR

A Scheila sempre imaginou que ia fazer uma cesárea quando fosse ter um filho. Até ouvir histórias de partos naturais, que foram aos poucos mudando seus conceitos. Somos amigas desde 2003, e desde que me tornei doula (em 2010) sempre contei como aconteciam os partos que eu acompanhava, e ela foi se apaixonando. Quando ela engravidou, tinha certeza de que queria um parto natural. Começou a participar do GestaCascavel, apoiada pelo seu marido Nilson, que a incentivou e comprou a ideia junto com ela. Durante a gestação conversamos muito, falamos sobre o medo do parto, até que ele foi desaparecendo. Já com 8 meses, eles conheceram a enfermeira obstetra Honielly, e decidiram que o parto seria domiciliar.

Nas últimas semanas, bateu a ansiedade. Com 37 semanas ela já sentia bastante o peso na lombar, teve uma infecção no ouvido e uma crise alérgica muito forte, e sentiu vontade de desistir do parto. Pra que esperar mais??? Nessa hora, valeu muito o apoio das pessoas que estavam em volta. O marido, a mãe, o padrasto... todos lembraram-na do quanto ela havia se preparado para o parto, e do quanto ela queria que a hora do João fosse respeitada. Vale a pena esperar... Sim, vamos esperar!!

Com 39 semanas e 4 dias, às 20:20h da noite do dia 21/01/14, recebi a ligação tão esperada: a bolsa havia rompido!!!! =D As contrações ainda não haviam começado, então orientei ela a jantar, tomar um banho bem quentinho e ir deitar cedo, pra descansar, pois a qualquer momento o trabalho de parto iniciaria. Avisamos a Honielly, eu fui deitar, e disse que ela poderia me chamar assim que sentisse que precisava de ajuda. Mas quem disse que ela conseguiu dormir??? Rs! As contrações começaram por volta da 1:00h, ainda como cólicas, mas já desconfortáveis. Quando ela me ligou novamente eram 5:17am, ela ainda não tinha conseguido dormir. 


Cheguei junto com a Honi lá, as contrações ainda estavam espaçadas (a cada 4 minutos), e ela quis que fosse feito um toque: 3 cm de dilatação. Então, orientamos ela a se deitar e apagar a luz, pra tentar cochilar um pouco nos intervalos. O marido dela ficou com ela no quarto, e eu, a mãe dela, a Honi e a Heni fomos pra sala dormir (no sofá, coisa linda de ver! Rs!).

As contrações deram uma espaçada, o que foi ótimo, pois assim ela conseguiu descansar um pouco. Perto das 8h da manhã a mãe dela levantou pra fazer um café, eu fui comprar pão, e quando voltei, percebi que a Scheila estava novamente respirando mais forte durante as contrações, que tinham ritmado novamente. Fui no quarto, ela já estava sentada, dizendo que ficar deitada já estava ruim. Fomos pra mesa tomar um café da manhã, ela comeu, conversou, e se mostrava muito tranquila durante todo o tempo. Estava realmente feliz por estar em trabalho de parto... afinal, as contrações tão esperadas estavam acontecendo! Fomos sentar no quintal, ela ganhou massagem na lombar, curtiu o sol (que estava maravilhoso), e as contrações vinham suaves.

A Honielly fez um novo toque às 9h da manhã, e constatou que já havia 6 cm de dilatação no colo uterino. Porém... não sentia a fontanela posterior do João Victor (a “moleirinha”), sentia a testa, os olhos e o nariz! (aliás, nesse exame de toque, quando passou o dedo perto da boca do João ele MORDEU o dedo dela! Rs! Dá pra acreditar??). Significava que ele estava encaixado em uma posição não muito favorável para o nascimento, o que poderia prolongar muuuuito o trabalho de parto, ou até mesmo se tornar uma indicação de cesárea. Nesse primeiro momento, a Honi não quis assustar a Scheila, só falou pra ela que precisaríamos ajudar o João com algumas manobras, que facilitariam o encaixe e a descida dele. E assim fizemos.

Existem algumas manobras que auxiliam o bebê a “desencaixar” da pelve, o que abre uma possibilidade para que ele, ao encaixar novamente, o faça da maneira correta. Pra isso, a Scheila precisaria ficar uma hora em uma posição parecida com a de quatro apoios, mas com o peito encostado na cama, para que o quadril ficasse mais alto que o corpo, enquanto alternávamos movimentos no quadril nos intervalos entre as contrações. Se tudo desse certo, nas duas horas seguinte à manobra o João tentaria se encaixar novamente, agora do jeito certo.

Explicamos pra ela, ela concordou, e durante essa uma hora sentiu MESMO vontade de desistir, de não fazer mais manobra nenhuma. A posição não era a que ela queria naquele momento, mas ela fez um esforço graaaaaande pra conseguir ficar uma hora inteira. Quando terminamos a manobra já era quase uma hora, a Honi fez outro toque, e a dilatação e a apresentação do bebê continuavam iguais.

Nessa hora sentimos que o clima ficou tenso. Embora a apresentação de face seja muuuuuito rara (1 em cada 600 a 1200 nascimentos!), na semana anterior já tínhamos acompanhado outro caso semelhante, que acabou evoluindo pra uma cesárea. A Scheila conhecia a história da outra gestante, e sentiu tudo estava indo por água abaixo! Ela comeu alguma coisa e foi pro chuveiro, pediu pra ficar sozinha, e chorou. Depois ela me contou que viu um filme passar pela cabeça dela nessa hora... quantos planos já havia feito na vida, e sempre eles acabavam de um jeito diferente do que ela havia planejado!! Será que, MAIS UMA VEZ, ela ia sonhar com alguma coisa, e ia ter que se conformar com algo diferente??? (E, pra mim, foi nessa hora que o milagre aconteceu, hoje vejo isso!). Quando saiu do banho, com aquela expressão de desânimo, olhei bem firme nos olhos dela e disse que o caso dela era diferente: a apresentação o João estava folgada, ou seja, ele ainda tinha alguma chance pra tentar encaixar certinho (no outro caso, durante o exame de toque, a Honi sentia que o bebê não se movia nada durante a contração, e que era muuuito difícil tentar desencaixá-lo).

A Honielly sugeriu que fôssemos fazer um ultrassom, pra verificar exatamente qual era a variedade de apresentação do João, pra poder tentar alguma manobra diferente. Mas já avisou a Scheila que levasse as coisas dela e do bebê, porque, dependendo do resultado do exame, talvez já ficássemos no hospital. Lembro bem daquela hora... a Scheila entre uma contração e outra alternava roupinhas e lágrimas, e eu com o coração na mão, desejando poder fazer alguma coisa pra ajudar a resolver aquela situação... Enquanto íamos pro carro, a Scheila comentou algo sobre ter sentido vontade de empurrar durante a contração, mas ignorou, pois o último toque havia mostrado 6 cm, não era possível que já fossem puxos. Mas a vontade continuou no carro... as contrações haviam espaçado novamente com toda aquela adrenalina, mas continuavam bem intensas.

Chegamos na clínica às 14h. O obstetra dela havia chegado junto conosco e passou ela na frente das outras clientes. Antes mesmo de fazer o ultrassom resolveu fazer um exame de toque, e constatou: 8cm, e João encaixado!!!!! Nem foi preciso fazer o ultrassom. Mais uma vez ela chorou, mas agora por não acreditar no que estava acontecendo. Saímos de lá em festa! Além de poder voltar pra casa, agora ela já estava chegando perto... faltava só mais um pouco!!

Quando chegamos na casa dela, ela já sentia calor. Trocou as blusas de lã por um vestidinho de verão, colocamos umas músicas que ela gostava de colocar pro João ouvir durante a gestação (músicas de ninar da Aline Barros), e ela e o Nilson não desgrudaram mais. Namoraram, dançaram abraçadinhos, se olharam nos olhos... e as contrações voltaram a todo vapor! A avó paterna também chegou, e ficou junto com a outra vovó na cozinha, aguardando a hora do João chegar!


Enquanto a Honi e a Heni preparavam no quarto todo o material para o parto (umas 579 caixas de coisas! Rs!), a Scheila já sentia os puxos e tentava encontrar a melhor posição. Ficou um pouco em pé, tentou sentar na banqueta de parto, mas gostou mesmo da posição de quatro apoios em cima da cama. Ali no quarto deles, no ninho deles. Agora já não tinha mais medo, nem preocupações, nem nada: chegou no estágio de ACEITAÇÃO. As contrações doíam, mas ela as desejava cada vez mais, porque estava chegando a hora de conhecer o seu pequeno! “Vêm, filho... ”. As contrações vinham poderosas, com aquela força incontrolável, como ela nunca havia experimentado. E ela se entregou. Respirou fundo, apertou a mão do marido, da doula e de quem apareceu por perto!! Rs! E gritou. GRITOU. Não de desespero. Nem de dor. Eram gritos de libertação!!! Enfim, ia acontecer!!! Não, seus planos não iam dar errado de novo!! Estava chegando a hora!! Depois ela me contou que a cada grito que dava, sentia um alívio, parece que precisava daquilo!

Quando, enfim, vimos o João coroar, a Heni correu na cozinha e chamou as duas vovós, que entraram no quarto tão quietinhas que a Scheila nem percebeu sua presença (aliás, nessa hora, ela já estava na partolândia: estava tão concentrada em si mesma e no nascimento que nada que viesse de fora poderia fazê-la se distrair). Mais algumas contrações, e saiu a cabecinha... ele girou sozinho... ambiente tranquilo, ninguém com pressa, TODOS esperando que ela e o bebê fizessem aquilo sozinhos, como sua natureza mandava que acontecesse!

Até que a próxima contração viesse, expliquei pras vovós que ele não tinha risco de ficar sufocado, pois continuava recebendo oxigenação pelo cordão umbilical (porque vi a cara de preocupação delas com aquela cabecinha pra fora! Rs!)

Na próxima contração, ele escorregou para as mãos da Honi, logo ficou coradinho e chorou. Foi colocado no colo da Scheila, e de lá não saiu por um bom tempo. Nasceu às 16:15h do dia 22/07/14, com 3.380g, apgar 10/10. 

Nessa mesma hora também nasceu um pai. E uma mãe, que agora é uma nova mulher, que não tem mais medo de planejar, e acredita que seus sonhos podem se tornar realidade. E também aprendeu que, na maternidade, não dá pra controlarmos tudo... é preciso saber respeitar o tempo da criança, em todos os sentidos. Tempo para estar pronto pra nascer, tempo para depender exclusivamente da mãe, tempo para adormecer no colo, tempo para precisar de atenção integral... e assim por diante, pela vida toda!

O papai Nilson cortou o cordão. A Scheila amamentou o João na primeira meia hora.  Depois que ele adormeceu ela se levantou, foi tomar banho, e depois ganhou um café da tarde servido pelo marido na cama. Nem parecia que tinha acabado de parir.
A placenta demoroooooou pra sair (só pra deixar a parteira ligadona! rs!), aguardamos 3 horas até que ela saísse. A Scheila não tinha sangramento nenhum, o que nos permitiu aguardar o tempo que fosse necessário até a dequitação.

Houve uma laceração de grau 2 no períneo, a Honi suturou com alguns poucos pontinhos, e tudo certo. O ambiente da casa era de festa, e só saímos de lá às 9:30h da noite, depois do jantar preparado pela vovó Rosângela.


Scheila e Nilson... não sei nem expressar aqui em palavras o que vivi nesse dia. Presenciar esse momento tão maravilhoso da vida de vocês me fez amá-los ainda mais, e admirar ainda mais essa cumplicidade que vocês têm. Que Deus os abençoe em cada passo dessa deliciosa jornada que é a paternidade... e que o coração de vocês continue sempre impregnado das lembranças maravilhosas que o nascimento do João deixou! =D

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Relato do Nascimento do Samuel (Mayara e Leandro, 08/07/14)

Bebês demoram 40 semanas para nascerem, certo? Nem sempre!!

O Samuel provou isso. A mamãe Mayara e o papai Leandro desde sempre tinham no coração o desejo de respeitar o tempo do seu bebê, permitir que ele avisasse a hora que estava pronto para nascer. E assim foi.
Ainda lembro o dia que eu estava no mercado e recebi uma ligação emocionada do casal, contando que estavam grávidos. Que alegria!!  Eu e meu marido conhecemos a Mayara e o Leandro quando ainda nem namoravam, vimos eles ficarem noivos, testemunhamos seu casamento... e quando soubemos da gravidez, comemoramos e choramos com eles.

A Mayara sempre quis ter um parto normal, e sabia que, pra conseguir isso, precisava buscar informação. Participou de (quase) todos os encontros do GestaCascavel que aconteceram durante sua gestação (na verdade, ela começou a ir quando ainda era tentante! Rs!). Estava sentindo-se preparada.

A gestação foi tranqüila, as semanas se passaram, até que, quando ela estava com 37 semanas, começou a sentir pródromos (contrações irregulares que começam e param, ainda não são trabalho de parto). A ansiedade era inevitável... O Samuel já estava com 3 Kg nessa época, e chegamos a pensar que ele nasceria antes das 40 semanas mesmo. Mas as contrações não ritmaram, não era a hora ainda. A partir disso, cada dia que se passava deixava a expectativa: será que é hoje? Ela já estava sentindo bastante desconforto nas costas, no púbis (teve uma pubalgia), nos punhos (teve síndrome do túnel do carpo), já não conseguia dormir direito à noite... e chegou a duvidar se conseguiria manter a calma até que o Samuel quisesse nascer. Conforme a barriga foi ficando maior, os questionamentos das pessoas ficaram mais intensos: “ meu Deus, esse menino tá enorme! Quando é que vai nascer???”

Começou aí a experiência de superação.  Aquela Mayara, que se reconhecia ansiosa, foi aprendendo a esperar. Se afastou do trabalho, porque estava ficando difícil, e se viu obrigada a aprender a não fazer nada. Acalmar o ritmo. A mulher ativa e trabalhadora, que desde sempre foi independente e dona do próprio nariz, precisou ficar em casa, dedicar-se à preparar o ninho pro seu filhote. A cada dia, repetia pro Samuel que ele poderia nascer quando estivesse pronto, que ela respeitaria o tempo dele, e que mesmo querendo conhecê-lo logo, ela havia decidido ESPERAR. Decidiu não ter o controle sobre a situação. Quando passou das  40 semanas, teve que reafirmar isso várias vezes, todo dia, toda hora, pra não desistir. E não foi uma tarefa fácil. Mas foi assim que a Mayara conquistou o que precisava para tornar-se Mãe: entender que o respeito pelo seu pequeno grande Samuel era mais importante que a opinião dos outros, ou que a sua própria vontade.

E a gestação alcançou as 41 semanas. Mais um dia. Mais dois...

O TRABALHO DE PARTO

No dia 06/07, conversamos muuuuuito por mensagens. A Mayara me escreveu que entendia porque precisava esperar tanto. Deus estava trabalhando o coração dela, e tudo isso tinha transformado o seu jeito de ser. Ela estava tranqüila, e sentia-se pronta. Ainda brinquei com ela: “ Samuel, agora vc pode nascer! Vêm, bebê!”

Na madrugada do dia 07/07/14, com 41 semanas e 2 dias, às 4:21h, recebi a ligação mais esperada das últimas semanas. “Mari, estou tendo contrações faz mais de uma hora!! Estão bem espaçadas ainda, só liguei pra avisar”. Combinamos que, se tudo continuasse como estava, ela tentaria descansar, de manhã tomaria um café bem reforçado e conversaríamos novamente. E o dia todo foi assim. Contrações suaves, de 5 em 5 minutos.  À tarde, as contrações ficaram um pouco mais intensas, e às 4:30h ela me ligou pedindo  pra ir ficar com ela em casa.

Cheguei lá junto com a enfermeira obstetra Honielly, que o casal contratou pra assistir o nascimento. No primeiro toque, às 18:00h, ela tinha 2 cm de dilatação do colo do útero. O casal estava feliz demais. A Mayara era só sorrisos, afinal, depois de tanta espera, FINALMENTE, estava chegando a hora. Todo mundo estava tranquilo aguardando que o trabalho de parto ativo iniciasse (até a fotógrafa Kelly Donato, que estreou seu trabalho como fotógrafa de partos!), e o Leandro “profetizou”: vai ser às 20h! E assim foi: as contrações ritmaram (3 a cada 10 minutos) às 20:00h, exatamente. =D







 O trabalho de parto foi inesquecível. Um ambiente completamente relaxado, pouca luz, musiquinhas da preferência da gestante tocando, massagens na lombar, movimentos na bola, bolsa de água quente nas costas, muito amor e carinho pra esperar o Samuel...

Às 21:30h chegou a nossa janta (comida chinesa). Quase morremos de rir da Mayara, apurando pra engolir tudo rapidinho entre uma contração e outra (elas vinham a cada 3 minutos!). Quando vinha a contração ela levantava da cadeira, respirava, rebolava, e depois voltava a comer. =D Tranquilo assim, completamente dona da situação. Alternando entre chuveiro, bola, fotos, caminhada, conversas, risadas, histórias, mais fotos...
Meia noite a Honi fez outro toque, e constatou 5 cm. Disse que, ao tocar, sentia só a bolsa, que a cabeça do Samuel não estava pressionando o colo para forçar a dilatação. Isso porque a May tinha bastaaaante líquido (por isso o barrigão, né, May?), e que se a bolsa rompesse expontaneamente, as coisas andariam mais rápido. Eu e a Honi fomos pra sala e deixamos o casal no quarto pra que tentassem descansar um pouco (sim, dá pra cochilar entre uma contração e outra! rs!). A cama ficou desconfortável, e a May quis ir sentar na bola. O Leandro atrás dela amparando as suas costas, e rezando pra que a bolsa rompesse. Às 2:30h, ploft!! Ela rompeu (segundo o Leandro, saíram uns 3 litros de líquido amniótico! Hehehe!). Nova ausculta, coraçãozinho do Samuel ok, contrações agora vindo mais intensas, e todos com ânimo renovado! “Mayara, está pronta?” “Sim, Mari! Estou. E não tenho medo de nada!”.

Fomos pra cozinha, o Leandro passou um café, serviu umas bolachinhas e eu fiz um brigadeiro feito de chocolate meio amargo (que, cá entre nós, foi o melhor que já fiz! Hehe!).  E a madrugada foi chegando. 

3:30h a parteira e o marido foram (tentar) descansar um pouquinho, ficamos eu e a May na sala. Aquele momento, pra mim, vai ficar guardado pra sempre. A May sentia as contrações ficando mais intensas, e chorava de alegria dizendo “Mari, eu esperei tanto por esse momento, que parecia que ele não ia chegar nunca! E agora está acontecendo!”... Disse pra ela que ela tinha tudo o que precisava pra suportar tudo. Que a força estava dentro dela... Ouvimos Rosa Saragoza (Sabemos parir - https://www.youtube.com/watch?v=jC8lqAwBycs), choramos, sorrimos... sentimos que tudo estava caminhando como deveria ser! Deus estava cuidando de todos os detalhes, conforme havia prometido.

5:00h a Honi veio fazer um novo toque, constatou 8 cm de dilatação, mas sentiu que alguma coisa estava diferente. Ao tocar, não sentia as fontanelas do Samuel (a “moleira”). Sentia alguma outra parte da cabeça, que ainda não tinha conseguido identificar exatamente. Conversamos com a Mayara, e sugerimos ir para o hospital, pra então avaliar novamente e, se fosse o caso de variedade de posição mesmo, tentarmos algumas manobras para reposicionar.

A CHEGADA NO HOSPITAL

Chegamos às 6:00h, a Honi avaliou novamente, o obstetra também avaliou, e confirmou que a cabeça do Samuel estava “defletida” (não-fletida). Ou seja, no momento que a bolsa rompeu, ele desceu e não encaixou a cabeça como deveria, ele estava encaixado “de face”.  Na imagem abaixo, dá pra entender melhor:

A apresentação “A” é a posição mais comum, quando a cabeça do bebê está fletida. É mais fácil pro bebê sair quando a fontanela posterior está encaixadinha, pois o diâmetro da cabeça é menor assim. A Posição “B” é deflexão de 1 grau (ou bregmática), ou seja, quando se sente a fontanela anterior ao exame de toque, o que não inviabiliza o parto normal, apesar de o período expulsivo poder ser um pouco mais demorado.

O caso do Samuel foi algo entre a letra “D”, uma deflexão de 3 grau (ou de face), e “C” (de fronte). Nesse caso, o diâmetro pra passagem do bebê pela pelve tem que ser muito maior, então faz-se necessário uma atenção bem mais rigorosa e auxílio de manobras, ou mesmo o fórceps, e muitas vezes há a necessidade de cesárea mesmo. A incidência desta variedade de apresentação é de 1 a cada 600 a 1200 partos.

No caso do Samuel, como o batimento cardíaco dele sempre esteve ótimo, e a May estava muito bem também, optou-se por tentar algumas manobras para tentar corrigir o encaixe da cabeça. Posicionamos ela com o quadril mais alto que o tronco, fizemos algumas manobras, a Honi tentou ajudar com os dedos para que a cabeça de encaixasse, e o obstetra nos deu um prazo até as 11:30h. Ele voltou para avaliá-la, e concluiu que iríamos mesmo para a cesárea, já que a apresentação permanecia igual.

Claro que, na hora que o médico afirmou isso tão categoricamente, o casal chorou (nós também).  Era difícil aceitar que eles chegaram tão longe, venceram tantos medos, foram fortes contra tudo, superaram as contrações e o trabalho de parto, não se abateram em momento algum, e agora acabariam precisando de uma cesárea.

Mas sabedoria também é aprender com as dificuldades. Se eles estiveram sempre tão dispostos a respeitar o tempo do Samuel, era hora de respeitar a posição que ele estava. Da forma como ele se apresentou, não conseguiria sair sem ajuda, e era a hora de ajudá-lo. Eles aceitaram, e entenderam que a cirurgia era necessária. O Samuel nasceu bem, foi receber os primeiros cuidados pelo pediatra e logo foi levado pelo papai pra conhecer a mamãe. Ainda na sala de recuperação já mamou, e não desgrudou mais do colo da mamãe.

Alguém poderia pensar: “puxa, mas se ela passou por tudo isso, e acabou fazendo uma cesárea, não teria sido melhor já marcar a cirurgia de uma vez?”.

A Mayara sabe que não. Tudo foi perfeito. O Samuel estava pronto, estava acordado, participando do trabalho de parto, procurando um jeito de nascer! Deu todos os sinais de que sua hora havia chegado, e que estava pronto para respirar sozinho aqui fora. Teve tempo para amadurecer seu sistema nervoso, e seus pulmões amadureceram ainda mais durante o trabalho de parto. Recebeu toda a ocitocina que corria nas veias da mamãe, e estava inundado por ela quando nasceu, e pode se apaixonar facilmente por ela justamente por que teve seu processo respeitado. Além disso, permitiu ao papai e à mamãe viverem o momento mais intenso das suas vidas... passar juntos por um trabalho de parto! A cumplicidade que já existia entre os dois tornou-se sólida, e agora estão prontos para trilhar essa maravilhosa jornada que é a maternidade.

Eles têm consciência de tudo isso. Quando o obstetra determinou a cesárea, chorei ouvindo a Mayara dizer (ainda tendo contrações!): “eu não me arrependo de nada! Se tivessem me contado que seria assim, eu teria feito tudo de novo!”

Queridos... eu também teria feito tudo de novo! Só pra concluir, como vocês, que o Samuel nasceu de um parto humanizado!! Tão humanizado, que respeitou seu tempo e sua maneira de nascer.  Serei eternamente grata por poder vivenciar esse momento tão maravilhoso, que deixou marcas positivas em mim! =D

Deus continue os abençoando sempre... o Samuel vai crescer sabendo que o caminho que os pais dele escolheram é o de um Deus que nos ama e está sempre presente em todos os detalhes!

Créditos das fotos: Kelly Donato Fotografias 
(https://www.facebook.com/Kellydonatofotografias?fref=photo)


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Existe vida após o parto!



Pinta-se a maternidade como um mundo cor-de-rosa, maravilhoso, no qual tudo são flores. Certo? Já teve essa impressão?

Ninguém nunca havia me falado sobre a existência de um período difícil após a chegada de um bebê quando estive grávida pela primeira vez. No pós-parto, vivi momentos que me fizeram sentir " menas mãe", como se eu fosse desequilibrada, ou algo assim. Eu sentia uma certa "tristeza", que não tinha razão pra acontecer! Afinal, o que acontecia comigo??? Eu quis taaaaaaaanto ser mãe, e agora, com minha pequena nos braços, me via com crises de choro, sem vontade de receber visitas às vezes, sem paciência...

O que acontece??? Vamos conversar a respeito!

O puerpério é o nome dado à fase que experimentamos após o parto. Ele se estende até quando voltarmos a menstruar e ovular, o que pode levar, em média, 6 a 8 meses.

Em especial nos primeiros 40 dias, passamos por algumas modificações hormonais intensas em nosso corpo. Eu diria que a mais intensa de nossas vidas. E isso tudo culmina em alterações de humor, irritabilidade, vontade de chorar, indisposição... Eu costumo brincar que é como se juntássemos toda a TPM que economizamos durante a gestação. O resultado, algumas vezes, é percebido com bastante intensidade!

Some-se à isso noites mal dormidas, dificuldades para entender exatamente o que aquele serzinho tão pequeno está precisando, líquidos saindo por todos os lados... e têm-se a sensação de que nunca mais nossa vida voltará a ser a mesma.

O que fazer?

Primeiro, CALMA!! Tudo isso estava dentro do previsto, acredite. Lembre-se que é uma questão de tempo e que, em breve, seus hormônios estarão novamente equilibrados, prontos pra funcionar como sempre.

Permita-se chorar, quando essa for a necessidade! Por que não? Isso não significa que você não esteja feliz por ser mãe. Significa que está passando por uma fase de adaptação intensa e, como qualquer outra, tem suas dificuldades. Pra ganharmos alguma coisa, precisamos perder outra, e essas pequenas "perdas" somadas podem nos abalar SIM!

Quando estiver precisando dormir, ou ficar um pouco sozinha, ou tomar um banho tranquilo de 15 minutos sem se preocupar se o bebê vai chorar... peça ajuda! Algumas vezes queremos mostrar que conseguimos, que damos conta, afinal, nos preparamos pra isso! Mas qual o problema em dizer que precisa de ajuda?

Se informe!! Com uma googleada usando "baby blues", você descobre que não é a única a passar por tudo isso. Recomendo o livro da Laura Gutman "A maternidade e o encontro com a própria sombra", cuja leitura é imprescindível para qualquer mãe (e pai!) que deseja relacionar-se de forma mais segura e tranquila com seu bebê. Acho até que deveria vir junto com o bebê, serve como manual! Rs! Mais um texto que aborda o assunto, nesse link.

Vale lembrar que essas alterações, em geral, não significam que você esteja com depressão pós-parto. Contudo, se esses sintomas se estenderem por muito tempo (2 meses ou mais), é hora de buscar ajuda profissional.

Quando tudo passa, conseguimos perceber que, afinal, nem foi assim tãããão ruim... E, um dia, você descobre que a vida não volta a ser a mesma depois dos filhos. Ela fica melhor!!

Você já passou por isso? Partilhe conosco sua experiência!

Marieli
Fisioterapeuta e Doula
Mãe de duas