quarta-feira, 25 de abril de 2012
Relato de Amamentação Prolongada e Desmame Natural
terça-feira, 6 de março de 2012
Relato de parto da Renata - escrito por ela
Olá!
O relato de parto abaixo é da Renata, gestante que acompanhei no GestaCasscavel, mas não a acompanhei durante o trabalho de parto. Aliás, como vocês vão ver, quase não deu tempo nem pro médico acompanhar, hehehe! O parto dela foi normal hospitalar, e ela permitiu que eu postasse aqui pra inspirar muitas outras gravidinhas.
Segue o relato dela:
"As pessoas que me conheciam antes de eu engravidar, nunca acreditariam se eu dissesse que teria um parto normal. Eu não as culpo; eu mesma dizia não acreditava. “Eu, parto normal? Nunca. Morro de medo da dor.” Essa era eu antes de gestar a Sofia. Durante minha gestação, quando estava ainda no início, algo em mim mudou e sem uma explicação aparente resolvi que teria um parto normal, para surpresa e descrença de (quase) todos.
Minha gestação foi perfeita, sem nenhum contratempo, nada de atípico. O que indicava que meu parto também seria assim. E assim ele foi!
Domingo 15 de janeiro, foi um dia normal. Acordei, almocei, fiz tudo como eu sempre fazia. Por volta das 17 horas decidi fazer alguns exercícios na bola de pilates, pois já não os fazia há bastante tempo. O inchaço do meu corpo fazia com que eu sentisse uma preguiça imensa de realizar exercícios. Depois de alguns minutos na bola, retomei minhas atividades normais.
No início da noite, por volta das 19 horas percebi que o tampão mucoso havia começado a soltar. Contei ao meu marido, que me disse pra ficar tranquila. Conforme nós dois havíamos lido, o tampão mucoso podia soltar vários dias antes do parto. Durante o resto da noite, sempre que ia ao banheiro, percebia mais um pouco do tampão se soltando.Tomei banho e fiz alguns exercícios de agachamento debaixo do chuveiro. Ficamos acordados até meia-noite assistindo filmes. Como já estava tarde, não jantei, apenas comi uma fruta e fui dormir. Tudo parecia normal.
Acordei às 5 da manhã, fui ao banheiro. Sentia-me um pouco desconfortável, mas desconforto já fazia parte dos meus dias. Estava com 39 semanas e havia ganho 18 quilos, muitos desses eram pura água. Voltei a dormir normalmente.
Às 6 horas da manhã, acordei com dor. Fiquei na cama tentando entender o que estava acontecendo exatamente. Aquela dor era diferente da que eu imaginava que ia sentir. Meu obstetra havia me dito que o trabalho de parto não era algo que começaria com dores fortes e que eu apenas deveria ir para o hospital quando estivesse com contrações de 5 em 5 minutos. Então, fiquei tentado cronometrar essa dor, pra descobrir se era o trabalho de parto iniciando. Porém, as dores eram fortes e não percebia um espaçamento muito grande entre elas. Acordei meu marido e disse pra ele que tinha algo acontecendo. Relatei como me sentia e ele me disse “Não deve ser nada, deve ser uma cólica intestinal apenas, as dores não condizem com início do TP”. Tentei ficar calma e continuei deitada, com dores.
Por volta das 6:30 da manhã fui ao banheiro novamente. Percebi que tinha parado de fazer xixi, mas aparentemente o xixi continuou saindo, heheh. Ainda sentia dores fortes, que paravam por pouquíssimo tempo. Antes de me deitar novamente, coloquei uma toalha na cama. Que belíssima ideia! Depois de poucos minutos, senti líquido escorrendo pelas minhas pernas e disse pro meu marido “Ou eu fiz xixi na cama, ou a bolsa estourou”. Levantamos, acendemos a luz pra conferir e realmente havia liquido na toalha, bem pouco, o que fez a gente duvidar se era a bolsa mesmo. Tinha ouvido que quando a bolsa estourava, era líquido pra caramba!
Depois disso não consegui mais ficar deitada, coloquei a toalha na ponta da cama e ficava sentada ali, reclamando de dor. Nesse momento, ambos sabíamos o que estava acontecendo: a Sofia estava pedindo pra nascer.
A dor era muito intensa. Foi quando observei a presença de sangue, como se fosse menstruação. Isso me preocupou, pois não estava esperando dores tão fortes e nem sangue. Disse pro meu marido que se esse fosse o início do trabalho de parto, duvidava que conseguisse seguir a diante. Doía muito.
As 7 da manhã, liguei pro obstetra, Dr. Danilo Galetto. Me informaram que ele já estava no hospital Gênesis assistindo uma cirurgia. Pedi ao Julian para ligar no hospital e falar com ele enquanto eu tomava um banho quente pra tentar aliviar a dor.
Meu esposo falou com o Danilo que após ouvir o relato de como me sentia, pediu pra que fossemos para o hospital. Ele me examinaria assim que terminasse a cirurgia. Terminei o banho, precisei de ajuda pra me vestir (a dor era foooooorte demais!!!!), arrumei o cabelo (sim, lembrei de arrumar o cabelo, hehehe), pegamos as coisas que faltavam e fomos para o hospital. Eu continuava dizendo (gritando, talvez) para o Julian que eu não iria aguentar, a dor era intensa.
Chegamos ao hospital as 8:15 da manhã. Fui encaminhada para uma sala de avaliação. Lá pediram para eu colocar a roupa do hospital e deitar para ser examinada. Deitar era algo quase impossível de se fazer, doía muito mais deitada. Mas não tive opção. A enfermeira trouxe o sonar pra escutar os batimentos da Sofia e o sonar não funcionava. Não dava pra escutar nada além da rádio Capital FM. Ai que nervoso!!!
Depois veio uma médica pra fazer o toque. Terminado o toque eu pergunto “Como estou?” e sou surpreendida com “Você está com 9 cm”. Por essa eu não esperava! Meu marido pediu se a bolsa já tinha rompido e a médica disse: “A bolsa já rompeu, ela já dilatou, está nascendo, vamos para o centro cirúrgico.”.
Dali fui direto para o centro cirúrgico. O Julian foi se paramentar para poder me acompanhar. Ligaram para a pediatra, tiraram o Dr. Danilo da cirurgia que ele estava assistindo, pois não dava pra esperar. Já eram 8:40. Veio o sonar de novo e novamente ele não funcionou. O Danilo mandou buscar o sonar dele no consultório. Só nesse momentopudemos escutar o coração da Sofia e ter a certeza de que tudo estava bem.
Eu sentia muita dor, pedi ao Danilo que chamasse o anestesista, pois queria anestesia. E ele, me dizia que ia chamar, me dando corda... Foi apenas quando o Julian entrou no centro cirúrgico e eu pedi anestesia de novo que o obstetra disse “Renata, não dá tempo pra anestesia. Dentro de 10, 15 minutos ela vai nascer. Eu não vou a fazer nascer, você vai (pelo menos a cabeça, heheeh). Esse é o momento que você estava esperando. Agora, se concentre”.
Dali pra frente, me esforcei ao máximo pra me concentrar no nascimento da Sofia e não na dor que sentia. O Julian esteve do meu lado me apoiando o tempo todo. Entre uma contração e outra tentava ficar em silêncio, me recuperando. Gritei algumas vezes, mas de acordo com meu marido e o médico, não fui uma parturiente escandalosa. Após uma contração, o médico chamou o meu marido pra ver como o nascimento estava próximo, já dava pra ver os cabelinhos da Sofia.
Fiz força algumas vezes. Sinceramente, não sei quantas, perdi a noção do tempo, não cronometrei nada. Só me lembro do meu médico dizendo em determinado momento “Acho que na próxima contração, nasce. Quando vier a próxima contração, se concentra e força!” E assim foi. Na próxima contração, tranquei a respiração e fiz força, toda força que podia e a Sofia veio ao mundo! As 9:20 da manhã do dia 16 de janeiro nascia a nossa princesinha. Meu trabalho de parto durou exatas 3 horas e 20 minutos!!!! Muito, muito rápido para uma primigesta.
A Sofia nasceu saudável, com apgar 9/10 e linda demais! Após seu nascimento, O Julian a acompanhou nos primeiroscuidados e no primeiro banho. Eu fiquei no centro cirúrgico mais um pouco para a sutura da episiotomia, mas logo fui para o quarto receber minha princesa. Me sentia muito bem, pude almoçar normalmente, me levantei, tomei banho e caminhei. Sentia um desconforto por causa dos pontos, mas nada de dor.
As pessoas me perguntam se doeu muito e eu respondo que doeu sim, mas assim que o bebê nasce, a dor desaparece. Instantaneamente, como se fosse mágica.
E logo depois desta pergunta, me pedem se valeu a pena e se faria de novo. É claro que valeu muito a pena e faria tudo igual! Minha recuperação foi excelente, a amamentação foi estabelecida sem dificuldades, minha linda Sofia nasceu perfeita e cresce a cada dia, feliz e saudável! Que mais eu poderia querer?
Renata Prado Zambrim Carpenedo, mãe da Sofia, hoje com 48 dias.
04 de março de 2012."
sexta-feira, 2 de março de 2012
Relato do Parto da Carina
Numa manhã de sexta-feira (11/11/11, como o Eudecir havia “profetizado”), por volta das 7:30h, a Carina me ligou dizendo que estava em trabalho de parto desde a madrugada, mas que as contrações ainda estavam bem suaves. O Dr. Jesus já havia passado lá, a examinou, e disse que voltaria quando eles chamassem, pois tinha algumas consultar marcadas para a manhã. A Carina já tinha tomado um café da manhã bem reforçado, e iria dar uma caminhada com o marido por perto de casa. A irmã dela (a enfermeira Denise) já estava lá, havia feito um toque e a dilatação ainda estava bem inicial. Ela disse que eu ainda não precisava ir, e me ligaria assim que sentisse necessidade.
Ela me ligou novamente quase meio dia dizendo que as contrações continuavam bem suaves, mas que eu já poderia me organizar pra ir, pois haviam feito outro toque e já estava com 6 cm.
Cheguei lá 12:45h, e vejo ela, o marido e a irmã-enfermeira sentados almoçando. O clima era alegre, de festa, ninguém preocupado. Lembro que quando cheguei mais perto pra cumprimentar a Carina ela fez sinal com a mão pedindo pra eu esperar, abaixou a cabeça, fechou os olhos, respirou fundo... e depois me cumprimentou. Era uma contração...
Depois de todo mundo tomar um super suco de maracujá (pra ficarmos bem calminhos! Rs!) a Carina quis ir pro chuveiro, e o Eudecir foi junto com ela. Acho que ela ficou lá uns 30 minutos, deixei os 2 sozinhos pra aproveitarem um pouquinho esse momento. Eles mostravam uma sintonia incrível, lindo de ver. Como eu costumo dizer, os laços afetivos de marido e mulher nunca serão os mesmos depois de um trabalho de parto juntos!
Mais ou menos às 13:30h subi com eles pro quarto (eles moram num sobrado), a Carina deitou de lado na cama, e o Eudecir ficou segurando a mão dela. Quando vinha uma contração ela respirava fundo, tentando relaxar o corpo, apertava a mão do marido, e eu fazia massagens na coluna lombar pra ajudar a aliviar o desconforto.

Eu e o Eudecir ficamos ali no quarto em silêncio, junto com a Carina, vez em quando a irmã dela vinha avaliar o batimento cardíaco da Isabela, estava tudo sempre ótimo. Já passava das 14:00h quando o Dr. Jesus fez novo toque, e constatou que a dilatação já estava completa. Como o bebê ainda estava alto, ele sugeriu que a Carina se levantasse pra uma posição mais vertical, pra ajudar na descida do bebê.
O Dr. Jesus subiu novamente pra ver como as coisas estavam, novo toque, bebê mais baixo, e ela instintivamente já fazia força, sem que ninguém dissesse nada. A mãe da Carina chegou, deu um beijo nela, e ficou de longe observando tudo. Sugerimos a banqueta de parto, e o Eudecir ficou sentado atrás apoiando as costas da Carina. Lembro a hora que ele olhou no espelho e viu a Isabela coroando. Ele me olhou com aquela cara de alegria: “é a cabecinha dela?” – fiz sinal que sim, e ele renovou as forças, incentivando ainda mais a Carina. Só nessa hora é que o tampão mucoso saiu. E algumas contrações depois, nasceu a lindinha!!! Às 16:07h, com 3.450g e 49cm. Dr. Jesus estava de joelhos no chão, pegou a Isabela e já a entregou pro abraço da mãe. Foi uma alegria só, e aquela choradeira geral (inclusive a doula). Acho que o papai chorou mais que a Isabela, todo emocionado. Família completa, enfim! A bebê nasceu ótima, apgar 9/10, rosadinha e cabeluda!! Só deu um chorinho pra dizer que estava tudo bem, e logo se acalmou.
O Eudecir mesmo cortou o cordão umbilical. Alguns minutos depois a Isabela foi pro colo dele, enquanto o Dr. Jesus suturou o períneo da Carina (ele não fez episiotomia, a mucosa teve só uma laceração leve, precisou de 3 pontinhos externos). 
Carina, obrigada por me permitir participar desse dia tão especial na vida de vocês! Foi um presente pra mim acompanhar uma parturiente tão tranquila como você... Tenho certeza que você vai ser uma mãe maravilhosa, pois desde já tem sido muito consciente na hora de tomar as decisões sobre a sua maternidade! Parabéns pelo parto lindo! (e que venham outros... rs!)
Eudecir, você foi mesmo o “doulo” da Carina!! Que maravilha quando o marido está tão presente que a doula quase não faria falta... Sua segurança e tranquilidade desde a gestação foram essenciais pra dar suporte pra Carina. Ela não teria conseguido sem você... que Deus abençoe a família de vocês imensamente, e dê sempre a graça de descobrir aí o maior tesouro dessa vida!
Enfª. Denise, que bom te conhecer! Profissionais assim tão competentes e humanizados fazem falta pra muitas mulheres... Espero poder acompanhar muitos partos com você!! =D
Dr. Jesus, sua tranquilidade e experiência fazem toda a diferença. Fica muito claro nessas horas que a obstetrícia não é um interesse na sua vida, mas uma paixão!! Muito bom aprender com você.


Marieli
Fisioterapeuta e doula
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O medo pode atrapalhar o parto?
O assunto já foi tema de outro post, e gerou bastante discussão. O medo do parto ronda os pensamentos de grande parte das gestantes, e acaba influenciando na escolha da via de nascimento. Afinal... ele pode atrapalhar o parto?SIM. E muito.
A Fisiologia explica que o medo produz em nós uma descarga de adrenalina. Sabe aquele frio na barriga quando você está sozinho em casa e ouve um barulho? Essa é uma reação típica causada pela adrenalina. O coração bate mais rápido, as pupilas dilatam, a respiração se torna mais forte, e tudo no corpo se concentra no instinto de defesa, fica em estado de alerta e prontidão. Ela nos prepara para fugir, para correr, ou para tomarmos alguma atitude diante de um perigo (real ou imaginário). É um hormônio de proteção, e durante toda nossa evolução foi essencial para favorecer a sobrevivência da espécie.
O fato é que, durante o trabalho de parto (TP), ela não é bem-vinda. Não até que se chegue ao expulsivo. O hormônio que deve prevalecer durante o TP é a ocitocina, que é responsável por estimular o útero a se contrair. Ela é liberada no cérebro, e vai pela corrente sanguínea até o útero enviando as informações que vão controlar todo o processo de nascimento. E isso acontece instintivamente, sem que a mulher precise fazer nada. O próprio organismo se encarrega de tudo, se não for atrapalhado.
Quando a gestante sente medo (de qualquer forma, tipo ou causa) durante o trabalho de parto há liberação de adrenalina, que passa a competir com a ocitocina. O útero estava recebendo informações para se contrair e expulsar o bebê, mas o instinto de defesa fala pela adrenalina dizendo que é preciso se proteger, ficar alerta, fugir de algum perigo potencial. O resultado pode ser a redução dos efeitos da ocitocina, e até mesmo o seu bloqueio. A dilatação pára, as contrações param, e a gestante pode acabar precisando de uma cesárea.
Em uma situação normal, quando a parturiente está tranquila, ela só precisará da adrenalina no final do trabalho de parto, quando a dilatação estiver completa: o corpo enviará os estímulos para que ela fique alerta novamente, esteja atenta para receber o bebê que está prestes a nascer. Algumas parteiras experientes até relatam que quando a mulher está prestes a parir, é possível perceber suas pupilas dilatarem. É a descarga final de adrenalina.
O que fazer, então? Já comentamos sobre a necessidade de estar preparada para esse momento. E as rápidas consultas de pré-natal não conseguem cumprir esse objetivo. É preciso buscar bem mais. E encarar de frente: do que você tem medo? É preciso questionar-se, pra tentar encontrar maneiras de enfrentá-lo. A gestação, que é momento de preparar-se para ser mãe, também envolve a preparação para o parto. Ouça histórias de outros partos, imagine-se no seu grande dia... e tente identificar que situações te preocupam. Já conheci diversas gestantes que tinham muito medo, mas que assumiram para si mesmas essa condição e souberam buscar ajuda. Mais uma vez, a informação faz toda a diferença.
Outra solução que pode ajudar nesse sentido é de responsabilidade da equipe que atende o parto: esforçar-se ao máximo pra criar um ambiente propício para a mãe. Respeito, carinho, acolhimento, silêncio, privacidade... e muito apoio. Se ela sente medo de ficar sozinha, que alguém permaneça sempre com ela. Se ela sente medo de que algo dê errado, que a equipe reforce que tudo está indo bem, e ela está indo bem na sua caminhada. E por aí vai...
Pesquisando sobre o assunto, encontrei uma entrevista que o famoso obstetra francês Michel Odent concedeu ao jornal Gazeta do Povo, quando esteve no Brasil em abril desse ano. Vale dar uma passadinha pra conferir e saber mais sobre o assunto. Link da entrevista aqui.
Pra encerrar esse post que não acaba mais, lembrei de um fato que aconteceu comigo no fim da minha gravidez. Eu tinha me preparado muito, li tudo que pude sobre o parto, conversei com outras mulheres, li milhões de relatos de parto, e me sentia muito preparada. Quando estava de 38 semanas, eu e meu barrigão fomos com meu marido pra um retiro. Em uma das paredes tinha um pôster de Nossa Senhora com o menino Jesus no colo, e imediatamente lembrei-me de que ela também tinha vivido esse momento. Em pensamento pedi a Deus que cuidasse de tudo no meu parto, assim como tinha cuidado de tudo na minha vida até ali.
No momento do intervalo, sem mais nem menos, um senhor que estava sentado na minha frente virou-se pra trás e me disse assim: "olha, eu não sei por que estou te falando isso, mas Deus pediu pra eu te dizer que você não tenha medo do seu parto. Ele vai estar lá com você, e vai cuidar de tudo. Não tenha medo!" Nem precisa dizer que chorei um rio inteiro, né? Não, eu não tinha falado nada em voz alta, rezei sozinha... e entendi que Deus havia falado comigo.
Não sei qual a crença que você professa. Talvez você chame Deus de Cósmos, de Energia, de Natureza... Mas independente do nome que você dê a Ele, lembre que seu corpo foi criado perfeito. Você tem em si a capacidade de trazer seu filho ao mundo, e esse é um dom divino. Lembrar disso no seu trabalho de parto certamente te dará a força pra manter-se forte!!
Muita ocitocina pra você!
Imagem: daqui
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Falta de Dilatação
Mas, pra isso, tem algumas condições que devem ser respeitadas. Hoje perdeu-se de vista que o parto acontece basicamente sob o efeito de uma cascata de hormônios que são liberados no corpo da parturiente. O colo do útero só vai dilatar se os hormônios da mãe estiverem sendo liberados adequadamente para que o útero se contraia com eficiência. Em resumo, seria assim: hormônios -> contrações eficazes -> dilatação do colo uterino. Quanto mais hormônios liberados, mais eficazes as contrações, e mais dilatação, logo menos tempo de trabalho de parto (TP).
Pode acontecer, durante o TP, das contrações se apresentarem "ineficazes". Ou seja: estão tão fraquinhas que não são suficientes para forçar o colo do útero a se abrir. Elas podem ficar muito espaçadas , ou durar muito pouco tempo (só alguns segundos). Em geral, a conduta das equipes que assistem parto é a aplicação de hormônios sintéticos (o famoso "sorinho"), pra fazer as contrações ficarem mais fortes (e ficam mesmo!), e acelerarem o processo.
Mas o que não se fala, e não se estuda muito, é que o corpo da mulher tem, sim, capacidade de produzir seus próprios hormônios. Na natureza, nenhuma mamífera precisa de ocitocina sintética pra parir seus filhotes. Será que a nossa espécie é a única que está apresentando defeito?
Vamos observar como ocorre na natureza: as outras mamíferas costumam se afastar de tudo quando sentem que estão prestes a criar. Procuram um lugar seguro, quentinho e escuro para o momento do parto. Esse é o melhor ambiente pra liberação dos hormônios, que acontece naturalmente, sem precisar de ajuda alguma. É lógico imaginar que, se elas não tomassem esses cuidados, poderiam expor seus filhotes recém-nascidos aos perigos dos predadores. Tanto é que, se ela está em trabalho de parto e percebe que um predador a observa, seu corpo é capaz de "adiar" o trabalho de parto pra poder fugir. Os hormônios são bloqueados, a dilatação que estava ocorrendo pára, e ela vai se defender primeiro pra depois, em paz, retomar o processo todo.
Agora vamos observar uma gestante em TP: ela está num ambiente que não conhece, sendo observada por tudo e por todos (inclusive com poucas roupas), muitas vezes sentindo frio, com medo, às vezes sozinha, e, não raro, ouvindo palavras que não gostaria dos profissionais que a atendem. A cada 30 minutos entra um profissional diferente pra avaliá-la, fazer toque, e às vezes sem nem chamá-la pelo nome. "Mãezinha, deita que vamos fazer um toque!". E pra piorar a situação, muitas ainda precisam dividir o mesmo quarto com outra parturiente às vezes mais desesperada que ela.
Como é que se espera que o corpo funcione nessas condições?? É lógico que a sensação de um ambiente não acolhedor vai dar ao cérebro a informação para bloquear o trabalho de parto. É instinto de defesa. Afinal, somos mamíferas! Já acompanhei gestantes que estavam evoluindo lindamente no seu TP enquanto estavam em casa, mas o fato de chegar ao hospital "travou" tudo. O problema não é o hospital, mas o acolhimento (ou a falta dele).
Quem é que nunca ouviu a frase célebre: "eu não tive dilatação...".Tem algumas hipóteses aqui: ou não se esperou tempo suficiente pra que o corpo da mulher funcionasse (acontece muuuuuuuito!), ou a mulher tinha alguma patologia rara (rara mesmo!!) no colo do útero que o impedeiu de dilatar, ou... a gestante não estava se sentindo segura e acolhida! Fora isso, não existe colo do útero que simplesmente veio com defeito de fábrica e não dilata. Ele foi "projetado" pra ceder com as contrações, que só acontecem quando nossos amigos hormônios funcionam bem.
Como é que se melhora isso? Observando alguns cuidados básicos. Gestante em trabalho de parto precisa de:
*Segurança: ter um acompanhante que esteja seguro e confiante (e não que fique desesperando ainda mais a parturiente! rs!) ajuda muito, mas o essencial é que a mulher sinta que está sendo cuidada, amparada, protegida, e que o ambiente que vai receber seu filho é seguro.
Observando tudo isso, certamente o trabalho de parto poderá fluir mais naturalmente! E quanto mais deixarmos a natureza fazer sua parte, menos precisaremos intervir...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Como vencer o medo do parto?
Quando se questiona pra uma gestante por que ela quer fazer cesárea, a resposta muitas vezes é essa: "eu até queria parto normal, mas tenho muito medo!". Medo de sofrer, de doer muito, de morrer, de não conseguir... Não é a intenção desse post, mas se fôssemos falar em riscos, já está mais do que comprovado que deveríamos ter medo é de passar pela cirurgia cesariana, e não pelo parto. Então, discutiremos a questão do MEDO DA DOR DO PARTO.Tem uma palavra que define isso (e até tempos atrás eu achava meio "agressiva", mas hoje entendo o que ela quer dizer): EMPODERAMENTO. No "mundo materno" significa tomar para si as decisões, significa não esperar que outras pessoas façam por você o que só você deve fazer.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Cesárea Eletiva - Por que não?
Dizer que uma Cesárea foi "Eletiva" significa que ela não foi realizada por motivos de urgência e nem de emergência. Quer dizer que ela foi "agendada".Quando a gestante opta pela cirurgia cesariana, é costume já marcar a data do nascimento. Algumas vezes a escolha é feita por conveniência, pra que a futura mamãe saiba exatamente o dia que o bebê vai chegar, organizar o trabalho, fazer as unhas e a escova no cabelo... Já ouvi diversas histórias de mães que saíram da primeira consulta do pré-natal com a data da cesariana marcada!
Até aí, sem problemas (será?!?). Mas o que muitas não sabem é que marcar a data para retirar o bebê do útero é perigoso. Por vários motivos. O maior risco, que é assunto pra outro post, é claro que é a própria cesárea. Mas há também a possibilidade de o bebê ser retirado antes de estar completamente pronto. Existe até nome pra essa situação: "prematuridade iatrogênica" (ou seja, prematuridade causada por um erro no cálculo da idade gestacional).
Há uma cultura errônea sendo difundida (inclusive pelos meios de comunicação) de que um bebê de 37 semanas já está pronto pra nascer. Ele já está todo formado, possui todos os órgãos, então já poderia sobreviver fora do útero. O fato é que a partir das 37 semanas é que começa a ser produzida uma substância importantíssima para os pulmões do bebê, o "surfactante alveolar". Ele vai ajudar os pequeninos pulmões do bebê a se manterem abertos para a respiração. E esse processo só INICIA nessa fase. Não é a toa que a principal complicação apresentada nos bebês que nasceram antes da hora é respiratória.
Só para ilustrar, pesquisas apontam que a principal causa de internação nas UTI's neonatais de hospitais particulares é "imaturidade pulmonar". Seria coincidência?
Que a cesárea oferece mais riscos, todo mundo sabe. Segundo um estudo realizado com 56 mil puérperas na Suiça em 2004, cesarianas eletivas dobram o risco de mortalidade dos bebês em relação aos nascidos de parto natural.
Outro dia eu conversava com uma amiga minha muito amiga que mora no nordeste e queria ter um parto normal, mas estava com o bebê pélvico (sentado). Não é uma indicação absoluta de cesárea, mas quando não há um médico experiente pra fazer o parto, uma alternativa é optar pela cirurgia. Ela conversou com a obstetra que a acompanhava e pediu pra esperar o trabalho de parto começar, mas a médica arrumou milhões de motivos pra dizer que era mais conveniente marcar: ela não saberia a equipe que estaria no hospital quando chegasse, é melhor conhecer e escolher quem vai acompanhar... tudo pensando na CONVENIÊNCIA de agendar uma cirurgia. É claro que é mais fácil marcar pra um dia que a agenda esteja mais tranquila, mas nesses casos o que está sendo colocado em jogo é a segurança da mãe e do seu bebê!
Mas, se a mãe for fazer mesmo assim, o mínimo de cuidado para evitar complicações desnecessárias seria aguardar o início do trabalho de parto. O próprio Ministério da Saúde, manifestando-se sobre o assunto, orienta: "Para evitar a prematuridade iatrogênica, sugere-se que mesmo que seja programada uma cesárea desnecessária, a mãe espere entrar em trabalho de parto, pois esse seria um sinal de que o bebê está pronto para nascer." (Confira a matéria na íntegra aqui).
Aqui algumas gestantes podem argumentar: "mas eu já quero fazer cesárea pra não ter que passar pelo trabalho de parto, como fico?". Se a preocupação é com as contrações, relaxe: as primeiras são completamente suportáveis, e em geral iniciam com bastante espaço entre uma e outra. Dá tempo tranquilo pra você ligar pro seu médico, pegar suas coisas e ir pra sua cirurgia. Um punhadinho de contrações não mata ninguém, e evita um montão de possíveis complicações que podem custar muito mais depois.
No caso da minha amiga, a natureza "pregou uma peça" na médica. Mesmo agendando a cesárea pro meio da semana, a médica teve que ir pro hospital acompanhar minha amiga que entrou em trabalho de parto num sábado à noite... =D
Imagem: daqui
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Relato do parto da Adriana - escrito por ela
Meu parto
Comecei a sentir umas cólicas no dia 21/07/2011 em torno das 21 horas, depois elas foram aumentando aos poucos e começou a sair um pouquinho de sangue. Por volta das 22h30 meu marido Adriano chegou da faculdade e falei pra ele que estava sentindo umas dores. Ele ficou todo feliz que o Lucas já estava chegando... hehehe...
Quando foi umas 23h40 mais ou menos liguei pra minha querida amiga/irmã Marieli, que é doula, e falei pra ela o que estava sentindo. E ela, muito carinhosa e paciente como sempre, pediu pra que eu tivesse calma, tomasse um banho quente e demorado, comesse alguma coisa e tentasse descansar e relaxar, e qualquer coisa era pra voltar a ligar.
Segui todos os conselhos dela, mas relaxar parecia algo impossível com as contrações mais fortes. Tentava deitar e dormir um pouco, mas não dava certo... hehehe! Sentava, me agachava, segurava na parede, rebolava, tomei mais banho, fazia de tudo um pouco pra tentar aliviar, mas depois as contracões voltavam novamente.
E fui assim até as 4h30, quando decidi ligar pra Mari novamente. Daí conversamos e ela veio à minha casa. Trouxe a bola de fisioterapia pra eu sentar, e fazia massagem nas minhas costas quando as contrações vinham. A Mari sempre me lembrava que aquelas dores eram por amor ao Lucas... Ela e o Adriano começaram a controlar o tempo das contrações, e por volta das 6h00 fui ao banheiro, sentia vontade de fazer cocô. Quando fiz força a bolsa estourou, porém não saiu todo o líquido de uma vez. Tomei outro banho e fomos para o hospital.
Chegamos lá por volta das 6h40, o médico fez o toque e disse que já estava com 10cm de dilatação e que o Lucas já estava quase nascendo... e às 7h10 do dia 22/07/2011 nasceu o meu anjinho!
Foi tudo muito bom e maravilhoso, ter conseguido ficar em casa e aguentado a contrações, graças a ajuda da Mari. Pois eu sabia que se fosse para o hospital antes o médico ia querer fazer uma cesárea... e graças a Deus, quando chegamos ao hospital meu médico estava lá fazendo umas visitas a outras pacientes. Foi Deus e Nossa Senhora que abençoaram cada momento do meu parto!
Muito obrigada!
Bjus, Adri.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Afinal, o que é uma Doula?
· diminuir em 50% as taxas de cesárea
· diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
· diminuir em 60% os pedidos de anestesia
· diminuir em 40% o uso da oxitocina
· diminuir em 40% o uso de forceps.
O QUE A DOULA FAZ:
· Ajuda a gestante a refletir quais são seus desejos e medos, contribuindo para que a mulher se prepare física e emocionalmente para o parto.
· Além disso, indica leituras e artigos e auxilia na elaboração de um plano de parto.
Durante o trabalho de parto e parto
· Auxilia a mulher com técnicas não farmacológicas para alívio da dor, sugere posições para ajudar no bom desenvolvimento do trabalho de parto e posições para o parto, além de incentivar a parturiente a manter-se ativa durante todo o processo.
· Oferece apoio afetivo, físico e emocional não só à parturiente mas também ao seu companheiro.
Após o parto
· Oferece suporte para a nova família, ajudando-a a entender as mudanças que a chegada no novo membro traz ao lar.
Técnicas de apoio da doula
· Massagem;
· Visualizações;
· Toque tranqüilizante;
· Movimentos rítmicos;
· Respiração e relaxamento;
· Sons e vocalizações;
· Posturas alternadas (o parto é um evento assimétrico);
· Acupressura.
O que a Doula não faz:
· A Doula não faz exames, ausculta fetal e tampouco cuida da saúde do recém-nascido;
· Não presta suporte técnico. Sua única preocupação é com o bem estar físico, afetivo e emocional da mulher.
· Além disso, não discute procedimentos com a equipe responsável pelo parto, mas durante a gestação fornece informações para que a gestante faça suas escolhas e converse com os profissionais envolvidos;
O acompanhamento da Doula tem como finalidade ajudar a mulher a ter uma experiência positiva de parto, sentindo-se amparada e cuidada nesse momento único e especial.
Patricia Bortolotto
