quarta-feira, 25 de abril de 2012

Relato de Amamentação Prolongada e Desmame Natural


Desde sempre eu soube que iria amamentar minha filha por bastante tempo: PELO MENOS os 2 anos recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Dentro de mim eu tinha a convicção de que a amamentação daria certo, e pronto. Simples assim.

Algumas pessoas da família me questionavam o porquê que no enxoval dela não tinha mamadeira: “Mari, mas e se você não tiver leite????”. De verdade, NUNCA me preocupei com isso. Sei que o leite não é uma graça concedida pelo destino a algumas sortudas: depende de colocar o bebê pra mamar! Então, se eu colocasse o bebê pra mamar, teria leite (em 99% dos casos funciona assim).

Minha pequena nasceu de parto normal, mas infelizmente não consegui amamentá-la na primeira hora após o nascimento. O pediatra achou mais importante deixá-la em observação, por conta de ela ter demorado um pouquinho pra chorar, e só fui conhecê-la 3 horas depois. Nos primeiros dias, como às vezes acontece, ela não se interessou muito pelo seio, e preferia dormir a ficar mamando colostro. Depois que o leite desceu meeeesmo (no terceiro dia, como é de se esperar), ela mamou super bem. Não tive grandes problemas com a amamentação, fora uma mastite no primeiro mês, que cedeu rapidinho.

Até ela completar os 6 meses eu nunca complementei com nada a alimentação dela. Nem água, nem chá, nem outros tipos de leite. Depois disso comecei a introdução de frutas (essas ela aceitou logo de cara, qualquer uma!) e tentei introduzir uma papinha salgada por dia, mas ela só foi aceitar com quase 8 meses. Simplesmente gospia TUDO que eu colocava na boca dela, independente do que fosse. O pediatra só orientou pra continuar oferecendo a papinha uma vez por dia, mesmo que ela não comesse, e quando o organismo dela sentisse necessidade de alguma coisa a mais além do leite materno, ela iria aceitar. E assim foi: com 8 meses, do dia pra noite, ela resolveu que gostava de comida salgada, e passou a comer tudo que eu oferecia. Então, com 8 meses ela ficou com 2 papinhas salgadas (almoço e janta), uma fruta de manhã e uma à tarde. Além disso, era só leite materno, que continuou sendo a principal fonte da alimentação dela até ela completar um ano.

Sempre amamentei “em livre demanda”, ou seja: sem horários estipulados, sem controlar duração ou intervalos entre as mamadas. A hora que ela queria, eu dava. E segui assim até os 18 meses. Nessa época, comecei a conversar com ela sobre o mamá, e combinamos que, de agora em diante, ela só iria mamar pra dormir. Ela ainda fazia uma soneca de manhã e uma no fim da tarde, e tinha mais a mamada da noite. Então, ela mamava pelo menos 3 vezes ao dia. E se ela acordasse de madrugada, eu também oferecia o peito. Algumas vezes ela pediu pra mamar em outros horários que não os da soneca, e eu conversei novamente, expliquei que daria quando ela fosse dormir, e geralmente tudo se resolvia tranquilamente. Só abri algumas exceções quanto aos horários de mamar quando ela esteve doente (crise de alergia respiratória, ou gripe, ou uma virose...). E nessas horas eu agradecia por ainda estar amamentando, porque mesmo ficando alguns dias sem comer direito, o leite materno ela continuava aceitando muito bem, e nunca perdeu peso por isso.

Com o passar do tempo, ela foi crescendo, e passou a dormir só uma vez à tarde durante o dia, então mamava só nessa hora e pra dormir à noite. E depois que começou a ir pra escola (com 2 anos e 4 meses) ela deixou de dormir durante o dia, e a última mamada que restou foi a da noite. Nessa época engravidei novamente, e nunca pensei em desmamá-la por conta disso. (Antes que alguém pergunte, NÃO, não tem problema algum amamentar grávida. Não faz mal pra mãe, nem pro bebê que está sendo amamentado e nem pro que está no útero).

A essa altura, muita gente nem sabia que ela ainda mamava. A reação era sempre a mesma quando alguém tocava no assunto: “Nossa, mas ela AINDA mama???” (se ela mamasse na mamadeira seria normal pra você??), ou “nossa, mas você AINDA tem leite???” (dava vontade de dizer: tenho sim, quer ver?), ou (a piorrrrrrr!!!) “você AINDA não conseguiu desmamar ela????” (não, querida, eu nem tentei...). Enfim, que já amamentou por mais de 2 anos sabe do que eu estou falando. É ridículo, mas se uma criança de 3 ou 4 anos mama na mamadeira, todo mundo acha super normal. Mas se um bebê que já fala ou já anda for flagrado mamando no seio da sua mãe, vira assunto. E os comentários em geral não são estimulantes. Tem aqueles que tentam convencer a todo custo, e as ameaças são de todo tipo: “você vai ver como vai ser difícil pra desmamar ela! Ela já entende, e você não vai conseguir, por que a fulana e a cicrana fizeram de tudo, e blá blá blá...”.

Me obriguei a pensar sobre até quando amamentar. Isso nunca foi um peso pra mim, e nessa época uma mamada por dia não gerava o mínimo transtorno. Sem contar que até ajudava, a hora de dormir sempre era tranquila: boa noite pro papai, sentava no meu colo, mamava e dormia (em 5 ou 10 minutos). O que começou a gerar um pouco de preocupação foi o medo de que, quando eu desmamasse ela, talvez ela tentasse compensar isso chupando o dedo. Esqueci de comentar, mas com 4 meses ela “descobriu” o polegar direito, e desde então se eu tirasse ela do peito antes de ela ter dormido BEM (sabe quando o bebê fica “molinho”, já no terceiro sono?), ela colocava o polegar na boca. Isso era só na hora do sono, quando ela estava meio dormindo, durante o dia quase nunca aconteceu.

Mas com pouco mais de 2 anos comecei a perceber alguns sinais de que ela já estava se desligando aos poucos do mamá e da fase oral: ela já não colocava mais o dedo na boca, e várias vezes dormiu antes de mamar (enquanto eu tomava banho e ela brincava na cama com o papai, por exemplo: eu chegava no quarto e ela já tinha dormido sozinha). Nas nossas conversas ela também mostrava ter percebido que as priminhas maiores já eram mocinhas e não precisavam mais mamar pra dormir. E mostrava interesse por isso. Fui entendendo que ela estava se mostrando pronta pro desmame, talvez mais do que eu.

E um dia, numa conversa, combinamos que ela já era grandinha pra dormir no berço. Ela precisava de uma cama e, quando a cama nova chegasse, ela poderia dormir igual às priminhas mais velhas: sem mamar e sem chupar dedo. E ela concordou numa boa, mostrando ter gostado da ideia. Encomendamos a cama, demorou quase um mês pra chegar, e eu e meu marido aproveitamos esse tempo pra ir trabalhando com ela a ideia de dormir sem mamá. Repeti inúmeras vezes que eu a amava muito, que jamais deixaria de amá-la, que continuaria sendo a mamãe dela, que ela poderia ter meu colo quando quisesse, mas que quando a caminha chegasse, ela não precisaria mais mamar. E, nesse tempo, cada noite eu e ela curtimos muuuuuuito o nosso “momento amamentação”. Várias vezes me peguei com nó na garganta segurando ela dormindo no meu colo, pensando que esses momentos deveriam durar pra sempre...

E, um dia, quando a Fer estava com 2 anos e 8 meses, a cama chegou. Comprei um lençol rosa, como ela queria, ajeitei o quartinho, que ficou com cara de novo. E, à noite, fui fazê-la dormir como tínhamos combinado: escovamos os dentes, colocamos pijama, acendi o abajur do quarto, contei uma historinha, e deitei do lado dela. Fiquei fazendo carinho nos cabelos, e veio a pergunta que eu temia: “mamãe, posso mamar?” Mantive a minha posição, expliquei mais uma vez que ela não precisava mais mamar porque já era mocinha, e agora podia dormir sem o mamá. Ela virou pro lado, tentando dormir. Depois de algum tempo, mais uma vez a mesma pergunta, e de novo repeti a mesma resposta. Nessa hora meu marido entrou e se ofereceu pra ficar com ela, e achei que seria bom. Fui pro quarto tomar banho, ele ficou com ela, e quando voltei, ela já tinha dormido. Depois ele contou que ela pediu por mim algumas vezes, ele explicou que eu já voltaria, e ela fechava os olhinhos de novo, tentando dormir. E assim foi a primeira noite: bem melhor do que eu tinha imaginado.

E depois dessa noite, ela não pediu mais pra mamar antes de dormir. Eu ficava deitada na cama do ladinho dela, às vezes cantava, às vezes fazia massagem nos pezinhos (ela adora!!), às vezes ficava em silêncio... e ela dormia sem mamar. E a cada dia que passou fui confirmando no meu coração que ela realmente estava pronta pra isso. Não aconteceu nenhum escândalo por “não poder” mamar, não teve nenhum tipo de manifestação inesperada, e o meu medo não aconteceu: ela nunca mais colocou o polegar na boca. Ela se sentia extremamente realizada em poder contar pra vovó e pras tias que agora ela era “mocinha”, e dormia na caminha sem mamar e sem chupar dedo.

Em resumo, foram 2 anos e 8 meses de amamentação, sem nunca ter usado uma mamadeira e nem saber quanto custa uma lata de leite artificial. Não me preocupo em oferecer outro tipo de leite pra ela, só cuido pra que a alimentação seja a mais equilibrada possível, por causa do cálcio (NÃO, o leite não é essencial na nossa dieta: pergunte aos outros mamíferos se alguém toma leite depois do desmame?).

Hoje já fazem 4 meses que ela desmamou, e avalio nossa experiência como completamente positiva. Sinto muita tranquilidade quando penso em como as coisas aconteceram, acho que conseguimos completar nosso ciclo de amamentação da melhor forma possível. E encerramos sem traumas, nem pra mim (RS!). Me preparo agora pro nascimento da minha segunda filha, e tenho certeza que tudo vai acontecer naturalmente, como foi com a Fernanda. E, agora, me sinto ainda mais segura de que tenho mesmo que ouvir meus instintos, e não o conselho dos outros.

Marieli A. R. Marcioli
Mamãe da Fernanda (quaaaase 3 aninhos!) e gestando há 31 semanas

 Nossa primeira mamada em casa!!

A última foto que achei amamentando (Fernanda com 2 anos e 3 meses)

terça-feira, 6 de março de 2012

Relato de parto da Renata - escrito por ela

Olá!

O relato de parto abaixo é da Renata, gestante que acompanhei no GestaCasscavel, mas não a acompanhei durante o trabalho de parto. Aliás, como vocês vão ver, quase não deu tempo nem pro médico acompanhar, hehehe! O parto dela foi normal hospitalar, e ela permitiu que eu postasse aqui pra inspirar muitas outras gravidinhas.

Segue o relato dela:

"As pessoas que me conheciam antes de eu engravidar, nunca acreditariam se eu dissesse que teria um parto normal. Eu não as culpo; eu mesma dizia não acreditava. “Eu, parto normal? Nunca. Morro de medo da dor.” Essa era eu antes de gestar a Sofia. Durante minha gestação, quando estava ainda no início, algo em mim mudou e sem uma explicação aparente resolvi que teria um parto normal, para surpresa e descrença de (quase) todos.

Minha gestação foi perfeita, sem nenhum contratempo, nada de atípico. O que indicava que meu parto também seria assim. E assim ele foi!

Domingo 15 de janeiro, foi um dia normal. Acordei, almocei, fiz tudo como eu sempre fazia. Por volta das 17 horas decidi fazer alguns exercícios na bola de pilates, pois já não os fazia há bastante tempo. O inchaço do meu corpo fazia com que eu sentisse uma preguiça imensa de realizar exercícios. Depois de alguns minutos na bola, retomei minhas atividades normais.

No início da noite, por volta das 19 horas percebi que o tampão mucoso havia começado a soltar. Contei ao meu marido, que me disse pra ficar tranquila. Conforme nós dois havíamos lido, o tampão mucoso podia soltar vários dias antes do parto. Durante o resto da noite, sempre que ia ao banheiro, percebia mais um pouco do tampão se soltando.Tomei banho e fiz alguns exercícios de agachamento debaixo do chuveiro. Ficamos acordados até meia-noite assistindo filmes. Como já estava tarde, não jantei, apenas comi uma fruta e fui dormir. Tudo parecia normal.

Acordei às 5 da manhã, fui ao banheiro. Sentia-me um pouco desconfortável, mas desconforto já fazia parte dos meus dias. Estava com 39 semanas e havia ganho 18 quilos, muitos desses eram pura água. Voltei a dormir normalmente.

Às 6 horas da manhã, acordei com dor. Fiquei na cama tentando entender o que estava acontecendo exatamente. Aquela dor era diferente da que eu imaginava que ia sentir. Meu obstetra havia me dito que o trabalho de parto não era algo que começaria com dores fortes e que eu apenas deveria ir para o hospital quando estivesse com contrações de 5 em 5 minutos. Então, fiquei tentado cronometrar essa dor, pra descobrir se era o trabalho de parto iniciando. Porém, as dores eram fortes e não percebia um espaçamento muito grande entre elas. Acordei meu marido e disse pra ele que tinha algo acontecendo. Relatei como me sentia e ele me disse “Não deve ser nada, deve ser uma cólica intestinal apenas, as dores não condizem com início do TP”. Tentei ficar calma e continuei deitada, com dores.

Por volta das 6:30 da manhã fui ao banheiro novamente. Percebi que tinha parado de fazer xixi, mas aparentemente o xixi continuou saindo, heheh. Ainda sentia dores fortes, que paravam por pouquíssimo tempo. Antes de me deitar novamente, coloquei uma toalha na cama. Que belíssima ideia! Depois de poucos minutos, senti líquido escorrendo pelas minhas pernas e disse pro meu marido “Ou eu fiz xixi na cama, ou a bolsa estourou”. Levantamos, acendemos a luz pra conferir e realmente havia liquido na toalha, bem pouco, o que fez a gente duvidar se era a bolsa mesmo. Tinha ouvido que quando a bolsa estourava, era líquido pra caramba!

Depois disso não consegui mais ficar deitada, coloquei a toalha na ponta da cama e ficava sentada ali, reclamando de dor. Nesse momento, ambos sabíamos o que estava acontecendo: a Sofia estava pedindo pra nascer.

A dor era muito intensa. Foi quando observei a presença de sangue, como se fosse menstruação. Isso me preocupou, pois não estava esperando dores tão fortes e nem sangue. Disse pro meu marido que se esse fosse o início do trabalho de parto, duvidava que conseguisse seguir a diante. Doía muito.

As 7 da manhã, liguei pro obstetra, Dr. Danilo Galetto. Me informaram que ele já estava no hospital Gênesis assistindo uma cirurgia. Pedi ao Julian para ligar no hospital e falar com ele enquanto eu tomava um banho quente pra tentar aliviar a dor.

Meu esposo falou com o Danilo que após ouvir o relato de como me sentia, pediu pra que fossemos para o hospital. Ele me examinaria assim que terminasse a cirurgia. Terminei o banho, precisei de ajuda pra me vestir (a dor era foooooorte demais!!!!), arrumei o cabelo (sim, lembrei de arrumar o cabelo, hehehe), pegamos as coisas que faltavam e fomos para o hospital. Eu continuava dizendo (gritando, talvez) para o Julian que eu não iria aguentar, a dor era intensa.

Chegamos ao hospital as 8:15 da manhã. Fui encaminhada para uma sala de avaliação. Lá pediram para eu colocar a roupa do hospital e deitar para ser examinada. Deitar era algo quase impossível de se fazer, doía muito mais deitada. Mas não tive opção. A enfermeira trouxe o sonar pra escutar os batimentos da Sofia e o sonar não funcionava. Não dava pra escutar nada além da rádio Capital FM. Ai que nervoso!!!

Depois veio uma médica pra fazer o toque. Terminado o toque eu pergunto “Como estou?” e sou surpreendida com “Você está com 9 cm”. Por essa eu não esperava! Meu marido pediu se a bolsa já tinha rompido e a médica disse: “A bolsa já rompeu, ela já dilatou, está nascendo, vamos para o centro cirúrgico.”.

Dali fui direto para o centro cirúrgico. O Julian foi se paramentar para poder me acompanhar. Ligaram para a pediatra, tiraram o Dr. Danilo da cirurgia que ele estava assistindo, pois não dava pra esperar. Já eram 8:40. Veio o sonar de novo e novamente ele não funcionou. O Danilo mandou buscar o sonar dele no consultório. Só nesse momentopudemos escutar o coração da Sofia e ter a certeza de que tudo estava bem.

Eu sentia muita dor, pedi ao Danilo que chamasse o anestesista, pois queria anestesia. E ele, me dizia que ia chamar, me dando corda... Foi apenas quando o Julian entrou no centro cirúrgico e eu pedi anestesia de novo que o obstetra disse “Renata, não dá tempo pra anestesia. Dentro de 10, 15 minutos ela vai nascer. Eu não vou a fazer nascer, você vai (pelo menos a cabeça, heheeh). Esse é o momento que você estava esperando. Agora, se concentre”.

Dali pra frente, me esforcei ao máximo pra me concentrar no nascimento da Sofia e não na dor que sentia. O Julian esteve do meu lado me apoiando o tempo todo. Entre uma contração e outra tentava ficar em silêncio, me recuperando. Gritei algumas vezes, mas de acordo com meu marido e o médico, não fui uma parturiente escandalosa. Após uma contração, o médico chamou o meu marido pra ver como o nascimento estava próximo, já dava pra ver os cabelinhos da Sofia.

Fiz força algumas vezes. Sinceramente, não sei quantas, perdi a noção do tempo, não cronometrei nada. Só me lembro do meu médico dizendo em determinado momento “Acho que na próxima contração, nasce. Quando vier a próxima contração, se concentra e força!” E assim foi. Na próxima contração, tranquei a respiração e fiz força, toda força que podia e a Sofia veio ao mundo! As 9:20 da manhã do dia 16 de janeiro nascia a nossa princesinha. Meu trabalho de parto durou exatas 3 horas e 20 minutos!!!! Muito, muito rápido para uma primigesta.

A Sofia nasceu saudável, com apgar 9/10 e linda demais! Após seu nascimento, O Julian a acompanhou nos primeiroscuidados e no primeiro banho. Eu fiquei no centro cirúrgico mais um pouco para a sutura da episiotomia, mas logo fui para o quarto receber minha princesa. Me sentia muito bem, pude almoçar normalmente, me levantei, tomei banho e caminhei. Sentia um desconforto por causa dos pontos, mas nada de dor.

As pessoas me perguntam se doeu muito e eu respondo que doeu sim, mas assim que o bebê nasce, a dor desaparece. Instantaneamente, como se fosse mágica.

E logo depois desta pergunta, me pedem se valeu a pena e se faria de novo. É claro que valeu muito a pena e faria tudo igual! Minha recuperação foi excelente, a amamentação foi estabelecida sem dificuldades, minha linda Sofia nasceu perfeita e cresce a cada dia, feliz e saudável! Que mais eu poderia querer?

Renata Prado Zambrim Carpenedo, mãe da Sofia, hoje com 48 dias.

04 de março de 2012."

sexta-feira, 2 de março de 2012

Relato do Parto da Carina


A Carina é dessas mulheres fortes, bem decididas e com opinião formada. Nos conhecemos nos encontros do GestaCascavel, ela e o marido Eudecir participaram assiduamente desde as 28 semanas. Logo eles me contaram sobre os planos de parto domiciliar, e acertamos que eu os acompanharia, junto com o Dr. Jesus e a irmã da Carina, a Denise. Fui algumas vezes na casa deles, conversamos sobre o plano de parto, falamos sobre os medos e dúvidas, comemos pipoca, tomamos chimarrão (rs!) e deixamos tudo combinado.


Numa manhã de sexta-feira (11/11/11, como o Eudecir havia “profetizado”), por volta das 7:30h, a Carina me ligou dizendo que estava em trabalho de parto desde a madrugada, mas que as contrações ainda estavam bem suaves. O Dr. Jesus já havia passado lá, a examinou, e disse que voltaria quando eles chamassem, pois tinha algumas consultar marcadas para a manhã. A Carina já tinha tomado um café da manhã bem reforçado, e iria dar uma caminhada com o marido por perto de casa. A irmã dela (a enfermeira Denise) já estava lá, havia feito um toque e a dilatação ainda estava bem inicial. Ela disse que eu ainda não precisava ir, e me ligaria assim que sentisse necessidade.


Ela me ligou novamente quase meio dia dizendo que as contrações continuavam bem suaves, mas que eu já poderia me organizar pra ir, pois haviam feito outro toque e já estava com 6 cm.
Cheguei lá 12:45h, e vejo ela, o marido e a irmã-enfermeira sentados almoçando. O clima era alegre, de festa, ninguém preocupado. Lembro que quando cheguei mais perto pra cumprimentar a Carina ela fez sinal com a mão pedindo pra eu esperar, abaixou a cabeça, fechou os olhos, respirou fundo... e depois me cumprimentou. Era uma contração...


Depois de todo mundo tomar um super suco de maracujá (pra ficarmos bem calminhos! Rs!) a Carina quis ir pro chuveiro, e o Eudecir foi junto com ela. Acho que ela ficou lá uns 30 minutos, deixei os 2 sozinhos pra aproveitarem um pouquinho esse momento. Eles mostravam uma sintonia incrível, lindo de ver. Como eu costumo dizer, os laços afetivos de marido e mulher nunca serão os mesmos depois de um trabalho de parto juntos!


Mais ou menos às 13:30h subi com eles pro quarto (eles moram num sobrado), a Carina deitou de lado na cama, e o Eudecir ficou segurando a mão dela. Quando vinha uma contração ela respirava fundo, tentando relaxar o corpo, apertava a mão do marido, e eu fazia massagens na coluna lombar pra ajudar a aliviar o desconforto.


Nessa hora ela já estava se concentrando mais, não queria conversar muito. Logo o Dr. Jesus chegou, com um maço de revistas embaixo do braço. Examinou a Carina novamente, ela já estava com 8cm. Ele ficou lá na sala lendo e avisou que, se precisássemos, era pra chamar.
Eu e o Eudecir ficamos ali no quarto em silêncio, junto com a Carina, vez em quando a irmã dela vinha avaliar o batimento cardíaco da Isabela, estava tudo sempre ótimo. Já passava das 14:00h quando o Dr. Jesus fez novo toque, e constatou que a dilatação já estava completa. Como o bebê ainda estava alto, ele sugeriu que a Carina se levantasse pra uma posição mais vertical, pra ajudar na descida do bebê.


Nessa hora as mudanças de posição já eram mais complicadas, as contrações estavam próximas e bem intensas. A Carina quis ficar sentada sobre a bola, de frente para o Eudecir. Durante a contração ela pedia a massagem na lombar e respirava bem forte. Depois de um tempo ela sentiu vontade de sair da bola, e se ajeitou de joelhos no chão sobre travesseiros, apoiada na cama. Quando o desconforto aumentava, eu a lembrava que ela já estava no final, que a Isabela já estava chegando, que ela só precisava ser forte mais um pouquinho e logo conheceria a sua princesa!
O Dr. Jesus subiu novamente pra ver como as coisas estavam, novo toque, bebê mais baixo, e ela instintivamente já fazia força, sem que ninguém dissesse nada. A mãe da Carina chegou, deu um beijo nela, e ficou de longe observando tudo. Sugerimos a banqueta de parto, e o Eudecir ficou sentado atrás apoiando as costas da Carina. Lembro a hora que ele olhou no espelho e viu a Isabela coroando. Ele me olhou com aquela cara de alegria: “é a cabecinha dela?” – fiz sinal que sim, e ele renovou as forças, incentivando ainda mais a Carina.


Só nessa hora é que o tampão mucoso saiu. E algumas contrações depois, nasceu a lindinha!!! Às 16:07h, com 3.450g e 49cm. Dr. Jesus estava de joelhos no chão, pegou a Isabela e já a entregou pro abraço da mãe. Foi uma alegria só, e aquela choradeira geral (inclusive a doula). Acho que o papai chorou mais que a Isabela, todo emocionado. Família completa, enfim! A bebê nasceu ótima, apgar 9/10, rosadinha e cabeluda!! Só deu um chorinho pra dizer que estava tudo bem, e logo se acalmou.
O Eudecir mesmo cortou o cordão umbilical. Alguns minutos depois a Isabela foi pro colo dele, enquanto o Dr. Jesus suturou o períneo da Carina (ele não fez episiotomia, a mucosa teve só uma laceração leve, precisou de 3 pontinhos externos).


Auxiliei na primeira mamada, tirei algumas fotinhas da família linda, e fui embora tomada pela alegria daquele momento.


Carina, obrigada por me permitir participar desse dia tão especial na vida de vocês! Foi um presente pra mim acompanhar uma parturiente tão tranquila como você... Tenho certeza que você vai ser uma mãe maravilhosa, pois desde já tem sido muito consciente na hora de tomar as decisões sobre a sua maternidade! Parabéns pelo parto lindo! (e que venham outros... rs!)


Eudecir, você foi mesmo o “doulo” da Carina!! Que maravilha quando o marido está tão presente que a doula quase não faria falta... Sua segurança e tranquilidade desde a gestação foram essenciais pra dar suporte pra Carina. Ela não teria conseguido sem você... que Deus abençoe a família de vocês imensamente, e dê sempre a graça de descobrir aí o maior tesouro dessa vida!

Enfª. Denise, que bom te conhecer! Profissionais assim tão competentes e humanizados fazem falta pra muitas mulheres... Espero poder acompanhar muitos partos com você!! =D

Dr. Jesus, sua tranquilidade e experiência fazem toda a diferença. Fica muito claro nessas horas que a obstetrícia não é um interesse na sua vida, mas uma paixão!! Muito bom aprender com você.

A estrelinha da festa!

Só alegria...
Marieli
Fisioterapeuta e doula

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O medo pode atrapalhar o parto?

O assunto já foi tema de outro post, e gerou bastante discussão. O medo do parto ronda os pensamentos de grande parte das gestantes, e acaba influenciando na escolha da via de nascimento. Afinal... ele pode atrapalhar o parto?

SIM. E muito.

A Fisiologia explica que o medo produz em nós uma descarga de adrenalina. Sabe aquele frio na barriga quando você está sozinho em casa e ouve um barulho? Essa é uma reação típica causada pela adrenalina. O coração bate mais rápido, as pupilas dilatam, a respiração se torna mais forte, e tudo no corpo se concentra no instinto de defesa, fica em estado de alerta e prontidão. Ela nos prepara para fugir, para correr, ou para tomarmos alguma atitude diante de um perigo (real ou imaginário). É um hormônio de proteção, e durante toda nossa evolução foi essencial para favorecer a sobrevivência da espécie.

O fato é que, durante o trabalho de parto (TP), ela não é bem-vinda. Não até que se chegue ao expulsivo. O hormônio que deve prevalecer durante o TP é a ocitocina, que é responsável por estimular o útero a se contrair. Ela é liberada no cérebro, e vai pela corrente sanguínea até o útero enviando as informações que vão controlar todo o processo de nascimento. E isso acontece instintivamente, sem que a mulher precise fazer nada. O próprio organismo se encarrega de tudo, se não for atrapalhado.

Quando a gestante sente medo (de qualquer forma, tipo ou causa) durante o trabalho de parto há liberação de adrenalina, que passa a competir com a ocitocina. O útero estava recebendo informações para se contrair e expulsar o bebê, mas o instinto de defesa fala pela adrenalina dizendo que é preciso se proteger, ficar alerta, fugir de algum perigo potencial. O resultado pode ser a redução dos efeitos da ocitocina, e até mesmo o seu bloqueio. A dilatação pára, as contrações param, e a gestante pode acabar precisando de uma cesárea.

Em uma situação normal, quando a parturiente está tranquila, ela só precisará da adrenalina no final do trabalho de parto, quando a dilatação estiver completa: o corpo enviará os estímulos para que ela fique alerta novamente, esteja atenta para receber o bebê que está prestes a nascer. Algumas parteiras experientes até relatam que quando a mulher está prestes a parir, é possível perceber suas pupilas dilatarem. É a descarga final de adrenalina.

O que fazer, então? Já comentamos sobre a necessidade de estar preparada para esse momento. E as rápidas consultas de pré-natal não conseguem cumprir esse objetivo. É preciso buscar bem mais. E encarar de frente: do que você tem medo? É preciso questionar-se, pra tentar encontrar maneiras de enfrentá-lo. A gestação, que é momento de preparar-se para ser mãe, também envolve a preparação para o parto. Ouça histórias de outros partos, imagine-se no seu grande dia... e tente identificar que situações te preocupam. Já conheci diversas gestantes que tinham muito medo, mas que assumiram para si mesmas essa condição e souberam buscar ajuda. Mais uma vez, a informação faz toda a diferença.

Outra solução que pode ajudar nesse sentido é de responsabilidade da equipe que atende o parto: esforçar-se ao máximo pra criar um ambiente propício para a mãe. Respeito, carinho, acolhimento, silêncio, privacidade... e muito apoio. Se ela sente medo de ficar sozinha, que alguém permaneça sempre com ela. Se ela sente medo de que algo dê errado, que a equipe reforce que tudo está indo bem, e ela está indo bem na sua caminhada. E por aí vai...

Pesquisando sobre o assunto, encontrei uma entrevista que o famoso obstetra francês Michel Odent concedeu ao jornal Gazeta do Povo, quando esteve no Brasil em abril desse ano. Vale dar uma passadinha pra conferir e saber mais sobre o assunto. Link da entrevista aqui.

Pra encerrar esse post que não acaba mais, lembrei de um fato que aconteceu comigo no fim da minha gravidez. Eu tinha me preparado muito, li tudo que pude sobre o parto, conversei com outras mulheres, li milhões de relatos de parto, e me sentia muito preparada. Quando estava de 38 semanas, eu e meu barrigão fomos com meu marido pra um retiro. Em uma das paredes tinha um pôster de Nossa Senhora com o menino Jesus no colo, e imediatamente lembrei-me de que ela também tinha vivido esse momento. Em pensamento pedi a Deus que cuidasse de tudo no meu parto, assim como tinha cuidado de tudo na minha vida até ali.

No momento do intervalo, sem mais nem menos, um senhor que estava sentado na minha frente virou-se pra trás e me disse assim: "olha, eu não sei por que estou te falando isso, mas Deus pediu pra eu te dizer que você não tenha medo do seu parto. Ele vai estar lá com você, e vai cuidar de tudo. Não tenha medo!" Nem precisa dizer que chorei um rio inteiro, né? Não, eu não tinha falado nada em voz alta, rezei sozinha... e entendi que Deus havia falado comigo.

Não sei qual a crença que você professa. Talvez você chame Deus de Cósmos, de Energia, de Natureza... Mas independente do nome que você dê a Ele, lembre que seu corpo foi criado perfeito. Você tem em si a capacidade de trazer seu filho ao mundo, e esse é um dom divino. Lembrar disso no seu trabalho de parto certamente te dará a força pra manter-se forte!!

Muita ocitocina pra você!

Imagem: daqui

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Falta de Dilatação


Nesses últimos dias andei conversando com algumas amigas grávidas e recém-mamães sobre o assunto, e chegamos juntas a uma conclusão: uma gestante bem preparada pode ter um parto mais rápido e tranquilo.

Mas, pra isso, tem algumas condições que devem ser respeitadas. Hoje perdeu-se de vista que o parto acontece basicamente sob o efeito de uma cascata de hormônios que são liberados no corpo da parturiente. O colo do útero só vai dilatar se os hormônios da mãe estiverem sendo liberados adequadamente para que o útero se contraia com eficiência. Em resumo, seria assim: hormônios -> contrações eficazes -> dilatação do colo uterino. Quanto mais hormônios liberados, mais eficazes as contrações, e mais dilatação, logo menos tempo de trabalho de parto (TP).

Pode acontecer, durante o TP, das contrações se apresentarem "ineficazes". Ou seja: estão tão fraquinhas que não são suficientes para forçar o colo do útero a se abrir. Elas podem ficar muito espaçadas , ou durar muito pouco tempo (só alguns segundos). Em geral, a conduta das equipes que assistem parto é a aplicação de hormônios sintéticos (o famoso "sorinho"), pra fazer as contrações ficarem mais fortes (e ficam mesmo!), e acelerarem o processo.

Mas o que não se fala, e não se estuda muito, é que o corpo da mulher tem, sim, capacidade de produzir seus próprios hormônios. Na natureza, nenhuma mamífera precisa de ocitocina sintética pra parir seus filhotes. Será que a nossa espécie é a única que está apresentando defeito?

Vamos observar como ocorre na natureza: as outras mamíferas costumam se afastar de tudo quando sentem que estão prestes a criar. Procuram um lugar seguro, quentinho e escuro para o momento do parto. Esse é o melhor ambiente pra liberação dos hormônios, que acontece naturalmente, sem precisar de ajuda alguma. É lógico imaginar que, se elas não tomassem esses cuidados, poderiam expor seus filhotes recém-nascidos aos perigos dos predadores. Tanto é que, se ela está em trabalho de parto e percebe que um predador a observa, seu corpo é capaz de "adiar" o trabalho de parto pra poder fugir. Os hormônios são bloqueados, a dilatação que estava ocorrendo pára, e ela vai se defender primeiro pra depois, em paz, retomar o processo todo.

Agora vamos observar uma gestante em TP: ela está num ambiente que não conhece, sendo observada por tudo e por todos (inclusive com poucas roupas), muitas vezes sentindo frio, com medo, às vezes sozinha, e, não raro, ouvindo palavras que não gostaria dos profissionais que a atendem. A cada 30 minutos entra um profissional diferente pra avaliá-la, fazer toque, e às vezes sem nem chamá-la pelo nome. "Mãezinha, deita que vamos fazer um toque!". E pra piorar a situação, muitas ainda precisam dividir o mesmo quarto com outra parturiente às vezes mais desesperada que ela.

Como é que se espera que o corpo funcione nessas condições?? É lógico que a sensação de um ambiente não acolhedor vai dar ao cérebro a informação para bloquear o trabalho de parto. É instinto de defesa. Afinal, somos mamíferas! Já acompanhei gestantes que estavam evoluindo lindamente no seu TP enquanto estavam em casa, mas o fato de chegar ao hospital "travou" tudo. O problema não é o hospital, mas o acolhimento (ou a falta dele).

Quem é que nunca ouviu a frase célebre: "eu não tive dilatação...".Tem algumas hipóteses aqui: ou não se esperou tempo suficiente pra que o corpo da mulher funcionasse (acontece muuuuuuuito!), ou a mulher tinha alguma patologia rara (rara mesmo!!) no colo do útero que o impedeiu de dilatar, ou... a gestante não estava se sentindo segura e acolhida! Fora isso, não existe colo do útero que simplesmente veio com defeito de fábrica e não dilata. Ele foi "projetado" pra ceder com as contrações, que só acontecem quando nossos amigos hormônios funcionam bem.

Como é que se melhora isso? Observando alguns cuidados básicos. Gestante em trabalho de parto precisa de:


*Segurança: ter um acompanhante que esteja seguro e confiante (e não que fique desesperando ainda mais a parturiente! rs!) ajuda muito, mas o essencial é que a mulher sinta que está sendo cuidada, amparada, protegida, e que o ambiente que vai receber seu filho é seguro.

*Calor: sentir-se aquecida favorece a liberação de hormônios.

*Ambiente com pouca luz: além de criar um "clima" mais favorável, a penumbra deixa a mulher mais à vontade pra se expressar, se movimentar como sentir que precisa, pra agir instintivamente e obedecer ao que o corpo estiver pedindo.

*Não sentir-se observada: difícil aqui, né? É preciso respeitar a privacidade da mulher. O "entra e sai" do quarto onde ela está deveria ser evitado ao máximo. A presença de pessoas estranhas no ambiente pode, sim, atrapalhar muito a parturiente!

*Liberdade pra se movimentar: o corpo sabe o que deve fazer pra ajudar a descida e o encaixe do bebê. É instintivo que a mulher sinta vontade de deitar, sentar, levantar, rebolar, abaixar, deitar de lado... e essas vontades deveriam ser respeitadas. É o próprio corpo "guiando" o processo todo. Se a mulher estiver atenta, certamente vai sentir esses "comandos" vindos do próprio corpo. Não é necessário que ninguém a ensine aqui.


Ainda poderíamos citar a importância de não sentir medo, já que isso provoca uma liberação de adrenalina que "bloqueia" a ocitocina. Mas isso é assunto pra outro post...


Observando tudo isso, certamente o trabalho de parto poderá fluir mais naturalmente! E quanto mais deixarmos a natureza fazer sua parte, menos precisaremos intervir...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Como vencer o medo do parto?

Quando se questiona pra uma gestante por que ela quer fazer cesárea, a resposta muitas vezes é essa: "eu até queria parto normal, mas tenho muito medo!". Medo de sofrer, de doer muito, de morrer, de não conseguir... Não é a intenção desse post, mas se fôssemos falar em riscos, já está mais do que comprovado que deveríamos ter medo é de passar pela cirurgia cesariana, e não pelo parto. Então, discutiremos a questão do MEDO DA DOR DO PARTO.



Por medo de entrar em trabalho de parto, por exemplo, muitas mamães acabam concordando com cesáreas agendadas às 37 semanas, ignorando todos os riscos que podem vir dessa decisão. Eu fico me perguntando: De onde vem esse medo? Aqui poderíamos enumerar várias causas.

Uma delas, sem dúvida, são as histórias de partos sofridos que a mulher já ouviu ou presenciou na vida. Quando se fala em parto normal, sempre tem uma tia, ou avó, ou a própria mãe, pra contar de algum parto que levou um dia inteirinho, a mulher sofreu pra caramba, e todos os vizinhos podiam ouvir os gritos da parturiente. A mídia também presta um "desserviço" à todas nós quando exibe aquelas cenas de parto normal com a mulher descabelada, gritando, mais parecendo um filme de terror.



Essa imagem de que trabalho de parto tem que ser sofrido, doloroso, acaba aumentando ainda mais o medo da gestante, que inclusive pode ter mais dificuldades no parto se não estiver segura e tranquila.



Mas o fato é: TER MEDO DO QUE É DESCONHECIDO É NORMAL. Sempre sentimos aquele "frio na barriga" quando precisamos passar por uma situação diferente: uma entrevista de emprego, aprender a dirigir, falar pra um público desconhecido... A mulher que gesta seu primeiro filho tem todo o direito de sentir inseguranças em relação à chegada de seu bebê, pois mesmo que já tenha ouvido outras mães explicando o que é uma contração, ela só vai poder saber mesmo quando experimentar uma.



Outra explicação seria a associação que fazemos sempre entre DOR x SOFRIMENTO. É claro que a grande maioria das mulheres que passaram por um parto normal relatam terem sentido dores, mas nem todas relatam o sofrimento. Como assim? Uma dor de pedra no rim, por exemplo, é uma "dor sem sentido". Não vai servir pra nada, então causa sofrimento sim. Já a dor de uma contração pode ser encarada de outra forma: não é uma doença que a está causando, nem é um sinal do corpo de que tem alguma coisa errada. É uma dor de vida, de nascimento, que tem uma causa. Lembrar durante as contrações o porquê de estar passando por elas ajuda muito a se tranquilizar: "é pelo meu bebê!". O sentido muda completamente. Posso afirmar tranquilamente que tive, sim, dor no meu parto, mas em momento algum eu sofri com isso. Eu sabia exatamente porque tudo estava acontecendo.



Então, o que fazer? Uma alternativa importante é SE INFORMAR. Muito, sobre tudo que for possível. Como se inicia o trabalho de parto, quais suas fases, o que acontece em cada uma delas, que meios existem para ajudar a controlar a dor... Lembro muito bem de ter ouvido várias vezes no fim da minha gestação a mesma pergunta: "Mas você não tem medo do parto?". Sempre respondi que não, e realmente não tinha. Acho que já tinha lido tanto, pesquisado muito, participava da lista de discussão do GestaParaná... que o assunto parto já não era novidade pra mim. Eu sabia que as contrações viriam como ondas, que vem e vão, sabia que teria um tempo entre elas pra descansar, pra me concentrar... Sabia como seria a evolução do parto... E isso tudo me ajudou a desmanchar aquela "nuvem negra" que fica na nossa mente quando estamos pra pisar em um terreno desconhecido. Eu sabia o que aconteceria, então estava tranquila.



Um cuidado importante aqui é saber onde buscar essas informações. Ouvir as histórias da vizinhança sobre os sofridos partos de algumas décadas atrás pode acabar atrapalhando ao invés de ajudar. A gestante precisa sim ler muitos relatos de parto, mas de partos "que deram certo"! Hoje (graças a Deus!) temos diversos sites e blogs que tratam do assunto com uma visão super humanizada, mostrando que o parto pode (e deve!) ser guiado pelo próprio corpo da mulher e pelo bebê. O conceito de "Parto Ativo" é justamente isso: mas não tem como uma gestante que nem sabe o que está acontecendo conseguir ser ativa no seu parto. Vai acabar sendo comandada pela equipe, e vai ter um "parto normal" do jeito que se ouve por aí.



E, no fim das contas, faz muita diferença tudo isso? SIM. O parto é um evento completamente regulado por hormônios, e estes são modulados também pelo estado de medo e ansiedade. De outra forma: quando mais medo se sente, mais dor, que trará mais medo... e vira um ciclo vicioso. Então, estar tranquila pode, SIM, determinar um trabalho de parto menos dolloroso e mais rápido.

Tem uma palavra que define isso (e até tempos atrás eu achava meio "agressiva", mas hoje entendo o que ela quer dizer): EMPODERAMENTO. No "mundo materno" significa tomar para si as decisões, significa não esperar que outras pessoas façam por você o que só você deve fazer.



Então, querida gestante, é importante: leia, se informe, pergunte, peça ajuda, busque grupos de apoio ao parto... Quanto mais você, gestante, estiver "empoderada", quanto mais acreditar que o seu corpo é capaz de parir o bebê que ele mesmo gerou, mais tranquila e menos medo vai sentir! Logo, menos dor.


Pra quem quer começar a "se empoderar", segue a listinha dos sites que me ajudaram nesse processo:






Tem mais nos sites que eu sigo, e muitos outros que tem crescido bastante nesses últimos anos.

Vencer o medo do parto é possível...

Empoderar-se faz a diferença!



Imagem: daqui

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cesárea Eletiva - Por que não?

Dizer que uma Cesárea foi "Eletiva" significa que ela não foi realizada por motivos de urgência e nem de emergência. Quer dizer que ela foi "agendada".

Quando a gestante opta pela cirurgia cesariana, é costume já marcar a data do nascimento. Algumas vezes a escolha é feita por conveniência, pra que a futura mamãe saiba exatamente o dia que o bebê vai chegar, organizar o trabalho, fazer as unhas e a escova no cabelo... Já ouvi diversas histórias de mães que saíram da primeira consulta do pré-natal com a data da cesariana marcada!

Até aí, sem problemas (será?!?). Mas o que muitas não sabem é que marcar a data para retirar o bebê do útero é perigoso. Por vários motivos. O maior risco, que é assunto pra outro post, é claro que é a própria cesárea. Mas há também a possibilidade de o bebê ser retirado antes de estar completamente pronto. Existe até nome pra essa situação: "prematuridade iatrogênica" (ou seja, prematuridade causada por um erro no cálculo da idade gestacional).

Há uma cultura errônea sendo difundida (inclusive pelos meios de comunicação) de que um bebê de 37 semanas já está pronto pra nascer. Ele já está todo formado, possui todos os órgãos, então já poderia sobreviver fora do útero. O fato é que a partir das 37 semanas é que começa a ser produzida uma substância importantíssima para os pulmões do bebê, o "surfactante alveolar". Ele vai ajudar os pequeninos pulmões do bebê a se manterem abertos para a respiração. E esse processo só INICIA nessa fase. Não é a toa que a principal complicação apresentada nos bebês que nasceram antes da hora é respiratória.

Só para ilustrar, pesquisas apontam que a principal causa de internação nas UTI's neonatais de hospitais particulares é "imaturidade pulmonar". Seria coincidência?

Que a cesárea oferece mais riscos, todo mundo sabe. Segundo um estudo realizado com 56 mil puérperas na Suiça em 2004, cesarianas eletivas dobram o risco de mortalidade dos bebês em relação aos nascidos de parto natural.

Outro dia eu conversava com uma amiga minha muito amiga que mora no nordeste e queria ter um parto normal, mas estava com o bebê pélvico (sentado). Não é uma indicação absoluta de cesárea, mas quando não há um médico experiente pra fazer o parto, uma alternativa é optar pela cirurgia. Ela conversou com a obstetra que a acompanhava e pediu pra esperar o trabalho de parto começar, mas a médica arrumou milhões de motivos pra dizer que era mais conveniente marcar: ela não saberia a equipe que estaria no hospital quando chegasse, é melhor conhecer e escolher quem vai acompanhar... tudo pensando na CONVENIÊNCIA de agendar uma cirurgia. É claro que é mais fácil marcar pra um dia que a agenda esteja mais tranquila, mas nesses casos o que está sendo colocado em jogo é a segurança da mãe e do seu bebê!

Mas, se a mãe for fazer mesmo assim, o mínimo de cuidado para evitar complicações desnecessárias seria aguardar o início do trabalho de parto. O próprio Ministério da Saúde, manifestando-se sobre o assunto, orienta: "Para evitar a prematuridade iatrogênica, sugere-se que mesmo que seja programada uma cesárea desnecessária, a mãe espere entrar em trabalho de parto, pois esse seria um sinal de que o bebê está pronto para nascer." (Confira a matéria na íntegra aqui).

Aqui algumas gestantes podem argumentar: "mas eu já quero fazer cesárea pra não ter que passar pelo trabalho de parto, como fico?". Se a preocupação é com as contrações, relaxe: as primeiras são completamente suportáveis, e em geral iniciam com bastante espaço entre uma e outra. Dá tempo tranquilo pra você ligar pro seu médico, pegar suas coisas e ir pra sua cirurgia. Um punhadinho de contrações não mata ninguém, e evita um montão de possíveis complicações que podem custar muito mais depois.

No caso da minha amiga, a natureza "pregou uma peça" na médica. Mesmo agendando a cesárea pro meio da semana, a médica teve que ir pro hospital acompanhar minha amiga que entrou em trabalho de parto num sábado à noite... =D

Imagem: daqui

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Relato do parto da Adriana - escrito por ela

Semana passada a Adriana enviou por e-mail um texto que escreveu contando o parto dela, e me autorizou a postar. Pra quem quiser, tem a minha versão dele aqui.

Meu parto

Comecei a sentir umas cólicas no dia 21/07/2011 em torno das 21 horas, depois elas foram aumentando aos poucos e começou a sair um pouquinho de sangue. Por volta das 22h30 meu marido Adriano chegou da faculdade e falei pra ele que estava sentindo umas dores. Ele ficou todo feliz que o Lucas já estava chegando... hehehe...

Quando foi umas 23h40 mais ou menos liguei pra minha querida amiga/irmã Marieli, que é doula, e falei pra ela o que estava sentindo. E ela, muito carinhosa e paciente como sempre, pediu pra que eu tivesse calma, tomasse um banho quente e demorado, comesse alguma coisa e tentasse descansar e relaxar, e qualquer coisa era pra voltar a ligar.

Segui todos os conselhos dela, mas relaxar parecia algo impossível com as contrações mais fortes. Tentava deitar e dormir um pouco, mas não dava certo... hehehe! Sentava, me agachava, segurava na parede, rebolava, tomei mais banho, fazia de tudo um pouco pra tentar aliviar, mas depois as contracões voltavam novamente.

E fui assim até as 4h30, quando decidi ligar pra Mari novamente. Daí conversamos e ela veio à minha casa. Trouxe a bola de fisioterapia pra eu sentar, e fazia massagem nas minhas costas quando as contrações vinham. A Mari sempre me lembrava que aquelas dores eram por amor ao Lucas... Ela e o Adriano começaram a controlar o tempo das contrações, e por volta das 6h00 fui ao banheiro, sentia vontade de fazer cocô. Quando fiz força a bolsa estourou, porém não saiu todo o líquido de uma vez. Tomei outro banho e fomos para o hospital.

Chegamos lá por volta das 6h40, o médico fez o toque e disse que já estava com 10cm de dilatação e que o Lucas já estava quase nascendo... e às 7h10 do dia 22/07/2011 nasceu o meu anjinho!

Foi tudo muito bom e maravilhoso, ter conseguido ficar em casa e aguentado a contrações, graças a ajuda da Mari. Pois eu sabia que se fosse para o hospital antes o médico ia querer fazer uma cesárea... e graças a Deus, quando chegamos ao hospital meu médico estava lá fazendo umas visitas a outras pacientes. Foi Deus e Nossa Senhora que abençoaram cada momento do meu parto!

Muito obrigada!
Bjus, Adri.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Afinal, o que é uma Doula?



Já tive de responder por diversas vezes à essa pergunta. Quando conto que sou fisioterapeuta (essa já é mais comum, todo mundo conhece) e doula, as pessoas em geral me olham com aquela cara de "hã?".



Pra ficar mais claro, copio aqui um texto da Patrícia Bortoloto, que é doula em Curitiba. O texto é ótimo, aproveitem!



DOULAS



Antigamente era muito comum que a mulher fosse amparada, apoiada, assistida por outras mulheres durante o trabalho de parto. Esta mulher geralmente era sua mãe, irmã mais velha, prima, amiga, vizinha que já tivesse vivenciado um parto ou a aprendiz de parteira. Enfim, uma pessoa com experiência.


Com a medicalização do parto esse apoio se perdeu. Atualmente a equipe que assiste o parto é composta por médico obstetra, enfermeira, auxiliar de enfermagem e pediatra/neonatologista. Cada um tem suas responsabilidades técnicas no universo do parto e nascimento, mas nenhum deles esta à disposição para cuidar exclusivamente do bem estar físico e emocional da mulher que está prestes a dar à luz.


Neste “vácuo” surgiu o trabalho da Doula. O termo “doula” é originário do grego e significa “mulher que serve”. A doula oferece apoio físico, emocional e afetivo à mulher antes, durante e depois do trabalho de parto. Cria com esta mulher um vínculo. Oferece carinho e cuida para que agentes externos não perturbem o trabalho de parto.


Ser doula não é apenas uma profissão e sim uma vocação. Precisa ser uma pessoa que acredita que toda mulher é capaz de parir, ser apaixonada pelo nascimento humano e pela força encantadora que toda mulher tem de dar à luz seu filho. Deve entender que o parto é o momento mais importante da vida da mulher - e de seu filho.


A Doula é o espelho da mulher durante o parto. A mulher a observa e por meio dela se tranqüiliza e acredita que tudo dará certo. Ela é responsável por trazer essa tranqüilidade ao parto por meio de seus cuidados e palavras carinhosas. Além deste cuidado para a parturiente, presta também apoio ao companheiro/pai do bebê, que muitas vezes quer ajudar sua mulher em trabalho de parto, mas não sabe como. A doula trata de envolvê-lo no processo, sugerindo que ele a abrace, que faça massagens e a apóie no momento do parto. O parto, se bem conduzido, é uma experiência muito enriquecedora na vida do casal.


Pesquisas apontam que a atuação da Doula na assistência ao parto pode:
· diminuir em 50% as taxas de cesárea
· diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
· diminuir em 60% os pedidos de anestesia
· diminuir em 40% o uso da oxitocina
· diminuir em 40% o uso de forceps.


Esses números referem-se a pesquisas no exterior, mas é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

O QUE A DOULA FAZ:


Antes do parto


· A Doula orienta a mulher e seu companheiro sobre o que esperar do trabalho de parto, parto e pós-parto.
· Ajuda a gestante a refletir quais são seus desejos e medos, contribuindo para que a mulher se prepare física e emocionalmente para o parto.
· Além disso, indica leituras e artigos e auxilia na elaboração de um plano de parto.

Durante o trabalho de parto e parto


· A doula faz uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares auxiliando para que o ambiente seja mais acolhedor.
· Auxilia a mulher com técnicas não farmacológicas para alívio da dor, sugere posições para ajudar no bom desenvolvimento do trabalho de parto e posições para o parto, além de incentivar a parturiente a manter-se ativa durante todo o processo.
· Oferece apoio afetivo, físico e emocional não só à parturiente mas também ao seu companheiro.

Após o parto


· A doula auxilia com a amamentação e cuidados com o bebê.
· Oferece suporte para a nova família, ajudando-a a entender as mudanças que a chegada no novo membro traz ao lar.

Técnicas de apoio da doula



· Hidroterapia;
· Massagem;
· Visualizações;
· Toque tranqüilizante;
· Movimentos rítmicos;
· Respiração e relaxamento;
· Sons e vocalizações;
· Posturas alternadas (o parto é um evento assimétrico);
· Acupressura.

O que a Doula não faz:


· A Doula não substitui quaisquer dos profissionais envolvidos na assistência ao parto;
· A Doula não faz exames, ausculta fetal e tampouco cuida da saúde do recém-nascido;
· Não presta suporte técnico. Sua única preocupação é com o bem estar físico, afetivo e emocional da mulher.
· Além disso, não discute procedimentos com a equipe responsável pelo parto, mas durante a gestação fornece informações para que a gestante faça suas escolhas e converse com os profissionais envolvidos;

O acompanhamento da Doula tem como finalidade ajudar a mulher a ter uma experiência positiva de parto, sentindo-se amparada e cuidada nesse momento único e especial.

Patricia Bortolotto



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Anticoncepcionais durante a amamentação

Semana passada uma amiga fez uma pergunta (aqui, ó) questionando sobre os anticoncepcionais durante a amamentação prolongada. Achei a pergunta bem interessante, e mereceu um post sobre o assunto pois muitas recém-mães tem a mesma dúvida.



Uma amiga minha que cursa Farmácia (a Anna Paula, dona desse blog aqui) respondeu o seguinte: "De forma bem resumida, os contraceptivos usados durante a amamentação contém apenas progesterona, diferente dos outros que também contém estrogênios. O estrógeno inibe a prolactina. Então, anticoncepcionais como o Cerazzete serão eficazes apenas quando a amamentação é regular de 3 em 3, 5 em 5h. Por isso tantas mulheres reclamam que engravidaram usando o Cerazzete. Se existe um grande intervalo, à noite, por exemplo, não vai funcionar. Estes "imitam" uma gravidez, enquanto os outros, usados durante toda vida, "imitam" um ciclo comum apenas inibindo a ovulação."



Vamos por partes: o problema em tomar anticoncepcionais durante a amamentação é justamente o estrogênio, que está presente nas pílulas comuns. Ele inibe a liberação da prolactina, que é a responsável pela produção de leite. Logo, o leite irá diminuir. Além disso, acredita-se que esse hormônio feminino possa chegar ao bebê pelo leite, o que causaria o desequilíbrio hormonal na criança.



É pra isso que foram criadas as pílulas compostas somente por progestágeno (hormônio sintético semelhante à progesterona). Elas são tão eficientes quanto a pílula tradicional, independentemente de a mulher estar amamentando exclusivamente ou não (tanto que pode ser usada por quem não amamenta). O detalhe é que precisam ser tomadas com ainda mais disciplina que as demais, pois até mesmo o atraso de algumas horas pode aumentar as chances de gravidez. Por esse motivo, seu uso é contínuo: não há aquela pausa de 7 dias, nem mesmo durante o sangramento.



E isso vale para todo o período que a mulher quiser amamentar. Ela não pode tomar estrogênio, mas pode lançar mão dessas minipílulas, ou de outras opções como a injeção trimestral, que também é compatível com a amamentação.



OBS: nenhuma informação deste blog pretende substituir o acompanhamento médico. Procure seu ginecologista para que ele lhe forneça as orientações mais adequadas para o seu caso!